Mundo
31/10/2009 - 19h07

Hillary diz que Israel não precisa parar colonização antes de diálogo com palestinos

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da Folha Online

A secretária de Estado americana Hillary Clinton rejeitou neste sábado a principal precondição palestina para negociações de paz com Israel, dizendo o congelamento de construção nos assentamentos judaicos devem ser discutido nas negociações.

"'Nunca houve uma precondição. Isso sempre foi um problema no âmbito das negociações", disse Hillary sobre assentamentos, em uma entrevista coletiva conjunta com o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu.

O governo Obama tinha exigido anteriormente que Israel suspendesse todos os novos assentamentos e construções nos já existentes antes que as negociações fossem retomadas. Mas Hillary disse neste sábado: "O que o primeiro-ministro ofereceu especificamente sobre as restrições à política de assentamentos [...] é inédito no contexto das negociações prévias".

"Eu penso que o que temos de fazer agora é tentar entrar em negociações. O primeiro-ministro será capaz de apresentar a proposta de seu governo sobre o que estão fazendo em relação aos assentamentos, o que eu acho que quando for totalmente explicado, será visto como sendo não apenas sem precedentes, mas em resposta a muitas das preocupações que foram expressas", disse Hillary.

Já Netanyahu disse que demanda dos palestinos de que Israel congele a colonização é um "pretexto" e um "obstáculo" que bloqueia a retomada de negociações.

Os palestinos afirmam que Netanyahu está dando muito pouca abertura sobre os assentamentos.

Hillary chegou neste sábado a Israel, depois de se encontrar em Abu Dhabi com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas que, por sua vez, negou-se a aceitar uma oferta americana para retomar as negociações com Israel, se não houver uma paralisação total da colonização.

Um alto assessor de Abbas, Saeb Erekat, disse em uma entrevista por telefone à agência de notícias Associated Press que Hillary tinha pedido a Abbas para permitir que o governo de Israel completasse a construção de 3.000 unidades em assentamentos judaicos na Cisjordânia construísse edifícios públicos e em Jerusalém Oriental, um território que os palestinos esperam que seja sua futura capital.

"Isso é uma impossibilidade", disse Erekat. "E é por isso que é improvável reiniciar as negociações."

Um porta-voz do Departamento, PJ Crowley, disse a repórteres a bordo do avião que levou Hillary a Israel, que não poderia comentar detalhes das conversações com Abbas. "Eu não acho que seja proveitoso tratar disso neste momento", disse Crowley.

Questionado se Hillary tinha transmitido uma oferta israelense para parar os assentamentos depois de mais 3.000 unidades de habitação, Crowley disse que não. Segundo ele, o objetivo americano nesta fase, no que diz respeito aos assentamentos israelenses, é "reduzir a diferença a um grau suficiente" para que ambas as partes possam concordar em retomar as negociações.

Com Efe, Associated Press e Reuters

 

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