Obama reconhece vitória de Karzai, mas pressiona por "novo capítulo" no Afeganistão
da Folha Online
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saudou nesta segunda-feira a vitória de Hamid Karzai na eleição afegã com uma dose igual de advertências e congratulações, recomendando incisivamente ao parceiro americano na guerra que ele deve se esforçar mais seriamente para acabar com a corrupção no governo e preparar o país para defender-se com seus próprios meios.
"Eu enfatizei que este tem de ser o momento em que começamos a escrever um novo capítulo", disse Obama, ao descrever seu telefonema ao presidente afegão. Segundo o relato de Obama, quando Karzai assegurou que seguiria as recomendações, recebeu como resposta que "a prova não vai ser com palavras, será em ações."
As declarações foram feitas após uma reunião de Obama com o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt. Obama falou com Karzai depois que a Comissão Eleitoral afegã o proclamou ganhador das eleições presidenciais, depois da retirada de seu rival, Abdullah Abdullah, do segundo turno.
O presidente americano considera que o processo eleitoral afegão foi "confuso", mas se declarou satisfeito "porque o resultado final foi determinado de acordo com a lei afegã", endossando a legitimidade da reeleição, como fizeram também a ONU, governos europeus e o Paquistão.
Ao narrar a sua conversa telefônica com Karzai, Obama passou a maior parte do tempo dizendo o que espera de seu aliado: esforços mais efetivos para acabar com a corrupção, cooperação para acelerar o treinamento das forças de segurança afegãs e benefícios tangíveis na vida do povo afegão.
Por sua vez, Karzai transmitiu seu "interesse em dar início a reformas de maneira interna" e assegurou que isso será uma de suas prioridades.
Obama disse que seu governo permanecerá em estreito contato com as autoridades afegãs para avaliar os progressos.
O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, reconheceu que a vitória antecipada de Karzai é um fator na decisão de enviar ou não mais tropas para o Afeganistão, mas não disse se o calendário para o anúncio da nova estratégia para a guerra, que está sob revisão, foi alterado. O governo continua a dizer que o anúncio vai acontecer nas "próximas semanas".
Atualmente, há cerca de 68 mil soldados americanos em solo afegão, país invadido por forças ocidentais no final de 2001, em resposta aos atentados de 11 de Setembro. Após oito anos de guerra, Obama busca uma nova abordagem para um conflito que chegou no mês de outubro pasado a um pico de violência, com recorde no número de soldados americanos mortos, diante de um visível fortalecimento do grupo fundamentalista Taleban.
Com Associated Press e Efe
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