Secretário-geral da OEA pede ações concretas ao Congresso hondurenho
da Folha Online
da Ansa
O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, pediu para os congressistas hondurenhos "deixarem de retórica", instalarem um governo de unidade nacional e restituírem o presidente deposto, Manuel Zelaya.
"A única saída de paz é restabelecer o presidente Zelaya pelo escasso tempo que lhe resta na Presidência", disse Insulza à rádio Cooperativa, do Chile. Se restituído, Zelaya encerra seu mandato em janeiro de 2010.
O secretário-geral da OEA falou sobre o tema do Equador, onde acompanhará uma reunião dos ministros equatorianos e colombianos da Defesa e das Relações Exteriores.
Na semana passada, as delegações de Zelaya e do governo interino do país, liderado por Roberto Micheletti, aceitaram um acordo que põe fim à crise política hondurenha, que dura mais de quatro meses.
Com mediação de uma missão norte-americana, as comissões chegaram a um consenso sobre o ponto de maior divergência: a restituição de Zelaya. O texto aprovado pelas partes prevê que a volta dele à Presidência será decidida pelo Congresso Nacional, com uma prévia análise da Suprema Corte.
"Todo mundo espera que o Congresso decida o tema, porque foi o Congresso, em 28 de junho, que tomou a decisão de nomear o senhor Micheletti", afirmou Insulza, que afirmou esperar uma decisão "rápida".
"O tempo é curto e, se Deus quiser, os congressistas farão o que os hondurenhos querem. Em Honduras, o povo quer que isto termine. Todos dizem que essa mesa de diálogo foi incentivada pelos EUA e pela OEA. Mas, na realidade, quem a incentivou foi o povo de Honduras, que queria um acordo", declarou.
Segundo Insulza, a OEA pretende realizar uma Assembleia Geral no próximo dia 16 e, "inclusive, queremos fazê-la em Tegucigalpa, se for possível, para levantar as sanções a Honduras".
O secretário-geral também esclareceu que pediu "autorização ao Conselho da OEA para começar a preparar a missão eleitoral que vai observar as eleições em Honduras", programadas para o dia 29.
"Ainda tenho que decidir quem encabeçará essa missão. Mas, para isso, necessitamos levantar as sanções, o que exige que se cumpra o acordo", pontuou.
Hoje é esperado em Honduras o ex-presidente chileno Ricardo Lagos que, junto à secretária de Trabalho dos Estados Unidos, Hilda Solis, irá acompanhar o cumprimento do acordo. Lagos deverá permanecer no país por 24 horas.
Zelaya, por sua vez, reafirmou ontem que só aceitará o acordo, caso ele seja restituído à presidência. Desde 21 de setembro, ele está hospedado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.
Histórico
A crise política hondurenha foi iniciada quando Zelaya propôs uma pesquisa de opinião nacional que abriria caminho para seu projeto de convocar uma Assembleia Constituinte --o que foi visto pelos setores do governo como uma tentativa de aprovar a reeleição no país.
Zelaya chegou a destituir o chefe das Forças Armadas de Honduras, o general Romeo Vázquez, por se recusar a dar apoio logístico à pesquisa de opinião nacional. O Congresso e a Corte Suprema do país criticaram a decisão, que consideraram ilegal, mas Zelaya não recuou.
Três dias depois, em 28 de junho o presidente foi deposto e expulso do país.
Micheletti, então presidente do Congresso, assumiu o cargo de presidente. Classificada um golpe de Estado por governos e entidades internacionais, a sucessão foi classificada por Micheletti e pelas instituições hondurenhas como uma mudança legítima de governante, referendada pela Suprema Corte e pelo Congresso.
Mas Zelaya, expulso, de pijamas, do país por militares na madrugada do dia em que pretendia realizar a consulta, disse que sofreu um golpe militar e desmentiu qualquer tentativa de alterar a cláusula pétrea da Constituição que impede reeleições para se manter no poder.
Embora a destituição de Zelaya tivesse amparo constitucional sob a hipótese de que ele estivesse tentando reeleger-se, a expulsão não é prevista no texto e tanto Micheletti quanto o chefe das Forças Armadas eximiram-se posteriormente de responsabilidade por essa iniciativa, sem indicar um possível autor da medida.
Pressionado --nenhum país reconheceu seu governo-- o governo interino adiou ao máximo uma solução para o impasse, resistindo à proposta feita pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, para o condicional de Zelaya à Presidência.
Mas após quase três meses de negociações sem avanços e duas frustradas tentativas públicas de voltar a Honduras, o retorno do presidente deposto no último dia 21 de setembro aumentou a pressão internacional sobre o governo interino, alimentou uma onda de protestos e fez da crise hondurenha um dos temas da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), reunida em Nova York em setembro.
O governo interino chegou a decretar estado de sítio no país, restringindo as liberdades constitucionais, e fechou a Rádio Globo e o Canal 36, simpatizantes a Zelaya, para tentar conter os protestos diários favoráveis ao presidente deposto.
Neste período, uma delegação diplomática da OEA tentou, em vão, mediar o diálogo por um fim à crise. A insistência de cada lado em suas posições, após algumas concessões aparentes, levou à paralisação e finalmente ao rompimento do diálogo. A retomada da negociação aconteceu na semana passada, após a visita de uma missão norte-americana, cuja mediação foi considerada fundamental para o acordo, e de mais um emissário da OEA.
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As eleições foram marcadas bem antes da deposição de Zelaya. O partido dele (que é o mesmo do Micheletti) teve candidado concorrendo e levou uma surra nas urnas. O estado de sítio vigorou por um periodo bem curto, apenas para fazer frente às ameaças de tumulto promovidas pelo "hóspede" da embaixada brasileira. Foram menos de 20 dias em uma campanha eleitoral de nove meses.
O Ministério da Saúde Palítica adverte: ELEIÇÕES FAZ MAL PARA CANDIDATO A DITADOR!
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Espero que o aprendiz de ditador permaneça preso na armadilha que o mesmo criou com a ajuda do Chavez, do Amorim e do Lula, pelo menos durante o Natal e Ano Novo, para aprender a não querer mais burlar a própria constiruição de seu país, como exemplo para outros arrogantes que pensam que só eles sabem governar.
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