Mundo
03/11/2009 - 14h13

Merkel agradece apoio dos "amigos americanos" contra o Muro de Berlim

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da Folha Online

A chanceler alemã, Angela Merkel, discursa nesta terça-feira diante de ambas as casas do Congresso dos Estados Unidos e agradeceu a ajuda dos "amigos americanos" no combate ao regime socialista da República Democrática da Alemanha e ao Muro de Berlim, cuja queda completará 20 anos na próxima segunda-feira (9).

"Sei quanto os alemães devem a vocês, amigos americanos, e eu pessoalmente nunca esquecerei isso", disse Merkel, que lembrou sua vida como alemã oriental, sob o bloqueio do regime socialista e o cerceamento do Muro de Berlim, que impedia a viagem para o lado ocidental.

Jason Reed/Reuters
Chanceler alemã, Angela Merkel, faz discurso histórico ao Congresso americano e agradece apoio dos EUA
Chanceler alemã, Angela Merkel, faz discurso histórico ao Congresso americano e agradece apoio dos EUA

"Agradeço todos os pilotos americanos que voaram em 1948 sobre o território socialista para Berlim e romperam o bloqueio, salvando alemães da fome", lembrou a chanceler, sobre o bloqueio imposto pelo governo soviético ao uso das estradas que ligavam a Alemanha ocidental com a ilhada Berlim ocidental. "Lembraremos e honraremos eles para sempre".

Merkel lembrou ainda o famoso discurso do presidente morto John F. Kennedy, que, em 1961, pouco após a construção do muro "ganhou o coração dos alemães com seu discurso: "Ich bin ein Berliner"".

"Não imaginaria que poderia estar aqui há 20 anos, antes da queda do muro. Para mim, era um sonho impossível de alcançar. O muro e a ordem de atirar em quem tentasse fugir limitavam o meu acesso ao mundo livre", contou Merkel.

A chanceler afirmou ainda que conhecia o mundo ocidental através de livros e filmes. "Eu era apaixonada pelo sonho americano, alcançar seus objetivos pelos próprios meios", disse Merkel. "Eu era apaixonada por uma marca de jeans americana que não havia na RDA, mas minha tia mandava para mim", disse amenizando o tom sério do discurso.

Sob os aplausos dos legisladores americanos, Merkel lembrou ainda que, em alguns dias, a Alemanha celebrará os 20 anos da Queda do Muro de Berlim.

Lembrou ainda que, antes da celebração da queda da barreira que chegou a ter 120 km de extensão, a Alemanha viveu momentos sombrios sobre o governo dos nazistas. "Foi em um 9 de novembro, mas de 1938 que os agentes do governo nacionalista mataram judeus, queimaram sinagogas", disse a chanceler, em referência à Noite dos Cristais.

Neste dia, milhares de estabelecimentos, sinagogas, cemitérios e casas de cidadãos judeus foram destruídos na Áustria e na Alemanha. Cerca de 30 mil judeus foram detidos pelas forças nazistas e enviados a campos de concentração. Outros 91 foram assassinados.

"Não posso estar aqui sem lembrar deste dia", disse Merkel, que fez uma homenagem às vítimas do Holocausto.

Comentários dos leitores
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
"Os 192 Estados-membros da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) consagraram nesta quarta-feira o dia 18 de julho como Dia Internacional Nelson Mandela"
► Uma pessoa extraordinária. Parabéns!
5 opiniões
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Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
O Muro de Berlim foi brincadeira de criança comparado a outro muro que não separa mais o primeiro do segundo mundo pois este já não existe mais e sim o que separa o primeiro do terceiro. O Muro da fronteira do Estados Unidos com o México representa justamente isso: As classes abastadas devem estar seguras das que servem apenas como consumidoras nessa nova desordem mundial baseada no capital. Nessa fronteira se mata muito mais, as diferenças são muito maiores mas isso não importa não é mesmo? A democracia é um patrimônio que a humanidade não pode abrir mão nunca mais, mas não podemos também justificar com ela o extermínio através da fome e miséria que o mundo presencia causado pelo neo-liberalismo. 9 opiniões
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Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Foi bonita a festa de comemoração da queda do muro de Berlim e do fim do símbolo de um regime desumano e retrógrado. Será que o Chico vai cantar "Foi bonita a festa pá" rsrsrs. "A queda do muro --escreveu João Paulo 2°-- como a queda de perigosos simulacros e de uma ideologia opressiva, demonstraram que as liberdades fundamentais, que dão significado à vida humana, não podem ser reprimidas nem sufocadas por muito tempo".(Ou viva o neo-liberalismo) Santas palavras... ainda não aprendidas pelos muitos cabeças de bagre por aqui. 5 opiniões
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