Alemanha foi refém da luta entre EUA e União Soviética, diz Putin
da France Presse, em Moscou
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse que a divisão da Alemanha foi um erro e que não havia outra alternativa a não ser a reunificação. Há quase 20 anos, no dia 9 de novembro de 1989, quando o Muro de Berlim caiu, Putin trabalhava como agente do serviço secreto, na RDA (República Democrática da Alemanha, a Alemanha comunista).
"A divisão do povo [alemão] não tinha perspectiva. Era evidente desde o começo que ela não deveria ter sido feita", disse Putin à TV russa NTV, como parte de um documentário que será divulgado neste 8 de novembro, véspera do 20º aniversário da queda do Muro. "A Alemanha e o povo alemão foram, por muito tempo, reféns da luta entre duas superpotências [Estados Unidos e a União Soviética] e das forças de ocupação, tanto a oeste quanto a leste", afirmou, segundo fragmentos publicados pela agência Interfax.
"Enfim, a Alemanha se tornou moeda de troca na luta entre as duas potências", disse o ex-presidente da Rússia (2000-2008), que ainda é considerado o homem forte do país.
Putin, que sonhava fazer carreira na KGB (a polícia secreta soviética), foi destinado a um posto modesto na cidade alemã de Dresden, distante das cidades cobiçadas, de modo que guarda uma lembrança pouco entusiasmada do período. De volta a São Petersburgo, a sua cidade natal, Putin recomeçou do zero e, em pouco tempo, escalou vários degraus, à sombra do prefeito da ex-capital imperial, Anatoli Sobtchak. Ele foi, em seguida, para Moscou.
Nostálgico do poderio da União Soviética, Putin descreveu um dia seu desaparecimento como "a maior catástrofe geopolítica do século 20".
Segundo o jornalista que o entrevistou, Vladimir Kondratev, citado pelo diário "Kommersant", Putin desempenhou um pequeno papel nos acontecimentos de 1989: falou com a multidão concentrada diante do prédio da KGB, em Dresden, um dos feudos da oposição ao regime comunista, e a dissuadiu de invadi-lo.
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