Mundo
06/11/2009 - 09h25

Alemanha aparece mais segura, 20 anos após queda do Muro de Berlim

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PATRICK RAHIR
da France Presse, em Berlim

Vinte anos após a abertura do Muro de Berlim, a Alemanha ocupa um novo lugar no cenário internacional e não hesita em dizer não a seus parceiros para defender seus interesses. "Até 1989, entre os Estados Unidos e a URSS, a Alemanha era uma questão de política externa, e hoje ela se tornou um ator", ressalta Jackson Janes, do Instituto Americano de Estudos Contemporâneos sobre a Alemanha.

Os alemães defendem seus interesses nacionais. Até a reunificação, "ser europeu era o único nacionalismo permitido na Alemanha", diz Ulrike Guérot, do Conselho Europeu para Relações Exteriores. Liberada dos constrangimentos da divisão em dois Estados pertencentes a dois blocos, "ela teve de enfrentar escolhas novas e aprender a dizer não", explica Janes.

Reunificada em 1990, a Alemanha se limitou a financiar a ofensiva liderada pelos Estados Unidos para libertar o Kuait da ocupação iraquiana. Mas, em 1999, o chanceler Gerhard Schroeder arrancou do Parlamento um acordo para participar da campanha aérea da Otan (a aliança militar ocidental) contra a Sérvia no Kosovo. Desde então, as forças alemãs aumentaram as operações no exterior, do litoral do Líbano às montanhas do Afeganistão, onde elas formam o terceiro contingente estrangeiro, atrás de EUA e Reino Unido.

Mas foi o mesmo Schroeder que, após ter proclamado que a política da Alemanha seria ditada apenas por seus interesses, se recusou a participar da guerra no Iraque. Mais tarde, a chanceler Angela Merkel se negou a formar uma frente comum com seus parceiros europeus para lutar contra a crise financeira de 2008. Ela critica com veemência os banqueiros americanos e rejeita as pressões de Washington para reequilibrar as trocas comerciais.

"A Alemanha toma consciência de sua posição", diz o ex-presidente da Comissão Europeia Jacques Delors em entrevista à revista francesa "La Tribune". "Esta não é mais a Alemanha que aceita fazer sacrifícios porque desejava ser perdoada". "Nos tornamos um Estado-nação normal, e isso é justo", acrescenta Eberhard Sandschneider, do Conselho Alemão para Política Externa.

Ulrike Guérot teme, no entanto, que por trás deste "retorno à normalidade se esconda uma 'renacionalização'". Ela detecta na classe política e econômica alemã um discurso oculto: "pagamos um preço caro demais durante muito tempo pelos outros, devemos nos recuperar". Este estado de espírito acarreta para a Alemanha um abandono de suas responsabilidades europeias, diz, pois independentemente de quanto pagar, ela permanecerá liderando o jogo e ditando as regras da construção europeia.

Outros pensam que, pelo contrário, a Alemanha, maior exportador mundial, maior potência econômica europeia, com 82 milhões de habitantes, ainda é muito tímida.

"A Alemanha permanece prisioneira de sua história. Nossa política é ainda muito reservada. Merkel não está preparada para a confrontação", considera Stefan Cornelius, editorialista da "Süddeutsche Zeitung".

A chanceler reflete, sem dúvida, a ambivalência de seus compatriotas. Em uma pesquisa da Universidade de Stuttgart divulgada na primavera (hemisfério norte), 75% das pessoas consultadas, ou seja, duas vezes mais que em 2001, se disseram "orgulhosos de serem alemães, apesar da história de seu país".

Mas se 61% dos alemães aprovam que em certas ocasiões, como na Copa do Mundo de futebol organizada pela Alemanha em 2006, seja exibida a bandeira nacional preta, vermelha e dourada, 53% nunca o fariam por si mesmos.

Comentários dos leitores
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
"Os 192 Estados-membros da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) consagraram nesta quarta-feira o dia 18 de julho como Dia Internacional Nelson Mandela"
► Uma pessoa extraordinária. Parabéns!
5 opiniões
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Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
O Muro de Berlim foi brincadeira de criança comparado a outro muro que não separa mais o primeiro do segundo mundo pois este já não existe mais e sim o que separa o primeiro do terceiro. O Muro da fronteira do Estados Unidos com o México representa justamente isso: As classes abastadas devem estar seguras das que servem apenas como consumidoras nessa nova desordem mundial baseada no capital. Nessa fronteira se mata muito mais, as diferenças são muito maiores mas isso não importa não é mesmo? A democracia é um patrimônio que a humanidade não pode abrir mão nunca mais, mas não podemos também justificar com ela o extermínio através da fome e miséria que o mundo presencia causado pelo neo-liberalismo. 9 opiniões
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Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Foi bonita a festa de comemoração da queda do muro de Berlim e do fim do símbolo de um regime desumano e retrógrado. Será que o Chico vai cantar "Foi bonita a festa pá" rsrsrs. "A queda do muro --escreveu João Paulo 2°-- como a queda de perigosos simulacros e de uma ideologia opressiva, demonstraram que as liberdades fundamentais, que dão significado à vida humana, não podem ser reprimidas nem sufocadas por muito tempo".(Ou viva o neo-liberalismo) Santas palavras... ainda não aprendidas pelos muitos cabeças de bagre por aqui. 5 opiniões
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