Mundo
03/11/2009 - 17h22

Muro de Berlim poderia ter causado guerra mundial, diz Gorbatchov

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GUY FAULCONBRIDGE
da Reuters, em Moscou

O Kremlin teria começado a Terceira Guerra Mundial em 1989 se tivesse enviado tropas para esmagar as manifestações que precederam a queda do Muro de Berlim, disse na terça-feira o ex-líder soviético Mikhail Gorbatchov.

Gorbatchov é elogiado no Ocidente por ter ignorado os linha-duras do regime, que o aconselharam a garantir o futuro da União Soviética esmagando a crescente onda de dissidentes nos países comunistas do Leste Europeu. Essas manifestações levaram à queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989.

Ed Oudenaarden /Efe
O ex-líder soviético Gorbatchev, para quem Muro teria gerado guerra
O ex-líder soviético Gorbatchov, para quem Muro teria gerado guerra

Quando um repórter perguntou por que ele não usou a força para deter as manifestações, Gorbatchov respondeu que isso teria desencadeado uma sequência catastrófica de eventos e mesmo uma guerra mundial. "Se fosse pelo desejo da União Soviética, não haveria nada do tipo [a queda do Muro], nem a unificação alemã. Mas o que teria acontecido? Uma catástrofe ou a Terceira Guerra Mundial", disse Gorbatchov de 78 anos.

"Minha política era aberta e sincera, uma política com o objetivo de usar a democracia e não derramar sangue. Mas isso me custou muito caro, posso lhe dizer", afirmou ele.

A maioria dos russos despreza Gorbatchov por sua fraqueza em permitir o colapso da União Soviética e a perda do império russo. Uma pesquisa feita no ano passado mostrou que 60 por cento dos russos ainda enxergam a ruína da União Soviética como uma "tragédia".

Milhares de alemães orientais atravessaram o Muro para Berlim Ocidental em novembro de 1989, depois que as autoridades da Alemanha Oriental, que eram apoiadas pelos soviéticos, inesperadamente ordenaram a abertura dos pontos de travessia no Muro, antes fortemente protegidos.

Gorbatchov poderia ter recorrido a quase meio milhão de soldados soviéticos estacionados na Alemanha Oriental para esmagar a rebelião. Ele disse ironicamente aos repórteres que teve "uma boa noite de sono" depois que o Muro caiu.

A queda do Muro de Berlim --um símbolo da Guerra Fria que dividia a Europa-- foi um dos pregos no caixão da União Soviética, que desmoronou em 1991.

União Soviética

Depois que se tornou líder soviético em 1985, Gorbatchov, então com apenas 54 anos, lutou contra a ala conservadora do Partido Comunista pressionando por reformas que desmantelaram o sistema de partido único, aprovaram a liberdade de imprensa e acabaram com as restrições religiosas.

O pai da "glasnost" (abertura) e da "perestroika" (reestruturação) disse que não desejava presidir o colapso da União Soviética, acrescentando que o país foi destruído por discórdias internas. A queda da União Soviética também foi o fim da carreira política de Gorbatchov. Apesar de ganhar o Nobel da Paz em 1990, ele nunca mais foi eleito para um cargo público.

Mas Gorbatchov observou que o Ocidente também cometeu erros, perdendo a chance de construir uma paz duradoura na Europa por ter sido triunfalista em excesso depois do colapso soviético. "O Ocidente e, acima de tudo, os Estados Unidos pensaram que tinham um monopólio total nas suas mãos. Seu complexo triunfalista custou um preço alto: muito poderia ter sido resolvido e guerras teriam sido evitadas na Europa", disse ele.

"Eles agora precisam de uma perestroika", afirmou Gorbatchov, acrescentando estar contente pelo fato de Barack Obama ter vencido a eleição presidencial dos EUA.

Comentários dos leitores
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
"Os 192 Estados-membros da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) consagraram nesta quarta-feira o dia 18 de julho como Dia Internacional Nelson Mandela"
► Uma pessoa extraordinária. Parabéns!
5 opiniões
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Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
O Muro de Berlim foi brincadeira de criança comparado a outro muro que não separa mais o primeiro do segundo mundo pois este já não existe mais e sim o que separa o primeiro do terceiro. O Muro da fronteira do Estados Unidos com o México representa justamente isso: As classes abastadas devem estar seguras das que servem apenas como consumidoras nessa nova desordem mundial baseada no capital. Nessa fronteira se mata muito mais, as diferenças são muito maiores mas isso não importa não é mesmo? A democracia é um patrimônio que a humanidade não pode abrir mão nunca mais, mas não podemos também justificar com ela o extermínio através da fome e miséria que o mundo presencia causado pelo neo-liberalismo. 9 opiniões
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Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Foi bonita a festa de comemoração da queda do muro de Berlim e do fim do símbolo de um regime desumano e retrógrado. Será que o Chico vai cantar "Foi bonita a festa pá" rsrsrs. "A queda do muro --escreveu João Paulo 2°-- como a queda de perigosos simulacros e de uma ideologia opressiva, demonstraram que as liberdades fundamentais, que dão significado à vida humana, não podem ser reprimidas nem sufocadas por muito tempo".(Ou viva o neo-liberalismo) Santas palavras... ainda não aprendidas pelos muitos cabeças de bagre por aqui. 5 opiniões
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