Derrotados em dois Estados, democratas ganham deputado em área republicana
da Folha Online
As eleições locais desta terça-feira foram de revés para democratas e republicanos. Apesar de perderem o governo de Virgínia e Nova Jersey, os democratas tiraram dos republicanos uma cadeira na Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) em uma área importante de domínio do partido de oposição no norte do Estado de Nova York.
A votação desta terça-feira é conhecida como eleições de meio-mandato, já que são realizadas durante o mandato do presidente americano. A ideia é que as eleições, e consequentemente os mandatos, seja sobrepostos e que encerrem em datas diferentes.
Normalmente, estas eleições elegem os membros do Congresso., mas pode haver também referendos --como o do casamento gay no Estado de Maine-- e governadores --como em Nova Jersey.
Com 92% dos colégios apurados, o democrata, advogado e capitão aposentado da Força Aérea Bill Owens derrotou o candidato republicano, o empresário Doug Hoffman, com 49% contra 45% dos votos. Apesar da vitória por pouca margem, a eleição do democrata foi vista como sinal da divisão recente no Partido Republicano entre os moderados e conservadores.
Os republicanos não perdiam na região em mais de um século. Owens derrotou Hoffman apesar da vantagem de 45 mil eleitores a mais registrados para os republicanos e endosso de pessoas de alto escalão como a ex-candidata a vice-presidente Sarah Palin, ex-senador Fred Thompson e outros.
O Estado de Nova York tem agora apenas dois republicanos na delegação de 29 cadeiras.
O posto foi colocado em votação após a indicação do deputado John McHugh como secretário do Exército por Barack Obama.
"Esta foi uma campanha extraordinária", disse Owens, que agradeceu sua família, o presidente Barack Obama e o vice-presidente Joe Biden. "O processo de unir as pessoas para conseguir resultados é algo que fazemos por um longo tempo e isso é o que eu vou continuar fazendo quando chegar a Washington", disse.
Owens também agradeceu a ex-oponente Dierdre Scozzafava, republicana moderada que deixou a disputa no sábado passado (31) sob pressão do partido por seu apoio ao aborto e ao casamento homossexual.
Estados
No cenário reverso, os candidatos republicanos ganharam a disputa pelo governo de Virgínia e Nova Jersey, uma votação considerada um revés para o democrata Obama, que foi eleito nestes estados na disputa presidencial de 2008.
Um dia após uma pesquisa que mostra a queda da popularidade de Obama de 70% quando ele assumiu a Presidência, em janeiro deste ano, para cerca de 55%, o presidente democrata viu os votos dos independentes irem em massa para os republicanos.
Os democratas perderam ainda a coalizão de eleitores jovens a quem Obama apelava diretamente por eleitores mais velhos e brancos, especialmente na Virgínia, onde o democrata Creigh Deeds perdeu por ampla margem.
Segundo projeções das TVs americanas, o republicano Bob McDonnell ganhou com 63% dos votos contra 37% de Deeds na Virgínia, um Estado onde Obama venceu nas eleições de 2008. McDonnell, um republicano conservador, assumirá o governo da Virgínia após dois períodos sucessivos de governadores democratas.
Em Nova Jersey, o candidato republicano Chris Christie venceu a eleição para governador derrotando o atual ocupante do cargo, o democrata Jon Corzine, segundo a imprensa americana. Christie recebeu 49% dos votos contra 45% para Corzine, em uma das eleições locais mais disputadas desta terça-feira nos Estados Unidos, segundo o canal NBC. A CNN informou projeções de 50% para Christie e 44% para Corzine.
Corzine foi apoiado ativamente pelo presidente Obama, mas foi derrotado por Christie, que conquistou assim um antigo reduto democrata para os republicanos.
As eleições locais em vários Estados e municípios do país são consideradas um teste um ano antes da votação de meio de mandato do presidente Obama, que renovará um terço do Senado, toda a Câmara de Representantes e mais de dois terços dos cargos de governador.
Estrategistas do partido temem que os eleitores que foram em massa às urnas no ano passado por Obama deixem de comparecer nas eleições de meio de mandato porque o presidente não está na disputa ou porque estão decepcionados com o fracasso em trazer as mudanças que prometeu na campanha (nos EUA, o voto não é obrigatório).
Em jogo, estão até 60 cadeiras da Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados), muitas em distritos nos quais o presidente perdeu ou ganhou por muito pouco em 2008. Para os republicanos, a disputa estará em 40 cadeiras.
O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, negou a avaliação e disse que o governo não mede o resultado das eleições estaduais na Virgínia e em Nova Jersey como uma confirmação do apoio ao presidente.
Com Associated Press
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