Colônias de Israel impedem Estado palestino, diz negociador
MOHAMMED ASSADI
da Reuters, em Ramallah
Palestinos podem ter que abandonar a meta de um Estado independente se Israel continuar com a expansão dos seus assentamentos na Cisjordânia e se os Estados Unidos não agirem logo para impedi-lo, afirmou o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, nesta quarta-feira.
Pode ser a hora de o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, "dizer ao seu povo a verdade, que com a continuação das atividades nos assentamentos, uma solução de dois Estados não é mais uma opção", disse Erekat, em entrevista.
Israel rejeita a ideia de uma anexação de fato da Cisjordânia ocupada, incorporando palestinos como seus cidadãos, argumentando que isso seria uma "bomba-relógio demográfica" que faria dos judeus uma minoria.
Citando o "mapa da paz" de 2003, Abbas fez do congelamento da expansão dos assentamentos israelenses uma precondição para o reinício das negociações com Israel. O plano também prevê que palestinos desarmem grupos como o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, em um desafio direto ao mandato de Abbas.
| Daniela Brik/Efe | ||
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| O negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, para quem as colônias judaicas inviabilizam um Estado palestino |
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que se reuniu com os líderes israelense e palestino no sábado (31), pediu, em vão, que Abbas negocie com Israel e resolva a questão dos assentamentos como parte das conversas.
Erekat disse que Hillary --que elogiou uma oferta inédita de Netanyahu de restringir temporariamente a construção de 3.000 residências adicionais em colônias ilegais na Cisjordânia-- está apenas abrindo a porta para que mais assentamentos surjam, nos próximos dois anos.
A alternativa deixada aos palestinos é "repensar a solução de um único Estado onde muçulmanos, cristãos e judeus possam viver lado a lado", disse Erekat. "É muito sério. Este é o momento da verdade para nós".
Erekat disse que o conceito de Binyamin Netanyahu de um Estado palestino independente ao lado de Israel, com poderes limitados de soberania, e sua posição sem compromissos sobre o futuro de Jerusalém são equivalentes a ditar os termos da paz.
Netanyahu disse ao Abbas "que Jerusalém será a capital eterna e indivisível de Israel, que [a questão dos] refugiados palestinos não será discutida, que nosso Estado será desmilitarizado, que teremos que reconhecer o Estado judeu, que o espaço aéreo será de controle deles. Isto é ditado e não negociação", disse Erekat.
Netanyahu e Abbas se encontraram pela última vez em Nova York em setembro passado, em uma reunião mediada pelo presidente Barack Obama.
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