Derrota eleitoral serve de alerta a democratas, dizem analistas
STEVE HOLLAND
da Reuters, em Washington
O governo de Barack Obama, do Partido Democrata, procurou nesta quarta-feira minimizar as derrotas eleitorais sofridas nos Estados da Virgínia e Nova Jersey que analistas políticos dizem ter servido como alerta para os democratas em relação à votação de 2010.
Com medo da economia enfraquecida dos Estados Unidos, os americanos escolheram republicanos nas eleições para governador na Virgínia e Nova Jersey, nesta terça-feira (3), impondo a derrota aos candidatos democratas, apesar de Obama ter ido pessoalmente a esses Estados fazer campanha para eles.
| Gerald Herbert -26.out.09/AP |
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| Perdas nos Estados da Virgínia e Nova Jersey preocupam democratas antes das eleições para o Congresso em 2010 |
Em vez de tratar da disputa eleitoral em Nova Jersey e Virgínia, a Casa Branca procurou enfatizar a vitória democrata em uma disputa no Estado de Nova York por uma cadeira no Congresso, durante a qual ficaram evidentes as divisões no Partido Republicano.
Os republicanos, por sua vez, estavam empolgados, dizendo que estão se fortalecendo e esperando criar impulso para as eleições de renovação do Congresso em 2010, depois de terem amargado duras derrotas em 2006 e 2008. "O renascimento republicano começou", disse Michael Steele, presidente do Comitê Nacional Republicano.
O desdobramento eleitoral ocorre um ano depois de Obama ter conquistado uma retumbante vitória, tornando-se o primeiro negro a presidir os EUA, e em um momento no qual muitos americanos estão demonstrando impaciência pelo fato de a mudança prometida por ele ainda não ter dado frutos.
Analistas políticos disseram que a votação nos dois Estados deve acionar algum alarme para os democratas de olho nas eleições legislativas de novembro de 2010, quando os americanos elegerão os 435 membros da Câmara dos Deputados e renovarão um terço das cem cadeiras do Senado.
Normalmente, o partido no poder costuma perder cadeiras na primeira eleição legislativa após a posse de um novo presidente. Portanto, Obama terá agora o desafio de defender sua forte maioria no Congresso.
O especialista em política Norm Ornstein, do American Enterprise Institute, disse que a perda dos votos de eleitores independentes pelos democratas, na eleição de terça, poderia criar um "clima de medo" e complicar os esforços do partido para aprovar, ainda neste ano, uma ampla reforma no sistema de saúde do país.
Questionado sobre as implicações das derrotas, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que a eleição dos governadores se baseou "em questões locais que não envolveram o presidente", mas admitiu que as questões econômicas estiveram na mente dos eleitores. A taxa de desemprego no país alcançou 9,8% apesar de o governo ter aprovado um pacote de estímulo à economia no valor de US$ 787 bilhões.
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