Com passado de guerras, Alemanha é a maior economia na Europa
da Folha Online
Com o passado marcado pela destruição de duas guerras, as atrocidades do nazismo e 40 anos de divisão, a Alemanha parece ter superado os obstáculos de sua história e é hoje a maior economia da Europa, além de membro crucial na política e defesa do continente.
O país abriga ainda a maior população europeia depois da Rússia e a 16ª do mundo, um total de 82.329.758 segundo estimativas de julho de 2009.
Envolvida na Primeira Guerra (1914-1918), a Alemanha mal conseguiu se recuperar da devastação causada por bombas, balas e soldados antes de presenciar uma destruição ainda maior na Segunda Guerra (1939-1945). A derrota no último conflito deixou o país dividido entre os aliados --França, Reino Unido e Estados Unidos-- e a União Soviética.
Dividida entre duas repúblicas a partir de 1949 e por um Muro em toda Berlim a partir de 1961, a Alemanha tornou-se o símbolo máximo da decisão entre capitalismo e socialismo da Guerra Fria. Foi reunificada em 1990 e, desde então, tornou-se um dos eixos da União Europeia (UE). O país foi, em 1999, um dos precursores da introdução do euro na região.
| Arte/Folha Online | ||
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Origens
Com séculos de história marcada por tribos germânicas e almejada por vários impérios e povos, a Alemanha iniciou sua trajetória como república ainda durante a Primeira Guerra. Antes da guerra, o país tinha alcançado um grande desenvolvimento industrial e econômico, mas seu envolvimento no conflito, levado à exaustão pelo marechal Paul von Hindenburg e o general Erich Ludendorff, afundou o país em uma profunda crise econômica e social, que culmina com a derrubada da monarquia.
O confronto só se resolve com a entrada dos Estados Unidos, em 1917, e a derrota alemã. Com o fim da guerra, o último kaiser da Alemanha, Wilhelm 2º, abandona o trono em 1918, sem nenhum apoio popular.
O social-democrata Friedrich Ebert fica encarregado de montar o primeiro governo democrático, na recém-fundada República de Weimar (1919). Apesar dos problemas econômicos, Berlim, nessa época, era considerada a "capital cultural" da Europa.
Após governos marcados pela profunda insatisfação social, a pressão econômica e a renúncia de dois chanceleres, Ebert convida para assumir a liderança do país o nacionalista Hitler, que já tinha ficado em segundo lugar nas eleições presidenciais de 1932.
Nazismo
Hitler começa a implantar um sistema ditatorial, com a aniquilação de todos os grupos de oposição ao seu governo. Um incêndio no prédio do Reichstag (Parlamento) em fevereiro de 1933 dá ao chanceler uma oportunidade única: ao culpar os comunistas, Hitler consegue aprovar leis --ratificadas pelos membros da direita radical no governo-- que tiravam da população as liberdades fundamentais, cerceavam a imprensa e puseram fim aos sindicatos. Era o fim da República de Weimar e o início do 3º Reich.
Hitler constituiu, então, uma polícia que passou a ser temida: a SS (Schutzstaffel), que reprimia qualquer manifestação contrária ao regime, e perseguiu implacavelmente todos os que eram considerados de oposição, em especial membros e simpatizantes do partido social-democrata. Os presos --que chegaram a milhares na Alemanha-- iam para os campos de concentração.
A deflagração da Segunda Guerra Mundial aconteceu em 1939, quando Hitler ordenou, em 1º de setembro, a invasão da Polônia. Cumprindo um acordo de defesa do país, França e Reino Unido declaram guerra aos alemães.
Divisão
A guerra terminou quando a Alemanha foi invadida pelas forças aliadas --Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética-- em 1945. Com o advento da Guerra Fria, dois Estados alemães foram formados, em 1949: a República Federal da Alemanha (ocidental), e a República Democrática Alemã (oriental).
A Alemanha Ocidental sempre manteve uma postura mais liberal, engajando-se comercialmente com vários outros países, e recebendo ajuda econômica da comunidade internacional. Até a década de 70, o país passou pela reconstrução, tendo um rápido crescimento econômico.
A Alemanha Oriental, de caráter comunista, teve o apoio da União Soviética e apesar de ter sido mencionada como um "exemplo", pelo nível de vida dos seus cidadãos, a partir da década de 70 o regime começou a se deteriorar, já que o desenvolvimento econômico não deslanchava.
Com as dificuldades, vários alemães orientais passaram a fugir para o lado ocidental. Na tentativa de conter o êxodo, o governo ordenou em 1961 a construção da barreira que isolaria Berlim Oriental de Berlim Ocidental, e depois bloquearia a passagem entre as duas Alemanhas, dando origem ao Muro de Berlim.
A divisão das duas Alemanhas segue um processo de queda do sistema soviético em toda a Europa oriental. Por toda a década de 80, os protestos dentro da Alemanha oriental tornaram-se cada vez mais intensos e o regime já não conseguia conter a influência das ideias reformistas de Mikhail Gorbatchov.
Um mal-entendido provoca a queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989: o governo havia permitido que os alemães orientais entrassem com pedido de visto para viagens à Alemanha Ocidental, mas o porta-voz do partido comunista da época, Günter Schabowski, que estava de férias quando houve a promulgação da lei, lê apressadamente uma nota, em uma coletiva de imprensa, que dizia que os alemães poderiam cruzar a fronteira entre as duas Alemanhas sem qualquer permissão.
Milhares de pessoas foram imediatamente aos postos de comando do Muro, exigindo sua passagem, o que provocou sua queda. A reunificação das duas Alemanhas ocorreu em 1990.
Saiba mais sobre a Alemanha
Nome: República Federal da Alemanha
Forma de governo: república parlamentarista
Divisão: 16 Estados; 10 da Antiga República Federal da Alemanha e 5 da antiga República Democrática da Alemanha
Capital: Berlim
População: 82.329.758 (estimativa de julho de 2009)
Área: 357.022 km¦
Idioma: alemão (oficial), dialetos regionais
Moeda: marco e euro
Religião: protestantes (luteranos), católicos, minorias islâmicas
Posição no IDH: 22º [o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU mede o desenvolvimento do país com base na expectativa de vida, no nível educacional e na renda per capita. A Noruega lidera a lista, e o Brasil está na 75ª posição]
PIB (Produto Interno Bruto) US$ 2,918 trilhões (estimativa de 2008)
Renda per capita anual: US$ 35.400 (estimativa de 2008)
Com Enciclopedia Britannica e CIA World Factbook
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