Mundo
06/11/2009 - 09h28

Com passado de guerras, Alemanha é a maior economia na Europa

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da Folha Online

Com o passado marcado pela destruição de duas guerras, as atrocidades do nazismo e 40 anos de divisão, a Alemanha parece ter superado os obstáculos de sua história e é hoje a maior economia da Europa, além de membro crucial na política e defesa do continente.

O país abriga ainda a maior população europeia depois da Rússia e a 16ª do mundo, um total de 82.329.758 segundo estimativas de julho de 2009.

Envolvida na Primeira Guerra (1914-1918), a Alemanha mal conseguiu se recuperar da devastação causada por bombas, balas e soldados antes de presenciar uma destruição ainda maior na Segunda Guerra (1939-1945). A derrota no último conflito deixou o país dividido entre os aliados --França, Reino Unido e Estados Unidos-- e a União Soviética.

Dividida entre duas repúblicas a partir de 1949 e por um Muro em toda Berlim a partir de 1961, a Alemanha tornou-se o símbolo máximo da decisão entre capitalismo e socialismo da Guerra Fria. Foi reunificada em 1990 e, desde então, tornou-se um dos eixos da União Europeia (UE). O país foi, em 1999, um dos precursores da introdução do euro na região.

Arte/Folha Online

Origens

Com séculos de história marcada por tribos germânicas e almejada por vários impérios e povos, a Alemanha iniciou sua trajetória como república ainda durante a Primeira Guerra. Antes da guerra, o país tinha alcançado um grande desenvolvimento industrial e econômico, mas seu envolvimento no conflito, levado à exaustão pelo marechal Paul von Hindenburg e o general Erich Ludendorff, afundou o país em uma profunda crise econômica e social, que culmina com a derrubada da monarquia.

O confronto só se resolve com a entrada dos Estados Unidos, em 1917, e a derrota alemã. Com o fim da guerra, o último kaiser da Alemanha, Wilhelm 2º, abandona o trono em 1918, sem nenhum apoio popular.

O social-democrata Friedrich Ebert fica encarregado de montar o primeiro governo democrático, na recém-fundada República de Weimar (1919). Apesar dos problemas econômicos, Berlim, nessa época, era considerada a "capital cultural" da Europa.

Após governos marcados pela profunda insatisfação social, a pressão econômica e a renúncia de dois chanceleres, Ebert convida para assumir a liderança do país o nacionalista Hitler, que já tinha ficado em segundo lugar nas eleições presidenciais de 1932.

Nazismo

Hitler começa a implantar um sistema ditatorial, com a aniquilação de todos os grupos de oposição ao seu governo. Um incêndio no prédio do Reichstag (Parlamento) em fevereiro de 1933 dá ao chanceler uma oportunidade única: ao culpar os comunistas, Hitler consegue aprovar leis --ratificadas pelos membros da direita radical no governo-- que tiravam da população as liberdades fundamentais, cerceavam a imprensa e puseram fim aos sindicatos. Era o fim da República de Weimar e o início do 3º Reich.

Hitler constituiu, então, uma polícia que passou a ser temida: a SS (Schutzstaffel), que reprimia qualquer manifestação contrária ao regime, e perseguiu implacavelmente todos os que eram considerados de oposição, em especial membros e simpatizantes do partido social-democrata. Os presos --que chegaram a milhares na Alemanha-- iam para os campos de concentração.

A deflagração da Segunda Guerra Mundial aconteceu em 1939, quando Hitler ordenou, em 1º de setembro, a invasão da Polônia. Cumprindo um acordo de defesa do país, França e Reino Unido declaram guerra aos alemães.

Divisão

A guerra terminou quando a Alemanha foi invadida pelas forças aliadas --Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética-- em 1945. Com o advento da Guerra Fria, dois Estados alemães foram formados, em 1949: a República Federal da Alemanha (ocidental), e a República Democrática Alemã (oriental).

A Alemanha Ocidental sempre manteve uma postura mais liberal, engajando-se comercialmente com vários outros países, e recebendo ajuda econômica da comunidade internacional. Até a década de 70, o país passou pela reconstrução, tendo um rápido crescimento econômico.

A Alemanha Oriental, de caráter comunista, teve o apoio da União Soviética e apesar de ter sido mencionada como um "exemplo", pelo nível de vida dos seus cidadãos, a partir da década de 70 o regime começou a se deteriorar, já que o desenvolvimento econômico não deslanchava.

Com as dificuldades, vários alemães orientais passaram a fugir para o lado ocidental. Na tentativa de conter o êxodo, o governo ordenou em 1961 a construção da barreira que isolaria Berlim Oriental de Berlim Ocidental, e depois bloquearia a passagem entre as duas Alemanhas, dando origem ao Muro de Berlim.

A divisão das duas Alemanhas segue um processo de queda do sistema soviético em toda a Europa oriental. Por toda a década de 80, os protestos dentro da Alemanha oriental tornaram-se cada vez mais intensos e o regime já não conseguia conter a influência das ideias reformistas de Mikhail Gorbatchov.

Um mal-entendido provoca a queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989: o governo havia permitido que os alemães orientais entrassem com pedido de visto para viagens à Alemanha Ocidental, mas o porta-voz do partido comunista da época, Günter Schabowski, que estava de férias quando houve a promulgação da lei, lê apressadamente uma nota, em uma coletiva de imprensa, que dizia que os alemães poderiam cruzar a fronteira entre as duas Alemanhas sem qualquer permissão.

Milhares de pessoas foram imediatamente aos postos de comando do Muro, exigindo sua passagem, o que provocou sua queda. A reunificação das duas Alemanhas ocorreu em 1990.

Saiba mais sobre a Alemanha

Nome: República Federal da Alemanha

Forma de governo: república parlamentarista

Divisão: 16 Estados; 10 da Antiga República Federal da Alemanha e 5 da antiga República Democrática da Alemanha

Capital: Berlim

População: 82.329.758 (estimativa de julho de 2009)

Área: 357.022 km¦

Idioma: alemão (oficial), dialetos regionais

Moeda: marco e euro

Religião: protestantes (luteranos), católicos, minorias islâmicas

Posição no IDH: 22º [o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU mede o desenvolvimento do país com base na expectativa de vida, no nível educacional e na renda per capita. A Noruega lidera a lista, e o Brasil está na 75ª posição]

PIB (Produto Interno Bruto) US$ 2,918 trilhões (estimativa de 2008)

Renda per capita anual: US$ 35.400 (estimativa de 2008)

Com Enciclopedia Britannica e CIA World Factbook

Comentários dos leitores
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
"Os 192 Estados-membros da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) consagraram nesta quarta-feira o dia 18 de julho como Dia Internacional Nelson Mandela"
► Uma pessoa extraordinária. Parabéns!
5 opiniões
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Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
O Muro de Berlim foi brincadeira de criança comparado a outro muro que não separa mais o primeiro do segundo mundo pois este já não existe mais e sim o que separa o primeiro do terceiro. O Muro da fronteira do Estados Unidos com o México representa justamente isso: As classes abastadas devem estar seguras das que servem apenas como consumidoras nessa nova desordem mundial baseada no capital. Nessa fronteira se mata muito mais, as diferenças são muito maiores mas isso não importa não é mesmo? A democracia é um patrimônio que a humanidade não pode abrir mão nunca mais, mas não podemos também justificar com ela o extermínio através da fome e miséria que o mundo presencia causado pelo neo-liberalismo. 9 opiniões
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Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Foi bonita a festa de comemoração da queda do muro de Berlim e do fim do símbolo de um regime desumano e retrógrado. Será que o Chico vai cantar "Foi bonita a festa pá" rsrsrs. "A queda do muro --escreveu João Paulo 2°-- como a queda de perigosos simulacros e de uma ideologia opressiva, demonstraram que as liberdades fundamentais, que dão significado à vida humana, não podem ser reprimidas nem sufocadas por muito tempo".(Ou viva o neo-liberalismo) Santas palavras... ainda não aprendidas pelos muitos cabeças de bagre por aqui. 5 opiniões
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