Mundo
06/11/2009 - 09h31

Primeiro líder da Alemanha unida, Kohl foi acusado de doações ilegais

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da Folha Online

Helmut Kohl ficou conhecido na história alemã como um dos principais atores da reunificação da Alemanha e, em 1990, foi o primeiro a ocupar o cargo de chanceler do país pós-divisão. Chanceler por 16 anos (1982-1998), seu legado foi manchado por denúncias de doações ilegais de campanha e irregularidades em sua administração.

Nascido em 3 de abril de 1930, Kohl cresceu em uma família conservadora católica romana. Jovem em plena Segunda Guerra (1939-1945), ele chegou a fazer o treinamento militar, mas a guerra acabou antes de ser enviado ao campo de batalha.

Fabrizio Bensch15nov.07/Reuters
Helmut Kohl observa prêmio ganho por conquistas políticas
Helmut Kohl observa prêmio ganho por conquistas políticas

Como muitos dos nomes que liderariam a República Federal da Alemanha, Kohl começou cedo na política e aos 17 anos já trabalhava no movimento jovem da União Democrática Cristã (UDC). Ele se formou em Ciência Política na Universidade de Heidelberg, em 1958, e no ano seguinte foi eleito para o Parlamento estadual de Rhineland-Palatinate.

Dez anos depois, em 1969, já com a Alemanha dividida pelo Muro de Berlim, Kohl assumiu como primeiro-ministro do Estado com fama de administrador eficiente. No mesmo ano, tornou-se vice-presidente nacional do UDC para, em 1973, tornar-se presidente.

Kohl enfrentou a primeira votação nacional em 1976, como candidato a chanceler pela UDC e sua parceira bavária, União Social Cristã (USC). Ele perdeu, contudo, para o Partido Social Democrata (PSD), liderado então por Helmut Schmidt.

Em 1982, uma reviravolta na política alemã levou Kohl ao poder. Neste ano, muitos membros da aliada de coalizão liderada por Schmidt, o Partido Livre Democrático (PLD), desertaram --o que levou a uma moção no Parlamento da Alemanha Ocidental em 1º de outubro. Kohl ficou assim com a maioria absoluta necessária para assumir o posto vago.

O chanceler voltou às urnas em 1983, quando a coalizão de seu partido com a USC e o PLD ganhou a maioria de 58 cadeiras no Parlamento. Seu governo então seguiu políticas mais centristas, que incluíam cortes no gasto do governo e apoio à participação da Alemanha Ocidental na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O sucesso destas políticas, além de seu trabalho para tornar o país influente nos assuntos mundiais, foi medido pela vitória da coalizão nas urnas de 1987, embora com maioria reduzida de 45 cadeiras.

Alemanha unificada

Quando o regime soviético começou a ruir na década de 80, o que culminou em 1989 com a queda do Muro de Berlim, Kohl liderou os esforços pela reunificação com a Alemanha Oriental e fez forte campanha pelo UDC na primeira eleição livre do lado oriental.

Em março de 1990, Kohl concluiu um tratado com o lado oriental que unificou a economia e os sistemas sociais dos dois países e garantiu os alemães orientais um câmbio igualitário de sua moeda completamente desvalorizada. Kohl fez ainda extensiva campanha para obter o consentimento de seus aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e da União Soviética para a reunificação alemã, concluída em 3 de outubro de 1990.

Reuters-Mai.94
O chanceler alemão Helmut Kohl durante visita à catedral
O chanceler alemão Helmut Kohl durante visita à catedral

Em 2 de dezembro do mesmo ano, nas primeiras eleições da Alemanha reunificada, a coalizão liderada por Kohl parecia a escolha mais adequada e ganhou maioria de 134 cadeiras no Parlamento. Desta vez, contudo, o governo não foi tão tranqüilo já que a anexação da atrasada e empobrecida Alemanha Oriental provou-se mais difícil do que o esperado.

Derrota e escândalos

O descontentamento dos eleitores com a recessão severa de 1992 e 1993 foi refletida nas eleições parlamentares de 1994, que reduziram as cadeiras da coalizão governista a dez.

Quatro anos depois, a alta taxa de desemprego e a resistência dos eleitores a Kohl, que já estava há 16 anos no poder, levou o opositor PSD, liderado por Gerhardt Schröder, a derrubar a coalizão governista na votação de 1998.

Um ano depois de deixar o poder, Kohl foi envolvido em um escândalo sobre mais de US$ 1 milhão em contribuições secretas de campanha a ele, além de outras irregularidades financeiras em sua administração. Kohl recusou-se a citar os nomes envolvidos no escândalo e, com a reputação abalada, renunciou ao partido em janeiro de 2000.

Em fevereiro de 2001, concordou em pagar uma multa de 300 mil marcos em troca do fim da investigação criminal sobre seu papel nos escândalos de campanha.

Com Enciclopédia Britannica, Almanaque Abril

Comentários dos leitores
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
"Os 192 Estados-membros da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) consagraram nesta quarta-feira o dia 18 de julho como Dia Internacional Nelson Mandela"
► Uma pessoa extraordinária. Parabéns!
5 opiniões
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Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
O Muro de Berlim foi brincadeira de criança comparado a outro muro que não separa mais o primeiro do segundo mundo pois este já não existe mais e sim o que separa o primeiro do terceiro. O Muro da fronteira do Estados Unidos com o México representa justamente isso: As classes abastadas devem estar seguras das que servem apenas como consumidoras nessa nova desordem mundial baseada no capital. Nessa fronteira se mata muito mais, as diferenças são muito maiores mas isso não importa não é mesmo? A democracia é um patrimônio que a humanidade não pode abrir mão nunca mais, mas não podemos também justificar com ela o extermínio através da fome e miséria que o mundo presencia causado pelo neo-liberalismo. 9 opiniões
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Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Foi bonita a festa de comemoração da queda do muro de Berlim e do fim do símbolo de um regime desumano e retrógrado. Será que o Chico vai cantar "Foi bonita a festa pá" rsrsrs. "A queda do muro --escreveu João Paulo 2°-- como a queda de perigosos simulacros e de uma ideologia opressiva, demonstraram que as liberdades fundamentais, que dão significado à vida humana, não podem ser reprimidas nem sufocadas por muito tempo".(Ou viva o neo-liberalismo) Santas palavras... ainda não aprendidas pelos muitos cabeças de bagre por aqui. 5 opiniões
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