Mundo
06/11/2009 - 09h33

Último líder alemão comunista, Egon Krenz foi preso por mortes no Muro

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da Folha Online

Egon Krenz assumiu o governo da República Democrática da Alemanha em outubro de 1989 para tentar reverter a vergonhosa fuga em massa dos alemães orientais pelas fronteiras dos países vizinhos e o colapso do sistema soviético. O líder comunista, contudo, não conseguiu evitar a queda do Muro de Berlim em 9 de novembro do mesmo ano e acabou condenado e preso, anos mais tarde, pelo assassinato dos alemães que tentavam fugir pelo Muro.

Krenz foi condenado em 1997 a seis anos e meio de prisão por um tribunal de Berlim por defender em seu breve governo uma política de "atirar para matar" contra quem tentasse fugir do país, principalmente pelo Muro de Berlim. Embora não existem dados somente sobre seu governo, a Procuradoria Geral da República tem registrados 270 casos de morte de pessoas no Muro de Berlim.

Hans Edinger/AP
O ex-dirigente da Alemanha Oriental Egon Krenz
O ex-dirigente da Alemanha Oriental Egon Krenz

O ex-líder comunista, contudo, só foi preso em janeiro de 2000, quando se entregou após ter sua apelação negada pela Corte Constitucional da Alemanha. "Eu estou iniciando minha sentença não como criminoso, mas como vítima de perseguição política", disse aos jornalistas presentes, ao entrar na prisão Hakenfelde de Berlim.

Apesar de perder a apelação na Corte de Direitos Humanos Europeia, Krenz foi libertado antecipadamente, em 2003, sob críticas dos defensores de direitos humanos.

Em entrevista ao jornal britânico "Times" em outubro deste ano, Krenz nega a política de "atirar para matar" e diz que deveria ser visto como uma vítima e não um pária da história alemã já que fez sua parte para garantir uma transição suave da Alemanha Oriental para a Alemanha reunificada em 1990.

"Eu disse explicitamente às pessoas da igreja que não haveria uso da força contra os manifestantes enquanto eles não atacassem a polícia", disse ao jornal. "O que mais me orgulho é de que nenhuma gota de sangue foi derramada", completou.

Origens

Krenz nasceu em 19 de março de 1937, na cidade de Kolberg, hoje parte da Polônia. Ele entrou para o Partido Socialista Unitário (PSU), a legenda que comandou a República Democrática da Alemanha, em 1955.

A partir de então, iniciou uma carreira de ascensão e ocupou inúmeros cargos tanto no PSU quanto no governo comunista. Entre 1971 e 1990, ocupou uma cadeira no Parlamento da Câmara do Povo, o Parlamento alemão oriental. Em 1973, tornou-se membro do Comitê Central do partido comunista e em 1983 juntou-se ao politburo e tornou-se secretário do Comitê Central.

Um ano depois, chegou a vice do presidente do Conselho de Estado, Erich Honecker.

Em 1989, diante do colapso do regime soviético e da onda de democratização que varreu o leste europeu, Honecker foi obrigado a renunciar em uma tentativa de manter a república de pé. Em 18 de outubro de 1989, por sugestão do próprio Honecker, Krenz foi eleito como novo secretário-geral do Comitê Central do PSU e, pouco depois, como presidente do Conselho de Estado e de Defesa Nacional.

Na mesma noite, Krenz foi à televisão com promessas de reformas democráticas no regime socialista. Sua primeira medida foi aprovar a renúncia do premiê Willi Stoph e de todo seu gabinete, junto a dois terços do politburo. A queda do regime soviético e a influência das ideias reformistas, contudo, pareciam fora de seu controle.

Queda do Muro

Sem poder conter a fuga em massa, Krenz decidiu permitir a saída dos alemães pelas fronteiras da Hungria, Tchecoslováquia e Polônia.

O novo chanceler decidiu ainda ceder a passagem de alemães pelo Muro de Berlim, embora a medida tenha sido antecipada pelo anúncio errôneo do porta-voz do partido Günter Schabowski. Em 9 de novembro, a queda repentina do Muro de Berlim culminou com o colapso político do PSU.

Poucos dias depois, em 18 de novembro, Krenz empossou o novo governo de coalizão. Já nos primeiros dias de dezembro, todo o Comitê Central do PSU renunciou em meio aos gestos de reunificação. Em 7 de dezembro, sem apoio ou saída, Krenz renunciou ao cargo.

Em 1990, em uma tentativa de melhorar sua imagem, o sucessor do PSU, o Partido Socialista Democrático expulsou Krenz do partido.

Defesa

Após deixar a prisão, Krenz foi viver em Dierhagen, onde permaneceu sob liberdade condicional até o fim de sua sentença, em 2006;

Ao contrário de outros ex-líderes do regime comunista alemão, Krenz continua a defender a República Democrática da Alemanha e diz que não mudou sua posição política.

Com Enciclopedia Britannica, Enciclopedia Columbia e Almanaque Abril

Comentários dos leitores
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
"Os 192 Estados-membros da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) consagraram nesta quarta-feira o dia 18 de julho como Dia Internacional Nelson Mandela"
► Uma pessoa extraordinária. Parabéns!
5 opiniões
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Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
O Muro de Berlim foi brincadeira de criança comparado a outro muro que não separa mais o primeiro do segundo mundo pois este já não existe mais e sim o que separa o primeiro do terceiro. O Muro da fronteira do Estados Unidos com o México representa justamente isso: As classes abastadas devem estar seguras das que servem apenas como consumidoras nessa nova desordem mundial baseada no capital. Nessa fronteira se mata muito mais, as diferenças são muito maiores mas isso não importa não é mesmo? A democracia é um patrimônio que a humanidade não pode abrir mão nunca mais, mas não podemos também justificar com ela o extermínio através da fome e miséria que o mundo presencia causado pelo neo-liberalismo. 9 opiniões
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Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Foi bonita a festa de comemoração da queda do muro de Berlim e do fim do símbolo de um regime desumano e retrógrado. Será que o Chico vai cantar "Foi bonita a festa pá" rsrsrs. "A queda do muro --escreveu João Paulo 2°-- como a queda de perigosos simulacros e de uma ideologia opressiva, demonstraram que as liberdades fundamentais, que dão significado à vida humana, não podem ser reprimidas nem sufocadas por muito tempo".(Ou viva o neo-liberalismo) Santas palavras... ainda não aprendidas pelos muitos cabeças de bagre por aqui. 5 opiniões
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