Líder da Alemanha Oriental, Honecker viu auge e declínio do regime
da Folha Online
O comunista Erich Honecker passou 18 anos como líder da República Democrática da Alemanha e, no governo, viu o auge e o declínio do regime comunista. Ator fundamental da aproximação com a Alemanha Ocidental, ele injetou o país com dinheiro e conquistou o reconhecimento internacional, mas renunciou, forçado, um mês antes da Queda do Muro de Berlim.
Nascido em 25 de agosto de 1912, em Neunkirchen, na Alemanha, Honecker era filho de um mineiro que foi oficial do Partido Comunista. Ele iniciou cedo a vida no partido e com apenas 14 anos tornou-se membro do Movimento Jovem Comunista. Três anos depois, em 1929, tornou-se membro oficial do partido.
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| O ex-dirigente da Alemanha Oriental Erich Honecker em foto de arquivo de 1975 |
Quando os nazistas assumiram o controle do país, em 1933, sob o comando de Adolph Hitler, ele manteve a campanha comunista ao organizar atividades ilegais com jovens em várias partes da Alemanha. Honecker chegou a ser preso em 1935 pela Gestapo e sentenciado a dez anos de trabalho forçado por "planos de traição" ao se negar a rejeitar as crenças comunistas.
Em 1945, com o fim da Segunda Guerra, Honecker foi libertado pelo Exército Vermelho dos soviéticos. Com o fim da guerra, a Alemanha foi dividida entre os aliados, França, Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética. Honecker ganhou destaque então no grupo de comunistas alemães que se refugiaram na União Soviética e que foram escalados para governar a porção comunista do país dividido.
Em 1946, aos 34 anos, foi um dos fundadores do Movimento da Juventude Livre da Alemanha (Freie Deutsche Jugend) e seu diretor até 1955. No mesmo ano, foi eleito membro do Comitê Central do Partido Comunista e foi um dos principais atores da fusão dos partidos comunista e socialista na Alemanha Oriental --que resultou no Partido Socialista Unitário (PSU).
Em 1950, Honecker casou-se com Edith Baumann, com quem teve uma filha, Erika. Três anos depois, divorciado, casou-se com Margot Feist com quem teve uma filha, Sonja, nascida em 1952.
Muro de Berlim
Em 1961, Honecker recebeu a tarefa de organizar a construção do Muro de Berlim, uma barreira que chegou a ter 120 km de extensão e que visava a evitar a fuga em massa dos alemães (estimativas históricas indicam que cerca de 3 milhões de pessoas deixaram a República Democrática da Alemanha desde sua criação, em 1949).
| Gaby Sommer06out.89/Reuters |
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| Em 1989, pouco antes da queda do Muro, Honecker (dir.) recebe o presidente da União Soviética Mikhail Gorbatchov para festa |
Com a construção bem sucedida, ele cresceu rapidamente dentro do PSU e, em 1971, foi eleito presidente do partido e como tal, líder da Alemanha comunista. Sua mulher, Margot, assumiu ministra de Educação.
Sob o governo de Honecker, a Alemanha Oriental foi um dos governos mais repressivos, mas também mais prósperos do bloco soviético da Europa.
Boa parte deste crescimento foi resultado da aproximação com a vizinha República Federativa da Alemanha, do chanceler Willy Brandt. A aproximação, que ficou conhecida como Ostpolitik, levou à assinatura do Tratado Básico que regularizou, em 1972, as relações entre das duas repúblicas com o reconhecimento recíproco da autoridade e independência.
A reaproximação incluiu ainda o aumento do comércio entre os dois lados, que beneficiou principalmente a "atrasada" e mais empobrecida Alemanha Oriental. Houve ainda um aumento na integração com um maior número de vistos de viagem aprovados pela RDA em troca de polpudos empréstimos dos bancos do lado ocidental.
Em 1987, Honecker visitou, com honras de Estado, o então chanceler da RFA, Helmut Kohl --ato considerado símbolo maior da reaproximação.
Queda
A estabilidade e prosperidade trazida por Honecker escondia, contudo, a crise de todo o sistema soviético. Membro da velha guarda do PSU, Honecker temia as ideais de reformas liberais do presidente Mikhail Gorbachev na União Soviética e chegou a proibir a circulação pela RDA das publicações "subversivas" soviéticas em 1988.
Diante da nova fuga em massa de alemães pela fronteira recém-aberta entre Hungria (que tinha um novo governo reformista) e a Áustria, e das manifestações cada vez maiores e frequentes dentro do território alemão, o PSU destituiu o inflexível e já velho Honecker em outubro de 1989. Com os protestos pró-democracia, Honecker chegou a ser acusado de abuso de poder.
O partido apostou em outro comunista linha-dura, Egon Krenz, para conter a queda do regime. A medida não trouxe efeitos e, um mês depois, o Muro de Berlim caía e, com ele, o regime comunista alemão.
Em 1993, doente, Honecker foi liberado pelas autoridades da Alemanha reunificada e teve permissão para ir ao Chile, onde morreu em 29 de maio do ano seguinte.
Com Enciclopédia Britannica e Enciclopédia Columbia
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