Mundo
07/11/2009 - 07h27

Queda do Muro de Berlim foi precipitada por porta-voz mal informado

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da Folha Online

Os alemães lembram na próxima segunda-feira (9) os 20 anos da Queda do Muro de Berlim, uma cena simbólica da história alemã que guarda um capítulo curioso. Embora fosse iminente, a derrubada do Muro foi precipitada pelo equívoco do porta-voz do partido comunista, Gunter Schabowski, que mal chegou de viagem e foi encarregado de anunciar novas medidas sobre concessão de vistos para atravessar o Muro.

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O Muro foi construído em 1961 para conter a fuga de alemães orientais e dividiu Berlim entre a capitalista República Federativa da Alemanha (RFA) e a socialista República Democrática da Alemanha (RDA). A barreira, que chegou a ter 120 km de extensão, foi ainda o maior símbolo da divisão imposta pela Guerra Fria.

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Günter Schabowski antecipou a queda do Muro de Berlim em entrevista a jornalistas
Günter Schabowski antecipou a queda do Muro de Berlim em entrevista a jornalistas

Embora a RDA já mostrasse sinais de enfraquecimento, assim como todo o mundo socialista, o governo do Partido Socialista Unitário (PSU) não estava preparado para a comoção causada pelo anúncio de Schabowski na noite de 9 de novembro de 1989 de que a limitação imposta pelo Muro caíra "imediatamente".

Veja os últimos momentos do Muro que dividiu Berlim e o mundo

A reunião

Diante da fuga em massa pelas fronteiras vizinhas recém-abertas e milhares de refugiados alemães nas embaixadas, o governo dá ao Conselho de Ministros a missão de desenhar uma regulação de viagens o mais rápido possível. A ideia é conceder visto permanente para a Alemanha Ocidental, mas apenas após a aprovação do pedido.

As visitas comuns, também submetidas a uma aprovação e com a documentação correta, serão permitidas por até 30 dias por ano. Tudo diante do prospecto de que apenas 4 milhões de alemães orientais tinham passaporte --documento essencial para o visto-- e que qualquer pedido demoraria ao menos quatro semanas para ser avaliado.

Na noite de 9 de novembro, o politburo e o Comitê Central aprovam a regulamentação. O então líder comunista, Egon Krenz, entrega os documentos para Schabowski, que deve anunciá-la ao público em entrevista a jornalistas marcadas para às 18h.

A entrevista

Na entrevista a jornalistas, transmitida ao vivo pela TV estatal da RDA, Schabowski lê em voz alta o documento para os jornalistas. De férias, ele não estava presente na reunião do conselho e nem quando Krenz leu o documento para o Comitê Central.

"Quando vai entrar em vigor?", pergunta um jornalista. Com olhar perdido, Schabowski diz que o prazo não havia sido discutido com ele.

Vejo o vídeo, em alemão, no Youtube

Ele então coça a cabeça e folheia o documento, que diz que o press release não deve ser divulgado até o dia seguinte. Ele então observa as palavras "sem atraso" e "imediatamente" no começo do documento. Sua resposta é curta: "Imediatamente, sem atraso".

Poucos minutos depois, às 19h01, a entrevista acaba.

Manchete

O anúncio de Schabowski vira a principal história dos noticiários do horário nobre. Sem muitos detalhes, a imprensa do Ocidente preenche as lacunas com interpretação própria. Às 19h15, a manchete da agência Associated Press é "RDA abre as fronteiras".

O governo está em um beco sem saída. Anunciada na televisão, a notícia da abertura da fronteira deixa a cidade em euforia. Depois de 28 anos, os alemães orientais saem de casa rumo ao outro lado de Berlim --muitos ansiosos para rever parte da família separada pela barreira.

A declaração de Schabowski coloca o governo num beco sem saída.

Marcha ao Muro

As ruas lotam. As pessoas chegam a pé ou a bordo dos Trabants, os carros de produção local. Começam a se formar filas de carros para atravessar a fronteira, que chegam a mais de 100 quilômetros. Estimativas indicam que até 1 milhão de pessoas se aglomeram no lado oriental da fronteira.

Aproximadamente às 22h, diante da multidão e sem nenhuma orientação oficial sobre como reagir, os guardas que chegaram a matar quase 200 pessoas que tentaram fugir pelo Muro são obrigados a ceder e simplesmente abrir os portões. Primeiro, abrem o portão de Bornholmer Strasse, no subúrbio, e depois o portão central de Brandemburgo.

Barbara Klemm-10nov.89/Divulgação
No dia seguinte ao anúncio, milhares de alemães passavam pelo Muro de Berlim, já dominado pelos cidadãos
No dia seguinte ao anúncio, milhares de alemães passavam pelo Muro de Berlim, já dominado pelos cidadãos

Picaretas

As pessoas sobem e dançam em cima do Muro. Com picaretas ou que estivesse às mãos, os alemães começam a destruir o Muro e muitos guardam pedaços como recordação de um momento que já se sabia histórico.

Trabalho longo

A barreira, contudo, só seria efetivamente destruída em 13 de junho do ano seguinte, quando o governo escala 300 soldados para o trabalho que leva seis meses. Alguns pedaços, contudo, são mantidos e hoje fazem parte do patrimônio histórico de Berlim.

Prisão e perdão

Com o Muro já derrubado, em 1997, Schabowski foi julgado e condenado junto a outras figuras do antigo regime socialista alemão. Por sua renúncia pública ao legado da antiga Alemanha socialista, teve a pena reduzida para apenas três anos de prisão. Depois de um ano na prisão, recebeu o perdão do então prefeito de Berlim, Eberhard Diepgen.

Em 2004, voltou à política ao ajudar a campanha da União Democrata-Cristã (CDU), o que levou a críticas de ex-aliados. Ele é grande opositor da coalizão A Esquerda, partido considerado herdeiro do antigo Partido Socialista Unitário, que governou a Alemanha soviética.

Comentários dos leitores
Roger Destefano (2) 09/11/2009 14h00
Roger Destefano (2) 09/11/2009 14h00
Concordo que o muro sempre foi uma grande ofensa a civilização, e que deveria ter caido muito antes. Agora pergunto, não são as mesmas nações que tanto criticaram o muro que hoje apoiam o também muro que esta sendo construido por Israel. Será que essas nações não são contra ou a favor, de acordo com interesses próprios, e que se lixe os outros. Vamos ver as coisas nas entre linhas. Outra pergunta, porque a imprensa não divulga com tanta enfase o muro de Israel como sempre falou no muro de Berlim. As nações citadas o titulo de hipócritas, à impresa fantoches. sem opinião
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gerigeo nogueira (2) 04/06/2009 16h26
gerigeo nogueira (2) 04/06/2009 16h26
A China vem se tornando um gigante capitalista, e pode tornar um império bem pior para o mundo, em função dessa postura política ditatorial, que aliás não tem nada de comunista. Penso que o melhor caminho é continuarmos insistindo em outro mundo possível, fundamentar ainda mais o que já vem sendo debatido pelo Fórum Social Mundial, talvez esteja ai o norte ideal para a humanidade. 7 opiniões
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Ricardo Perim (80) 04/06/2009 15h38
Ricardo Perim (80) 04/06/2009 15h38
É realmente triste que um País como a China ainda mantenha esse sistema politico até hoje.... Digo isso principalmente pelo povo trabalhador e inteligente que eles são.... Não discuto a questão de produtos acabados e sua qualidade..... Mas sim a questão humana que é mais relevante e importante. O povo não merece conviver com tanta humilhação e escravidão... Esse sistema já demonstrou em outros países que não tem mais condições de continuar.... 4 opiniões
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Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
"Os 192 Estados-membros da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) consagraram nesta quarta-feira o dia 18 de julho como Dia Internacional Nelson Mandela"
► Uma pessoa extraordinária. Parabéns!
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Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
O Muro de Berlim foi brincadeira de criança comparado a outro muro que não separa mais o primeiro do segundo mundo pois este já não existe mais e sim o que separa o primeiro do terceiro. O Muro da fronteira do Estados Unidos com o México representa justamente isso: As classes abastadas devem estar seguras das que servem apenas como consumidoras nessa nova desordem mundial baseada no capital. Nessa fronteira se mata muito mais, as diferenças são muito maiores mas isso não importa não é mesmo? A democracia é um patrimônio que a humanidade não pode abrir mão nunca mais, mas não podemos também justificar com ela o extermínio através da fome e miséria que o mundo presencia causado pelo neo-liberalismo. 9 opiniões
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Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Foi bonita a festa de comemoração da queda do muro de Berlim e do fim do símbolo de um regime desumano e retrógrado. Será que o Chico vai cantar "Foi bonita a festa pá" rsrsrs. "A queda do muro --escreveu João Paulo 2°-- como a queda de perigosos simulacros e de uma ideologia opressiva, demonstraram que as liberdades fundamentais, que dão significado à vida humana, não podem ser reprimidas nem sufocadas por muito tempo".(Ou viva o neo-liberalismo) Santas palavras... ainda não aprendidas pelos muitos cabeças de bagre por aqui. 5 opiniões
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