Micheletti exclui rivais de coalizão; Zelaya diz que acordo "está morto"
da Folha Online
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta sexta-feira que a versão do Acordo de San José assinado por ambas as partes para encerrar a crise política que atinge há mais de quatro meses o país fracassou depois que o interino Roberto Micheletti anunciou um governo de coalizão apenas com seus próprios ministros.
"O acordo está morto", disse Zelaya à simpatizante Radio Globo da embaixada do Brasil, onde está refugiado desde que voltou clandestinamente ao país, em 21 de setembro passado.
| Edgard Garrido5nov.09/Reuters |
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| Manuel Zelaya decretou fracasso do acordo em Honduras |
Assinado na semana passada com a pressão de diplomatas americanos, o acordo estabelecia prazo à meia-noite desta quinta-feira (4h de sexta-feira em Brasília) para instalar um governo de coalizão com os apoiadores de Zelaya e Micheletti.
Micheletti anunciou pouco antes do prazo a formação de um "Governo de Unidade e Reconciliação" que não tem qualquer representante do presidente deposto.
Segundo o presidente interino, o governo nomeado não conta com nenhum representante de Zelaya porque este não mandou nenhuma proposta com nomes para os cargos. Micheletti ressaltou ainda que "está comprometido com seguir ao pé da letra as exigências e requisitos do acordo".
"A formação do Governo de Unidade é representativa do amplo espectro ideológico e político" de Honduras e "cumpre estritamente com o que diz o acordo", que em nenhum ponto estabelece que seja o presidente interino que nomeie o Gabinete de Unidade.
O governo de Zelaya declarou "fracassado" o acordo "pelo descumprimento do regime interino do compromisso que nesta data deveria ter organizado e instalado o governo de Unidade e Reconciliação Nacional, o que, por lei, deve ser presidido pelo presidente eleito pelo povo de Honduras, José Manuel Zelaya".
"Nosso trabalho, nosso esforço, se vê hoje boicotado precisamente com as aspirações do senhor Micheletti ao querer presidir ele o Governo de Unidade e de Reconciliação", afirmou Zelaya posteriormente em declarações a Rádio Globo.
"Me parece que isto não estava dentro do conceito do acordo e nem o espírito nem o conteúdo do acordo rezam essa pretensão que a considero totalmente absurda de uma pessoa que não foi reconhecida por nenhum governo", acrescentou.
O líder deposto fez ainda uma chamada aos países da OEA (Organização dos Estados Americanos) "a que se pronunciem sobre o que acontece com o governo legitimamente eleito pelo povo hondurenho e continuem condenando e desconhecimento deste regime interino".
"Agora faremos um exame completo da situação para determinar uma conduta que leve a impedir que o povo de Honduras seja frustrado com eleições fraudulentas", anunciou Reina.
Governo de coalizão
| Oswaldo Rivas-29out.09/Reuters |
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| Micheletti faz governo de união sem ministros de Zelaya |
Micheletti apareceu rodeado dos membros do novo gabinete, entre os que figuram alguns dos ministros nomeados após o golpe de Estado contra Zelaya, em 28 de junho, embora não apresentasse por nome ou cargo, a nenhum dos membros do autodenominado governo de Unidade.
Segundo Micheletti, este Executivo "gozou da mais ampla participação e aprovação dos diferentes setores da sociedade civil e os partidos políticos".
O presidente interino lembrou que no começo da semana solicitou aos principais partidos políticos do país, aos candidatos presidenciais, a membros da sociedade civil e a Manuel Zelaya, "uma lista de pessoas que poderiam ocupar cargos neste novo governo".
A exceção de Zelaya, acrescentou, os demais setores "apresentaram suas recomendações", as que considerou "cuidadosamente para selecionar aos hondurenhos e hondurenhas que liderarão as instituições" do país como parte do novo governo.
Disse que apesar de Zelaya não ter enviado a lista, mantêm "aberta a vontade para que outros hondurenhos possam integrar o governo".
Antes do comparecimento de Micheletti, o ministro da Presidência, Rafael Pineda, disse que esperavam receber as propostas do presidente deposto "antes da meia-noite de quinta-feira (04h de hoje de Brasília)".
Com agências internacionais
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