Mundo
06/11/2009 - 10h45

Acordo em Honduras trava e coloca eleição presidencial em risco

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da Reuters, em Tegucigalpa (Honduras)
da Folha Online

Exatamente uma semana após a assinatura do Acordo de San José por ambas as partes da crise em Honduras, a saída para o impasse político parece novamente distante. O presidente deposto Manuel Zelaya decretou o fracasso do acordo, após o anúncio do interino Roberto Micheletti de um governo de coalizão sem nenhum de seus ministros, e alertou que não vai reconhecer a eleição presidencial de 29 de novembro.

Micheletti exclui rivais de coalizão; Zelaya diz que acordo "está morto"
Porta-voz de Zelaya diz que acordo fracassou por culpa de Micheletti
Micheletti organiza governo de coalizão sem ministros de Zelaya

A menos que ambos os lados decidam por um acordo efetivo nos próximos dias, é provável que as eleições de 29 de novembro acabem sem validade ou reconhecimento internacional.

Reuters
Acordo entre Manuel Zelaya (esq.) e Roberto Micheletti (dir.) tarvou novamente e coloca em risco as eleições de 29 de novembro
Acordo entre Manuel Zelaya (esq.) e Roberto Micheletti (dir.) travou novamente e coloca em risco as eleições de 29 de novembro

Zelaya já pediu aos hondurenhos que boicotem o voto e a abstenção é uma das principais preocupações do governo interino, já que pode invalidar constitucionalmente o pleito.

No pior cenário, o dia das eleições pode ser manchado por distúrbios e violência com a tomada das ruas pelos apoiadores e ri vais de Zelaya e com a repressão das forças de segurança que não hesitaram, até agora, em utilizar todos os meios para evitar protestos.

O candidato presidencial da oposição, Porfirio "Pepe" Lobo, lidera as pesquisas de opinião, mas quem quer que seja o vencedor pode acabar em um país isolado diplomaticamente.

A comunidade internacional, a OEA (Organização dos Estados Americanos), a União Europeia, o Brasil e, ao menos oficialmente, os Estados Unidos, disseram não reconhecer o resultado das eleições se Zelaya não for restituído antes.

Não devem ainda derrubar as sanções e o congelamento das ajudas ao país, que, um dos mais pobres da região, depende muito da ajuda de programas sociais e do comércio com os americanos. Fica a questão de como o novo presidente eleito assumirá, em janeiro de 2010, um país com grande parte de seu orçamento congelado.

Acordo

Zelaya afirmou, nesta sexta-feira, que a versão do Acordo de San José assinado por ambas as partes fracassou depois que Micheletti anunciou um governo de coalizão apenas com seus próprios ministros.

"O acordo está morto", disse Zelaya à simpatizante Radio Globo da embaixada do Brasil, onde está refugiado desde que voltou clandestinamente ao país, em 21 de setembro passado.

Assinado na semana passada com a pressão de diplomatas americanos, o acordo estabelecia prazo à meia-noite desta quinta-feira (4h de sexta-feira em Brasília) para instalar um governo de coalizão com os apoiadores de Zelaya e Micheletti.

Micheletti anunciou pouco antes do prazo a formação de um "Governo de Unidade e Reconciliação" que não tem qualquer representante do presidente deposto.

Segundo o presidente interino, o governo nomeado não conta com nenhum representante de Zelaya porque este não mandou nenhuma proposta com nomes para os cargos. Micheletti ressaltou ainda que "está comprometido com seguir ao pé da letra as exigências e requisitos do acordo".

"A formação do Governo de Unidade é representativa do amplo espectro ideológico e político" de Honduras e "cumpre estritamente com o que diz o acordo", que em nenhum ponto estabelece que seja o presidente interino que nomeie o Gabinete de Unidade.

O governo de Zelaya declarou "fracassado" o acordo "pelo descumprimento do regime interino do compromisso que nesta data deveria ter organizado e instalado o governo de Unidade e Reconciliação Nacional, o que, por lei, deve ser presidido pelo presidente eleito pelo povo de Honduras, José Manuel Zelaya".

O líder deposto fez ainda uma chamada aos países da OEA (Organização dos Estados Americanos) 'a que se pronunciem sobre o que acontece com o governo legitimamente eleito pelo povo hondurenho e continuem condenando e desconhecimento deste regime interino'.

"Agora faremos um exame completo da situação para determinar uma conduta que leve a impedir que o povo de Honduras seja frustrado com eleições fraudulentas", anunciou Jorge Reina, representante do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na Comissão de Verificação do Acordo Tegucigalpa-San José.

Comentários dos leitores
eduardo de souza (542) 24/12/2009 14h41
eduardo de souza (542) 24/12/2009 14h41
Santos Júnior, estou pensando em montar um "partido"... Topas ser o extrategista de "propaganda", :0)... Depois te pago em do'lar,.,.rsrs ou em ou'ro... :0)... Pensa no assunto tá! Sei que gosta de imaginar, rsss. sem opinião
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Santos Júnior (354) 24/12/2009 01h38
Santos Júnior (354) 24/12/2009 01h38
A manobra do Foro de São Paulo é bem manjada:o ponto fundamental é ludibriar a massa falando-lhes no mesmo linguajar, "subir o morro", dizer que sempre apanharam na cara todos esses anos, que tudo ia muito mal até os "democratas" assumirem o trono eterno rs.Manter aceso o conflitos de classes é sempre interessante!.Criar um eterno inimigo do povo é o ideal rs.O povo não precisa de educação, basta fingir empregar as chamadas "políticas sociais", como uma migalha no fim do mês para fazer os menos exigentes, por certo maioria, felizes rs .Não interessa pra nenhum governo "populista" a qualificação da mão-de-obra, isto gera questionamentos; é mais fácil manter o trabalhador nas rédeas curtas, sustentando-o com a esmola no fim do mês e sustentando ao mesmo tempo a sua eterna insignificância.Em cima desta insignificância é gerada a sua limitação intelectual; consequentemente não há questionamentos.Monta-se então a pseudo-democracia.Se tudo ocorrer bem até aqui o triunfo certamente virá: cria-se uma poderosa classe social ociosa, viciada, e portanto, com mais sede de "política social".O segredo é sempre matar esta sede.Se isso for possível, terá o governo "populista" um grupo fiel, como a fidelidade que existe entre um viciado em heroína e a heroína rs.Contra esta "política" devastadora não há o que ser feito.Foi de forma semelhante que a Alemanha Nazista se tornou uma gigante e quase arrastou o mundo sozinha.Por sorte ainda existe gente esclarecida! 1 opinião
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Fabrizio Wrolli (228) 23/12/2009 23h24
Fabrizio Wrolli (228) 23/12/2009 23h24
Venezuela, Irã, Bolívia... por que estas tremendas ditaduras não se espelham nas democraticíssimas eleições organizadas pelos Eua no Iraque? Lá sim que teve eleições limpas, transparentes e honestas. Afinal, os donos da democracia, os EUA, não deixariam jamais que elas fossem manipuladas. Está em jogo a integridade do tio Sam, ora!
Ou então, por que não fazer como na aliada e democraticíssima Arabia Saudita onde o povo nem sabe o que vem a ser democracia? Rsrsrsrsrsrsrs
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