Acordo em Honduras trava e coloca eleição presidencial em risco
da Reuters, em Tegucigalpa (Honduras)
da Folha Online
Exatamente uma semana após a assinatura do Acordo de San José por ambas as partes da crise em Honduras, a saída para o impasse político parece novamente distante. O presidente deposto Manuel Zelaya decretou o fracasso do acordo, após o anúncio do interino Roberto Micheletti de um governo de coalizão sem nenhum de seus ministros, e alertou que não vai reconhecer a eleição presidencial de 29 de novembro.
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Micheletti organiza governo de coalizão sem ministros de Zelaya
A menos que ambos os lados decidam por um acordo efetivo nos próximos dias, é provável que as eleições de 29 de novembro acabem sem validade ou reconhecimento internacional.
| Reuters |
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| Acordo entre Manuel Zelaya (esq.) e Roberto Micheletti (dir.) travou novamente e coloca em risco as eleições de 29 de novembro |
Zelaya já pediu aos hondurenhos que boicotem o voto e a abstenção é uma das principais preocupações do governo interino, já que pode invalidar constitucionalmente o pleito.
No pior cenário, o dia das eleições pode ser manchado por distúrbios e violência com a tomada das ruas pelos apoiadores e ri vais de Zelaya e com a repressão das forças de segurança que não hesitaram, até agora, em utilizar todos os meios para evitar protestos.
O candidato presidencial da oposição, Porfirio "Pepe" Lobo, lidera as pesquisas de opinião, mas quem quer que seja o vencedor pode acabar em um país isolado diplomaticamente.
A comunidade internacional, a OEA (Organização dos Estados Americanos), a União Europeia, o Brasil e, ao menos oficialmente, os Estados Unidos, disseram não reconhecer o resultado das eleições se Zelaya não for restituído antes.
Não devem ainda derrubar as sanções e o congelamento das ajudas ao país, que, um dos mais pobres da região, depende muito da ajuda de programas sociais e do comércio com os americanos. Fica a questão de como o novo presidente eleito assumirá, em janeiro de 2010, um país com grande parte de seu orçamento congelado.
Acordo
Zelaya afirmou, nesta sexta-feira, que a versão do Acordo de San José assinado por ambas as partes fracassou depois que Micheletti anunciou um governo de coalizão apenas com seus próprios ministros.
"O acordo está morto", disse Zelaya à simpatizante Radio Globo da embaixada do Brasil, onde está refugiado desde que voltou clandestinamente ao país, em 21 de setembro passado.
Assinado na semana passada com a pressão de diplomatas americanos, o acordo estabelecia prazo à meia-noite desta quinta-feira (4h de sexta-feira em Brasília) para instalar um governo de coalizão com os apoiadores de Zelaya e Micheletti.
Micheletti anunciou pouco antes do prazo a formação de um "Governo de Unidade e Reconciliação" que não tem qualquer representante do presidente deposto.
Segundo o presidente interino, o governo nomeado não conta com nenhum representante de Zelaya porque este não mandou nenhuma proposta com nomes para os cargos. Micheletti ressaltou ainda que "está comprometido com seguir ao pé da letra as exigências e requisitos do acordo".
"A formação do Governo de Unidade é representativa do amplo espectro ideológico e político" de Honduras e "cumpre estritamente com o que diz o acordo", que em nenhum ponto estabelece que seja o presidente interino que nomeie o Gabinete de Unidade.
O governo de Zelaya declarou "fracassado" o acordo "pelo descumprimento do regime interino do compromisso que nesta data deveria ter organizado e instalado o governo de Unidade e Reconciliação Nacional, o que, por lei, deve ser presidido pelo presidente eleito pelo povo de Honduras, José Manuel Zelaya".
O líder deposto fez ainda uma chamada aos países da OEA (Organização dos Estados Americanos) 'a que se pronunciem sobre o que acontece com o governo legitimamente eleito pelo povo hondurenho e continuem condenando e desconhecimento deste regime interino'.
"Agora faremos um exame completo da situação para determinar uma conduta que leve a impedir que o povo de Honduras seja frustrado com eleições fraudulentas", anunciou Jorge Reina, representante do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na Comissão de Verificação do Acordo Tegucigalpa-San José.
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Ou então, por que não fazer como na aliada e democraticíssima Arabia Saudita onde o povo nem sabe o que vem a ser democracia? Rsrsrsrsrsrsrs
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