Mundo
06/11/2009 - 15h02

Gorbatchov se diz "orgulhoso" por queda do Muro de Berlim

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da Efe, em Moscou
da Folha Online

O último dirigente soviético, Mikhail Gorbatchov, declarou-se nesta quinta-feira "orgulhoso" de que a queda do Muro de Berlim não tenha resultado em derramamento de sangue, já que 2 milhões de soldados soviéticos e ocidentais estavam destacados em suas imediações.

"Sou orgulhoso de que essa operação não tenha sido violenta. Preservamos a Europa. Ali estavam frente a frente 2 milhões de soldados e uma quantidade de armas que dava medo", disse Gorbatchov à emissora de rádio "Eco de Moscou".

Alexander Natruskin/Reuters
Ex-líder soviético Mikhail Gorbatchov (foto) se diz "orgulhoso" por queda do Muro
Ex-líder soviético Mikhail Gorbatchov (foto) se diz "orgulhoso" por queda do Muro; ele implementou mudanças rumo à democratização

Gorbatchov descreveu o Muro de Berlim --construído em 1961 e derrubado em 1989-- como o "nu gordiano mais perigoso e incerto" do mundo durante três décadas.

Em sua opinião, o muro foi "necessário", uma vez que soviéticos e ocidentais foram incapazes de entrar em acordo sobre o que fazer com a Alemanha, e decidiram dividir o país em dois e Berlim em quatro partes.

Gorbatchov --que irá a Berlim na próxima segunda-feira (9) para as comemorações em decorrência do 20º aniversário da queda do Muro, ao lado do ex-chanceler alemão Helmut Kohl e do antigo presidente dos Estados Unidos George W. Bush-- disse que chegou a temer que eclodisse uma terceira guerra mundial.

Contribuição

Secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) entre 1985 e 1991, Gorbatchov assumiu após a morte do linha-dura Leonid Bréjnev e seus dois sucessores, Iuri Andrópov e Konstantin Tchernenko.

Diante do evidente colapso do regime socialista, ele realiza uma mudança rumo à democratização e a descentralização da economia em duas reformas: a glasnost (transparência), que leva ao abrandamento da censura, e a perestroika (reestruturação), um conjunto de reformas da economia prejudicada pela burocracia, corrupção e gastos exorbitantes na área militar.

As mudanças, que geraram resistência entre a linha conservadora do regime, incluindo o líder da República Democrática da Alemanha, Erich Honecker, levaram ao colapso final do comunismo e ao fim da ex-União Soviética --o que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 1990.

Comentários dos leitores
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
"Os 192 Estados-membros da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) consagraram nesta quarta-feira o dia 18 de julho como Dia Internacional Nelson Mandela"
► Uma pessoa extraordinária. Parabéns!
5 opiniões
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Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
O Muro de Berlim foi brincadeira de criança comparado a outro muro que não separa mais o primeiro do segundo mundo pois este já não existe mais e sim o que separa o primeiro do terceiro. O Muro da fronteira do Estados Unidos com o México representa justamente isso: As classes abastadas devem estar seguras das que servem apenas como consumidoras nessa nova desordem mundial baseada no capital. Nessa fronteira se mata muito mais, as diferenças são muito maiores mas isso não importa não é mesmo? A democracia é um patrimônio que a humanidade não pode abrir mão nunca mais, mas não podemos também justificar com ela o extermínio através da fome e miséria que o mundo presencia causado pelo neo-liberalismo. 9 opiniões
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Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Foi bonita a festa de comemoração da queda do muro de Berlim e do fim do símbolo de um regime desumano e retrógrado. Será que o Chico vai cantar "Foi bonita a festa pá" rsrsrs. "A queda do muro --escreveu João Paulo 2°-- como a queda de perigosos simulacros e de uma ideologia opressiva, demonstraram que as liberdades fundamentais, que dão significado à vida humana, não podem ser reprimidas nem sufocadas por muito tempo".(Ou viva o neo-liberalismo) Santas palavras... ainda não aprendidas pelos muitos cabeças de bagre por aqui. 5 opiniões
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