Mundo
06/11/2009 - 17h52

Análise: Fracasso de acordo em Honduras ameaça eleição

Publicidade

FIONA CRUZ
da Reuters, em Tegucigalpa

O fracasso de um acordo para colocar fim à crise política de quatro meses em Honduras causou constrangimento a diplomatas dos Estados Unidos e da América Latina que tinham desenvolvido o pacto e coloca em risco as eleições presidenciais de 29 de novembro.

O presidente deposto Manuel Zelaya e o interino Roberto Micheletti firmaram na semana passada um acordo sob pressão dos EUA, que foi impossível de ser colocado em prática porque cada um deles o via como uma forma de se converter em líder legítimo do país.

Zelaya proclamou que o pacto era "letra morta" em declarações feitas na madrugada desta sexta-feira, depois que Micheletti dissera que se manterá no poder, na liderança de um suposto governo de unidade e reconciliação, formado sem a participação do presidente deposto.

A comunidade internacional condenou o golpe de Estado que retirou Zelaya do poder em junho, mas também se impacientou com o líder esquerdista abrigado desde o fim de setembro na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, e é pouco provável que haja outro grande esforço para tentar salvar sua situação.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e a OEA (Organização dos Estados Americanos) haviam celebrado o pacto da semana passada como um triunfo da democracia e Zelaya disse que se abria o caminho para seu retorno ao poder a fim de que pudesse concluir seu mandato em janeiro.

No entanto, na pressa de fechar um acordo após meses de demora, os negociadores deixaram contradições internas impossíveis de serem cumpridas. O acordo exorta o estabelecimento de um gabinete de ministros de unidade com a participação de todas as partes, mas foi muito vago em relação a quem encabeçaria o governo interino.

Milagre

A menos que os dois rivais possam conseguir um milagre e voltar a se sentar à mesa de negociações, as eleições presidenciais de novembro enfrentam muitos problemas. Zelaya já pediu que os hondurenhos boicotem as eleições.

O absenteísmo poderia aumentar e, no pior cenário, a violência e a agitação popular cresceriam, com simpatizantes de Zelaya tomando as ruas e o governo de facto reprimindo-os com policiais antichoque e gás lacrimogêneo.

Os meios de comunicação do país, que estão polarizados, poderiam se transformar em palcos para ataques ou censura. Nesta semana, uma granada explodiu em uma estação de rádio considerada pró-Micheletti, que havia suspendido temporariamente os meios pró-Zelaya depois do golpe.

O candidato presidencial de oposição Porfírio "Pepe" Lobo lidera as pesquisas de intenção de votos, mas quem quer que vença as eleições poderá terminar pagando o preço de um país diplomaticamente isolado.

A União Europeia, os EUA e organismos multilaterais cortaram a vital ajuda internacional a Honduras em protesto pelo golpe e acredita-se que ela seria restabelecida caso o pacto fosse cumprido. Agora isso permanece uma incógnita. Honduras é um dos países mais pobres da região e depende muito da assistência internacional para seus programas sociais.

É pouco provável que líderes da esquerda da Argentina, do Equador, da Nicarágua, da Venezuela e de outros países, que haviam apoiado Zelaya desde o princípio, reconheçam o novo presidente eleito enquanto o governo de facto ainda está à frente do país.

Comentários dos leitores
eduardo de souza (542) 24/12/2009 14h41
eduardo de souza (542) 24/12/2009 14h41
Santos Júnior, estou pensando em montar um "partido"... Topas ser o extrategista de "propaganda", :0)... Depois te pago em do'lar,.,.rsrs ou em ou'ro... :0)... Pensa no assunto tá! Sei que gosta de imaginar, rsss. sem opinião
avalie fechar
Santos Júnior (354) 24/12/2009 01h38
Santos Júnior (354) 24/12/2009 01h38
A manobra do Foro de São Paulo é bem manjada:o ponto fundamental é ludibriar a massa falando-lhes no mesmo linguajar, "subir o morro", dizer que sempre apanharam na cara todos esses anos, que tudo ia muito mal até os "democratas" assumirem o trono eterno rs.Manter aceso o conflitos de classes é sempre interessante!.Criar um eterno inimigo do povo é o ideal rs.O povo não precisa de educação, basta fingir empregar as chamadas "políticas sociais", como uma migalha no fim do mês para fazer os menos exigentes, por certo maioria, felizes rs .Não interessa pra nenhum governo "populista" a qualificação da mão-de-obra, isto gera questionamentos; é mais fácil manter o trabalhador nas rédeas curtas, sustentando-o com a esmola no fim do mês e sustentando ao mesmo tempo a sua eterna insignificância.Em cima desta insignificância é gerada a sua limitação intelectual; consequentemente não há questionamentos.Monta-se então a pseudo-democracia.Se tudo ocorrer bem até aqui o triunfo certamente virá: cria-se uma poderosa classe social ociosa, viciada, e portanto, com mais sede de "política social".O segredo é sempre matar esta sede.Se isso for possível, terá o governo "populista" um grupo fiel, como a fidelidade que existe entre um viciado em heroína e a heroína rs.Contra esta "política" devastadora não há o que ser feito.Foi de forma semelhante que a Alemanha Nazista se tornou uma gigante e quase arrastou o mundo sozinha.Por sorte ainda existe gente esclarecida! 1 opinião
avalie fechar
Fabrizio Wrolli (228) 23/12/2009 23h24
Fabrizio Wrolli (228) 23/12/2009 23h24
Venezuela, Irã, Bolívia... por que estas tremendas ditaduras não se espelham nas democraticíssimas eleições organizadas pelos Eua no Iraque? Lá sim que teve eleições limpas, transparentes e honestas. Afinal, os donos da democracia, os EUA, não deixariam jamais que elas fossem manipuladas. Está em jogo a integridade do tio Sam, ora!
Ou então, por que não fazer como na aliada e democraticíssima Arabia Saudita onde o povo nem sabe o que vem a ser democracia? Rsrsrsrsrsrsrs
3 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (5423)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca