Rei do Marrocos critica separatistas e diz que não renunciará ao Saara Ocidental
da Folha Online
da Efe
O rei Muhammad 6° do Marrocos afirmou nesta sexta que chegou a hora de enfrentar "com firmeza a escalada bélica dos adversários da integridade territorial e se mostrou disposto a não renunciar a nenhum grão de areia do Saara Ocidental", a antiga colônia espanhola que seu país anexou nos anos 70, mas que não controla totalmente.
Em discurso pelo 34º aniversário da Marcha Verde, após a qual o Marrocos anexou o território, considerou que os opositores ao plano de autonomia marroquina fomentaram "um plano de conspiração recorrendo, entre outras estratégias, à extorsão, pressões, provocações e a perversão do espírito da legalidade internacional".
"Chegou o momento das autoridades públicas redobrarem a vigilância e a mobilização para resistir, com a força da lei, a todo atentado à soberania da nação, assim como de preservar, com toda a firmeza à segurança, à estabilidade e à ordem pública", disse.
Para Muhammad 6°, "não há lugar para a ambiguidade: ou o cidadão é marroquino, ou não o é. Ou é patriota ou é traidor. Não há meio termo entre o patriotismo e a traição".
O rei disse aos inimigos da integridade territorial que "sabem melhor do que ninguém que o Saara é uma causa crucial para o povo marroquino, fazendo dessa questão a pedra angular de sua estratégia bélica, confirmando que está é o verdadeiro protagonista neste conflito artificial".
Ele acrescentou que "Marrocos rejeita prestar-se a uma demagogia sobre os direitos humanos, sobretudo por parte de regimes e de grupos fundados na negação e violação dos mesmos", que se abastecem da situação desumana nos campos de refugiados de Tinduf, na Argélia.
O rei disse que a Argélia e os organismos internacionais "devem assumir sua responsabilidade para garantir aos cidadãos proteção efetiva, o que requer o bom censo das pessoas e o respeito de sua dignidade e da faculdade de exercer seu direito natural à circulação e ao livre retorno a sua pátria, Marrocos".
E com o mesmo apego à legalidade internacional, mostrou disposição em iniciar conversas sérias para encontrar uma solução política pactuada, realista e definitiva ao conflito, com base da proposição de autonomia e no marco da soberania do reino, de sua união nacional e integridade territorial.
Além disso, em linha com o ano passado, quando propôs uma iniciativa para uma regionalização avançada e gradual do país, que afetará em primeiro lugar ao disputado território do Saara Ocidental, deixou constância da vontade de imprimir uma nova dinâmica ao espírito da Marcha Verde.
Muhammad 6° ressaltou a necessidade de beneficiar as Províncias saarianas do plano de regionalização, assim como que o governo faça dessas Províncias um modelo de descentralização e de boa governança.
Dentro do "plano integrado e baseado em cinco orientações maiores", destacou a reestruturação do Conselho Real Consultivo para os Assuntos do Saara (Corças), para reforçar sua representatividade, e a revisão do campo de ação da Agência de Desenvolvimento desse território.
Igualmente, sustentou o dever de trabalhar para que "todas as instâncias políticas, sindicais, associativas e midiáticas assumam a responsabilidade correspondente aos valores de patriotismo e de cidadania efetiva aos cidadãos".
No mês passado, a separatista Frente Polisário pediu à Assembleia Geral da ONU para que a estratégia do Marrocos de conceder autonomia à região não bloqueasse a independência do Saara Ocidental.
Em discurso ao comitê de descolonização do organismo, o representante da Frente Polisário nas Nações Unidas, Ahmed Bujari, disse que Rabat tenta impor uma situação no território contrária à legalidade internacional.
"Se o Marrocos decidir continuar com sua atual estratégia de bloquear toda paz crível e de obstruir toda negociação séria e honesta, nosso direito de estar aqui com os senhores como nação soberana e independente, responsável e capaz de cumprir com suas obrigações, não deve ser postergado mais tempo", afirmou o responsável saaráui.
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