Irã rejeita acordo de envio de urânio ao exterior, diz legislador
da Folha Online
O presidente da Comissão da Segurança Nacional e de Relações Exteriores do Parlamento, Alaeddin Borujerdi, afirmou neste sábado que o Irã se recusa a enviar o seu urânio enriquecido para o exterior como estabelecido pelo rascunho de um acordo com potências estrangeiras aceito, com mudanças, por Teerã.
"Não há planos para enviar uma parte dos 1.200 quilos [de urânio levemente enriquecido] para outra parte para receber combustível. Isto está descartado, seja de maneira gradual ou de uma só vez", disse Borujerdi, citado pela agência de notícias Irna.
"Neste momento, nossos especialistas estão estudando como obter o combustível para resolver o problema. Ali Ashgar Soltanieh está negociando para encontrar uma solução", afirmou, em referência ao representante do país na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Em 21 de outubro passado, em Viena, como parte de uma reunião entre o Irã, França, Rússia e os Estados Unidos, a AIEA apresentou um projeto de acordo que permitiria a Teerã garantir a entrega de combustível nuclear para seu reator de pesquisa.
Boroujerdi rejeitou as pressões da comunidade internacional e ressaltou que "os estrangeiros não podem estabelecer prazos. Nós não somos obrigados a fazer o que nos dizem".
O acordo visa a definir os termos do envio de cerca de 1.200 dos 1.500 quilos de urânio enriquecido a 3,5% que o país possui à Rússia, onde deve ser enriquecido até 19,75% de pureza --o suficiente para gerar energia e incapaz de produzir armas nucleares. Para fabricar uma bomba atômica, são necessários cerca de 2.000 quilos de urânio enriquecido acima de 90%.
O urânio enriquecido seria então transferido à França, onde seria transformado em combustível nuclear e depois devolvido ao Irã para uso em um reator científico em Teerã que produz medicamente para tratamento de câncer. Esse reator funcionava até agora com combustível atômico de fabricação argentina, recebido em 1993 e que está acabando.
O texto estabelece ainda a supervisão da AIEA sobre o processo.
Após seis dias do prazo estabelecido, o Irã entregou à AIEA sua resposta à proposta de acordo com emendas para que a entregado urânio seja gradual.
Na primeira emenda, o Irã propõe entregar o urânio enriquecido ao nível de 3,5% de forma progressiva para obter, em contrapartida, o combustível a 20% necessário para o reator de pesquisas de Teerã. Na segunda emenda, o Irã propõe a troca ao mesmo tempo de uma quantidade de urânio levemente enriquecido pelo combustível necessário para o reator de Teerã.
Esta semana, o governo iraniano tinha indicado que desejava a formação de um comitê de especialistas e uma nova rodada de diálogo para "esclarecer algumas dúvidas técnicas e econômicas" do acordo antes de dar uma resposta definitiva.
Mas a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, advertiu nesta quinta-feira que a proposta estava fechada e que não se admitiriam mudanças, além de instar ao Irã não atrasar mais o processo e dar uma resposta definitiva.
Com Efe, France Presse e Associated Press
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