Mundo
07/11/2009 - 09h58

Piratas libertam três tripulantes espanhóis sequestrados há um mês

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da Folha Online

Um grupo de piratas somalis libertou nesta sexta-feira três tripulantes espanhóis do pesqueiro Alakrana, capturado no último dia 2 de outubro com 36 tripulantes nas costas da Somália. O anúncio foi feito pelo ministro de Relações Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, citado pelo jornal "El Pais".

Os piratas chegaram a pedir resgate de US$ 4 milhões, além da libertação dos dois integrantes do grupo que foram detidos pela Marinha espanhola, em troca do avião.

Segundo o jornal, a libertação ocorreu após um dia agitado na quinta-feira, quando os sequestrados entraram em contato com a família, houve disparos para o ar e ameaças de morte dos reféns. Os piratas foram pressionados ainda pelos anciões da região com o fortalecimento da vigilância dos navios das frotas internacionais e decidiram então desembarcar os três reféns na Somália.

O governo basco, de onde o navio é originário, disse estar confiante que a libertação dos três tripulantes seja um "passo positivo pela resolução do sequestro".

O "El Pais" afirmou que a Defesa espanhola prepara o envio de uma nova fragata, Navarra, até às águas da costa da Somália para se juntar a embarcação Méndez Núñez na operação de vigilância do barco sequestrado.

O Alakrana foi capturado por volta das 3h30 (no horário de Brasília) do dia 2 de outubro nas águas do oceano Índico, no meio do caminho entre a Somália e as ilhas Seicheles. O mesmo Alakrana, de posse da companhia Echebastar Fleet, virou notícia na semana anterior quando seu capitão afirmou ter escapado de um ataque pirata graças ao mau tempo.

Dois aviões militares de Luxemburgo, que fazem parte da frota internacional de combate à pirataria na região, sobrevoaram a região em busca do Alakrana quando ele não retornou um contato de rotina. Segundo um porta-voz do governo basco, onde fica o porto do navio, o avião visualizou homens armados a bordo do navio.

A Marinha da Espanha prendeu dois dias depois dois piratas da gangue somali. Segundo o jornal "El Pais", o juiz da Suprema Corte Baltasar Garzon acusou ambos os piratas de terrorismo e sequestro.

Em abril de 2008, um navio pesqueiro do País Basco foi sequestrado por piratas somalis por seis dias, até o pagamento de um resgate de US$ 1,2 milhão. Outro navio espanhol escapou de um ataque pirata em setembro de 2008.

A Espanha colabora com navios e aviões de reconhecimento na tropa europeia de combate à pirataria. As companhias espanholas pedem que o governo coloque ainda militares nos navios pesqueiros, assim como faz a França, mas o governo diz ser impedido pela própria lei espanhola.

O Ministério de Defesa espanhol concedeu, em setembro passado, permissão para empresas de segurança privadas contratarem guardas armados com rifles. A medida foi vista como insuficiente diante de piratas armados com lançadores de granadas.

Grupos de piratas da Somália sequestraram dezenas de navios nos últimos dois anos e ganharam milhões em pagamento de resgates. Os ataques continuam apesar do aumento da vigilância internacional nas águas da Somália, país que enfrenta grave crise política sem um governo efetivo para combater os movimentos insurgentes.

 

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