Mundo
07/11/2009 - 11h57

Família de major que matou 13 em base nos EUA diz estar chocada com ataque

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da Folha Online

A família do major Nidal Malik Hassan disse em comunicado que está chocada e muito triste com o ataque a tiros contra a base militar de Fort Hood, no Estado americano do Texas, que deixou ao menos 13 mortos e 30 feridos.

Hassan foi atingido por um policial e está internado em um hospital em San Antonio, no Texas. O coronel John Rossi, porta-voz da base de Fort Hood, a maior instalação militar do mundo, disse que Hasan está inconsciente mas em condição estável e conectado a um respirador.

Bob Daemmrich/Efe
Sargento David Wittig fica ao lado da mulher em igreja do Texas; choque diante do ataque
Sargento David Wittig fica ao lado da mulher em igreja do Texas; choque diante do ataque

"Estamos chocados e muito tristes diante dos terríveis acontecimentos de Fort Hood", diz o texto divulgado nesta sexta-feira por Nader Hasan, primo do major, em nome da família. Segundo Nader, os pais do militar já faleceram.

Ainda segundo Nader, Hassan é um cidadão americano de ascendência palestina que nasceu em Arlington (Virgínia) e foi educado nos Estados Unidos. "Nossa família ama a América. Estamos orgulhosos de nosso país", diz o texto, publicado pelo site do jornal "Washington Post".

O avô de Hassan, Ismail Mustafa Hamad, afirmou em entrevista à agência de notícias Reuters de sua casa na cidade palestina de Al-Bireh, que o neto "é um médico e ama os EUA". "Os Estados Unidos fizeram dele o que ele é."

"Se ele ficou bravo ou algo assim eu não sei... o que sei é que é impossível ele ter feito uma coisa dessas", acrescentou Hamad, de 88 anos.

O avô descartou ainda uma motivação político para o gesto. "Ele costumava vir à minha casa, para ficar comigo e me distrair. Nunca se interessou por política e nem gostava de assistir televisão", disse Hamad.

Ataque

O ataque começou às 13h30 desta quinta-feira (17h30 no horário de Brasília) no Centro Soldier Readiness, onde os soldados que estão prestes a serem enviados para o campo de batalha ou que estão voltando da guerra passam por exames médicos. Perto de lá, alguns soldados lideravam uma cerimônia de graduação em um teatro com cerca de 600 pessoas, entre tropas e familiares.

Segundo relatos não confirmados de soldados presentes na base, Hassan gritou a expressão árabe "Allahu Akbar", que significa "Deus é grande", antes de abrir fogo contra os colegas.

Segundo as agências de notícias, Hassan começou a atirar com duas armas --uma delas semiautomática. Os soldados que estavam no local reagiram e atiraram de volta, atingindo Hassan. Há suspeita de que algumas das vítimas foram atingidas por fogo amigo em meio ao tiroteio.

Segundo Bob Cone, porta-voz da base, não há indicação de que as armas eram do Exército ou de que este foi um ataque com motivações terroristas. Ele afirmou ainda que o FBI (polícia federal americana) e os especialistas forenses do Exército estão investigando o crime.

Hassan, 39, tratava soldados feridos em guerra ou que se preparavam para ir ao fronte de batalha. Muçulmano nascido nos Estados Unidos e filho de imigrantes palestinos, ele cresceu na Virgínia. Serviu como psiquiatra no Centro Médico Militar Walter Reed em Washington, capital, que trata principalmente militares feridos gravemente.

Nader afirmou anteriormente à rede Fox News que ele se opunha às guerras no Iraque e no Afeganistão e estava preocupado com a notícia de que seria enviado em breve para o fronte de batalha. "Nós sabemos há cinco anos que este era provavelmente seu pior pesadelo", afirmou, em referência à sua transferência para o fronte de batalha.

Segundo Nader, o primo foi transferido para a base de Fort Hood em abril e estava muito relutante com a notícia de que seria transferido.

Já a senadora Kay Bailey Hutchison afirmou que os generais de Fort Hood lhe disseram que Hassan seria enviado ao Afeganistão. Segundo o coronel aposentado Terry Lee, que disse ter trabalhado com Hassan, ele aguardava que o presidente Barack Obama anunciasse a retirada das tropas e frequentemente brigava com os colegas de base que apoiavam as guerras.

Segundo Cone, Hassan atuou sozinho e está hospitalizado em estado estável. A informação contraria a versão inicial do Pentágono de que três militares estavam envolvidos no tiroteio. Os outros dois soldados detidos como suspeitos de envolvimento foram interrogados e liberados.

Com Reuters e France Presse

 

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