Líderes de Madagascar assinam acordo que pode encerrar dez meses de crise
da Folha Online
Os quatro principais líderes de Madagascar assinaram neste sábado, em Adis Abeba, um acordo de partilha do poder durante a transição política no país que culminará nas eleições no final de 2010.
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O acordo pode encerrar a crise política que atinge o país desde 17 de março, quando, apoiado pelo Exército, Andry Rajoelina, então prefeito de Antananarivo, realizou um golpe de Estado e derrubou o presidente eleito Marc Ravalomanana, assumindo o poder. A crise desencadeou violentos confrontos que deixaram centenas de mortos.
O acordo estabelece que Rajoelina permanecerá presidente, junto a dois novos copresidentes depois que Ravalomanana recusou qualquer acordo de poder integral ao rival.
"Haverá dois copresidentes assim como o presidente. Foi aceito e decidido pelos líderes dos quatro movimentos e pelo presidente de transição também", disse Rajoelina a repórteres, pouco antes da meia-noite na capital da Etiópia, Addis Ababa.
Ele não disse, contudo, como será feita a divisão dos poderes no conselho presidencial.
Horas depois, ele, Ravalomanana, e os ex-presidentes Didier Ratsiraka e Albert Zafy assinaram o acordo, concluindo a negociação. Nos próximos dias, eles devem discutir quem assumirá quais ministérios de Madagascar.
O acordo permite ainda a Rajoelina, de 35 anos, tornar-se o mais jovem líder africano. Ele fez ampla campanha para tentar obter apoio da comunidade internacional a seu golpe depois que várias nações regionais bloquearam as relações bilaterais e doadores suspenderam ajuda.
Ravalomanana, que está exilado na África do Sul e tornou-se cada vez mais isolado na política de Madagascar, deve escolher um aliado próximo para participar do governo.
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