Mundo
07/11/2009 - 14h17

Em meio a retomada, Zelaya diz não querer diálogo com intransigente

Publicidade

da Folha Online

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse na noite desta sexta-feira à agência Efe que não deseja dialogar com o regime interino de Roberto Micheletti, a quem chamou de intransigente e acusou de ter "zombado da comunidade internacional". As declarações de Zelaya foram feitas poucas horas antes do anúncio de um "pré-acordo" entre as comissões das duas partes para retomar as negociações neste sábado.

"Não temos nenhum desejo de voltar a dialogar com quem não quer dialogar e realmente manifesta posições de intransigência e desonestidade", enfatizou Zelaya em declarações por telefone da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde permanece desde 21 de setembro passado, quando voltou clandestinamente ao país.

Zelaya afirmou ainda que continua sendo o presidente de Honduras e que não vai renunciar a esse direito. "Não vou renunciar a esse mandato do povo hondurenho porque seria trair o princípio básico que a Presidência segue em vigência antes e depois das eleições [de 29 de novembro] e até 27 de janeiro".

Na semana passada, após meses de negociações com o apoio da comunidade internacional e diante da pressão da missão diplomática dos Estados Unidos, as comissões assinaram a versão do Acordo de San José, texto elaborado pelo presidente da Costa Rica e mediador da crise, Oscar Arias, que inclui a formação de um governo de unidade nacional. O documento estabelece ainda que cabe ao Congresso decidir se Zelaya deveria retomar a Presidência.

Nesta sexta-feira, contudo, Zelaya afirmou que o acordo fracassou depois que o presidente interino Roberto Micheletti anunciou um governo de coalizão apenas com seus próprios ministros. Para a equipe interina, a proposta de governo de unidade não inclui nenhum partidário de Zelaya porque ele não enviou sugestões de nomes no prazo estabelecido.

Na entrevista à Efe, Zelaya criticou o anúncio de Micheletti e disse que a responsabilidade de nomear um governo de união cabe à Comissão de Verificação, estabelecida pelo Acordo Tegucigalpa-San José, que as partes assinaram em 30 de outubro passado.

O governo de Micheletti indicou em comunicado que "dando novamente espaço de reflexão ao senhor Zelaya, o presidente Micheletti ratificou na sexta-feira sua disponibilidade em reconhecer que é importante uma espera durante este fim de semana para conseguir concretizar o governo de Unidade e Reconciliação".

Segundo Zelaya, Micheletti "zombou da OEA (Organização dos Estados Americanos), as Nações Unidas e os Estados Unidos", ao não propiciar uma saída à crise política hondurenha.

Jorge Arturo Reina, representante de Zelaya diante da Comissão de Verificação, disse aos jornalistas que o diálogo entre representantes dos rivais poderia ser iniciado ao meio-dia (16h no horário de Brasília), mas não há até o momento nenhuma notícia de que tenha se concretizado.

Segundo Reina, "há um pré-acordo" para voltar à mesa de diálogo depois de extensas conversas na véspera com os membros da Comissão de Verificação, a missão da OEA e o embaixador americano em Tegucigalpa, Hugo Llorens.

Arturo Corrales, representante de Micheletti na Comissão, disse que "o diálogo segue", mas não deu prazos.

Comentários dos leitores
nariaki nakakura (3) 06/12/2009 16h22
nariaki nakakura (3) 06/12/2009 16h22
Tem muitos companheiros roendo as unhas diante da democracia hondurenha.
O povo participou da eleição sem levar em conta a torcida do Chapolim.
Porfirio Lobo foi eleito democraticamente e isso tira o tapete de fumaça do Hugo Chavez e seu marionete Zelaya.
Até a Dilma admite a fragilidade dessa "politica" do Celso Amorim e aceita o resultado democratico da eleição hondurenha.
Será que o Lula vai engolir essa da Dilma Roussef depois da "peremptoriamente não" ?
sem opinião
avalie fechar
Juarez Ribeiro Batista (20) 06/12/2009 15h00
Juarez Ribeiro Batista (20) 06/12/2009 15h00
Zelaya, já é passado. O governo brasileiro ainda não entendeu isso. O que ocorreu em Honduras não foi golpe, pois o parlamento e a suprema corte de Honduras depuseram Zelaya conforme a lei por violação constitucional. Se um presidente qualquer se achar no direito de violar a constituição por interesse próprio, o caminho está aberto para as ditaduras. Democracia se presume obediência às leis. Os artigos constitucionais podem ser mudados, não violados, porque nenhuma constituição é imutável. Mas para mudar tem que seguir os ritos parlamentares, ou seja, passar por votação no Congresso Nacional que é única instituição capaz de fazê-lo. Assim é em todos os países democráticos, até em Honduras. Zelaya quis atropelar esta exigência legal e foi deposto. Que sirva de exemplo para os governantes latino-americanos que olham para o próprio umbigo. Aliás, um dos males dos latinos é que eles acham que a lei é para ser burlada. Quanto ao Chaves, gostando ou não dele, o erro que Zelaya cometeu, ele não o fez. Tudo que fez até agora na Venezuela foi dentro da lei. Até a mudança dos termos constitucionais. Tudo com o apoio do congresso venezuelano onde tem maioria. Idem Morales na Bolívia. Até a cassação da concessão da maior emissora de televisão do país foi dentro da lei. A lei de concessão de telecomunicações é parecida com a do Brasil. Terminado o prazo da concessão, o governo de Chaves apenas não renovou, nada mais. Nem cassação foi, mas não renovação. 1 opinião
avalie fechar
J. R. (1186) 06/12/2009 14h49
J. R. (1186) 06/12/2009 14h49
Já esqueceram aquela música da pesada?
"Eu te amo meu Brasil eu te amo,
meu coração é verde, amarelo, branco, azul-anil ..."
"Ame-o ou deixe-o"
Pelo visto alguns que se recusam a amar o Brasil
atualmente já mudaram a edição da própria cartilha, para uma mais adequada para o atual momento.
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (5183)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca