Familiares de vítimas de Pinochet criticam novo chefe do Exército chileno
da Efe, em Santiago
da Folha Online
Os familiares dos desaparecidos políticos durante a ditadura de Augusto Pinochet no Chile criticaram hoje a nomeação do general Juan Miguel Fuente-Alba para ser o novo chefe do Exército chileno.
Segundo eles, Fuente-Alba estava em 1973 --ano em que Pinochet assumiu o poder-- em um regimento onde ocorreu o massacre de 23 presos políticos.
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"Apenas a menção de seu nome em crimes contra a humanidade invalida qualquer possibilidade de assumir um cargo dessa responsabilidade", disse em comunicado a AFDD (Associação dos Familiares de Presos Desaparecidos, na sigla em espanhol). "O comandante-em-chefe do Exército deve caber a um militar inatacável, sobre quem não exista a mínima suspeita sobre a atuação no período da ditadura."
Fuente-Alba era um sub-tenente recém-graduado do regimento cidade de Calama (norte do Chile, no deserto de Atacama) quando, em 19 de outubro de 1973, a denominada "Caravana da Morte" --uma comitiva militar que matou dezenas de prisioneiros políticos-- chegou à cidade, comandada pelo general Sergio Arellano Stark.
Um total de 26 presos políticos que estavam em cárcere na cidade foram levados ao deserto e mortos a tiros. Para não deixar rastro das mortes, os corpos foram dinamitados.
O novo chefe do Exército chileno foi citado duas vezes nas investigações, mas não foi processado pelos juízes que cuidavam dos dois casos. A presidente do Chile, Michelle Bachelet, chegou a usar esse argumento na nomeação de Fuente-Alba.
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