Mundo
07/11/2009 - 17h08

"Dama de ferro" da ex-Alemanha Oriental vive discretamente em Santiago

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MOISÉS ÁVILA ROLDÁN
da France Presse, em Santiago

Margot Honecker, ex-dama de ferro da ex-Alemanha Oriental e viúva do ex-líder Erich Honecker, leva uma vida aprazível e discreta no Chile, onde vive há 17 anos, com uma rotina que inclui ir à pé ao supermercado e visitar sua filha.

Rodeada por um pequeno círculo íntimo integrado por líderes comunistas e ex-refugiados chilenos que foram para a Alemanha Oriental na época do ditador Augusto Pinochet, Honecker, 82, é tratada pelo mesmo médico que atende a presidente Michelle Bachelet e evita as opiniões políticas e os atos públicos.

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Margot vive com o neto, Roberto, no condomínio La Reina, em um elegante bairro de Santiago cercado de árvores e muros altos. O recepcionista do condomínio tem a orientação de avisá-la caso veja um jornalista rondando o local.

Uma recente reportagem da revista chilena "Qué Pasa" revelou que a ex-ministra da Educação da Alemanha Oriental lê muito, caminha, acompanha as notícias através da internet e tem uma grande nostalgia do regime comunista --daquele que havia antes da queda do Muro de Berlim, há 20 anos.

Segundo a revista, no dia 7 de outubro Margot participou da celebração, em Santiago, dos 60 anos de criação da Alemanha Oriental, organizada por um grupo de chilenos perseguidos pela ditadura de Pinochet e que se exilaram em Berlim.

Na reunião, ela leu um manifesto reivindicando as boas ações do governo de seu marido. "Neste momento, existe na Alemanha uma enorme campanha contra a Alemanha Oriental; não existe nenhum programa de televisão, nenhum filme, nenhum noticiário onde não se enlameie com afinco a Alemanha Oriental, mas sem resultado", disse Margot na ocasião.

"Hoje, há muitos jovens que refletem e dizem: devemos construir outra sociedade, como foi naquele tempo", acrescentou.

"Ela vive tranquila e quer continuar vivendo tranquila. Não quer aparecer nos jornais, na imprensa, nada", disse Luis Corvalán, ex-secretário-geral do Partido Comunista chileno e grande amigo de Margot, à agência France Presse.

Tentando romper seu isolamento, jornalistas da rede pública alemã de televisão ARD a esperaram durante dias do lado de fora de sua casa, e conseguiram fazê-la romper o silêncio político habitual ao perguntar à ex-dama de ferro se ela acredita na volta do socialismo. "Sim, voltará, e por quê não na Alemanha?", respondeu.

Durante a ditadura de Pinochet, a Alemanha Oriental serviu de exílio para milhares de refugiados chilenos --entre eles a própria presidente Bachelet.

Segundo a imprensa local, Margot viaja todos os anos para Cuba, onde passa um mês fazendo exames médicos em um centro assistencial para estrangeiros financiado pelo regime de Raúl Castro.

Depois da queda do muro e de uma passagem pela Rússia, Margot foi para o Chile em 1992 acompanhada da filha Sonja, que era casada com o chileno Leonardo Yáñez.

Erich Honecker chegou ao país um ano mais tarde, depois de ser liberado do julgamento na Alemanha por motivos de saúde. Faleceu em consequência de um câncer em 29 de maio de 1994 na capital chilena.

Comentários dos leitores
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
Chris Maria (231) 11/11/2009 17h30
"Os 192 Estados-membros da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) consagraram nesta quarta-feira o dia 18 de julho como Dia Internacional Nelson Mandela"
► Uma pessoa extraordinária. Parabéns!
5 opiniões
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Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
Elton Santos (9) 10/11/2009 17h03
O Muro de Berlim foi brincadeira de criança comparado a outro muro que não separa mais o primeiro do segundo mundo pois este já não existe mais e sim o que separa o primeiro do terceiro. O Muro da fronteira do Estados Unidos com o México representa justamente isso: As classes abastadas devem estar seguras das que servem apenas como consumidoras nessa nova desordem mundial baseada no capital. Nessa fronteira se mata muito mais, as diferenças são muito maiores mas isso não importa não é mesmo? A democracia é um patrimônio que a humanidade não pode abrir mão nunca mais, mas não podemos também justificar com ela o extermínio através da fome e miséria que o mundo presencia causado pelo neo-liberalismo. 9 opiniões
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Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Juca Bala (84) 10/11/2009 11h33
Foi bonita a festa de comemoração da queda do muro de Berlim e do fim do símbolo de um regime desumano e retrógrado. Será que o Chico vai cantar "Foi bonita a festa pá" rsrsrs. "A queda do muro --escreveu João Paulo 2°-- como a queda de perigosos simulacros e de uma ideologia opressiva, demonstraram que as liberdades fundamentais, que dão significado à vida humana, não podem ser reprimidas nem sufocadas por muito tempo".(Ou viva o neo-liberalismo) Santas palavras... ainda não aprendidas pelos muitos cabeças de bagre por aqui. 5 opiniões
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