Mundo
07/11/2009 - 21h41

Zelaya rompe diálogo com golpistas e quer intervenção da OEA

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da Efe, em Tegucigalpa (Honduras)

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, rejeitou hoje qualquer possibilidade de retomar o diálogo com o regime de fato, após declarar ontem fracassado o Acordo Tegucigalpa-San José, e pediu a intervenção da OEA (Organização dos Estados Americanos).

"O diálogo segue rompido, o acordo já não tem valor ou efeito pelo descumprimento do senhor Micheletti [Roberto, presidente interino], desde que Zelaya foi destituído em 28 de junho", afirmou hoje o porta-voz e assessor político do líder derrubado, Rasel Tomei. "Quando assinamos o documento depositamos boa fé e agora nos sentimos enganados."

O porta-voz rejeitou a possibilidade de um reinício do diálogo que havia sido anunciado horas antes pelo representante de Zelaya na Comissão de Verificação do acordo, Jorge Arturo Reina, que tinha falado em um "pré-acordo" para voltar à mesa de negociações.

Orlando SIERRA/France Presse
O presidente deposto Manuel Zelaya diz não acreditar na concretização do acordo Tegucigalpa-San Jose
O presidente deposto Manuel Zelaya diz não acreditar na concretização do acordo Tegucigalpa-San Jose

José Octavio Bordón, um dos representantes do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, para participar da comissão, afirmou em breves declarações à imprensa durante a manhã que ambas as partes estavam negociando.

O porta-voz de Zelaya, no entanto, considerou inclusive que o órgão verificador já não faz sentido, uma vez que o pacto foi desfeito. "Se o Acordo Tegucigalpa-San José está sem valor e efeito desaparece a Comissão de Verificação", argumentou.

Micheletti declarou ontem que estaria em compasso de espera durante o final de semana antes de concretizar seu governo de unidade para dar espaço de reflexão a Zelaya.

O presidente deposto imediatamente disse em conversa telefônica com a Efe a partir da embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde permanece fechado desde 21 de setembro, que não tinha "nenhum desejo de voltar a dialogar com quem não quer dialogar e realmente manifesta posições de intransigência e desonestidade".

Zelaya declarou "fracassado" o pacto depois que na quinta-feira, data limite para formação do governo de unidade, Micheletti anunciou a constituição unilateral do Executivo.

O desacordo ocorreu porque ambos os governantes queriam assumir o Gabinete. "Pela soberania popular, pela vontade do povo, pela Constituição, pelo direito internacional, é que é o presidente eleito pelo povo, Manuel Zelaya liderasse o governo de unidade", defendeu Tomei.

Para o assessor, também refugiado na embaixada brasileira, não se pode "falar de unidade e reconciliação se o usurpador, o que cometeu a ditadura, quer seguir no poder."

"Seria um autogolpe, ou seja, o que deu o golpe agora quer uma espécie de lavagem do golpe tratando de colocar outros ministros, mas ficando ele ainda a frente do poder. Isso não é uma democracia, isso é um prolongamento do golpe de Estado", acrescentou.

Tomei indicou que agora é a OEA que deve adotar medidas para "impulsionar a Carta Democrática Interamericana". "O trabalho da OEA é preservar os governos eleitos democraticamente e os 34 Estados assinados à OEA têm que fazer esse esforço de restaurar a democracia em Honduras", sustentou.

O organismo regional acrescentou "que deve convocar o Conselho Permanente ou à Assembleia Geral e tomar as medidas pertinentes."

Ontem tanto Insulza como a Unasul (União de Nações Sul-americanas) respaldaram o presidente deposto após este novo enfrentamento e desqualificaram a atitude de Micheletti.

Engrossaram o coro das críticas hoje, o presidente golpista e o líder da Costa Rica, Óscar Arias, que como mediador impulsionou o pacto entre ambas as partes ao propor o denominado Acordo de San José.

"Nunca encontramos vontade no governo interino para cumprir o que originalmente foi o acordo de San José e depois o acordo Tegucigalpa-San José", denunciou Arias.

Comentários dos leitores
George Hamilton (26) 27/11/2009 01h33
George Hamilton (26) 27/11/2009 01h33
É melhor que o burrito da silva, o porquito garcia e o ratito amorim, botem seu rabichos entre as pernas, porque nesta eles entraram pelo cano mesmo, vão ficar de cara bem grande Varios Paises alem dos EE.UU. já disseram que vão reconhecer o resultado das eleições.
Vários ex-presidentes da A.S como Chile, Bolivia El Salvador e Nicaragua vão fazer parte dos observadores da eleição, já se tem mais de 250 jornlista lá para acompanhar as eleições, o Parlamento Europeu mandou observadores, são tantos que cansa digitar.
Honduras não precisa dos Bolivarianos incluso ai o Brasil
sem opinião
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Santos Júnior (307) 27/11/2009 00h28
Santos Júnior (307) 27/11/2009 00h28
De um lado o Foro de São Paulo que esbraveja e ameaça não reconhecer as eleições em Honduras porque sofreu uma baixa com a queda do Zé-laya;do outro lado o país mais rico do mundo que reintera reconhecer o resultado destas eleições.Então eu pergunto o que será dos hondurenhos se o foro não reconhecer o pleito rsrs?Já se torna bem óbvio que os hipócritas nada querem com o este povo nem com povo algum, o fato é que com a perda de terreno que vem desde a rasteira no leste europeu, sentem que o ossinho suculento pode não estar tão suculento assim, esta retomada pode custar bem caro, principalmente com a presença MUITO BEM VINDA dos americanos.É neste sentido que as FARCS patrocinam campanhas do PT aqui no Brasil, a Venezuela patrocina os Kirchners lá na Argentina,enfim, o desespero tomou conta dos farsantes rsrs.O cinismo é misterioso, não é de fácil compreensão.Falam em golpe, em ditadura; ditadura em Honduras não pode,ditadura no Brasil também não, mas em Cuba pode rsrs, no Zimbábue ou na Líbia também pode rsrs, no Irã e suas eleições fraudulentas e suas perseguições a opositores, claro também pode rsrs.Lavagem cerebral na Venezuela também pode, mas só lá rsrs.Honduras é o maior exemplo "vivo" de que nem todos compactuam com a patifaria que segue "silenciosa" e que aos poucos vai avançando, mas é preciso ficarem atentos porque tem gente bem próximo de olho rs! 4 opiniões
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As eleições em honduras vão se realizar e não adianta Lula e amorin, chiar. Quase rimou, mas o que não rima é os dois dizerem que o Brasil não vai reconhecer a validade das eleições. Ah, Ah, Ah, tem que rir, porque essa é uma dupla parada dura, que me desculpe o Cleone, da original "Parada Dura", muito boa, por sinal. Com tantos problemas para ser resolvidos no Brasil, do apagão às enchentes, a dengue, a criminalidade, a "buraculosidade" das estradas, etc, etc, vem esses dois puxar ponta contra as eleições em Honduras. Tenham paciência, "largamão" de serem chatos de galocha. Reconhecerem ou não, não vai mudar nada em Honduras, muito pelo contrário, vai mudar sim, o Zelaya da embaixada. Êta gente ignorante, siô! 3 opiniões
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