Agência da ONU pede greve de fome pelos desnutridos do mundo
da Folha Online
O diretor geral da FAO (agência da ONU pra alimentação), o senegalês Jacques Diouf, pediu que o mundo inteiro realize uma greve de fome nos próximos sábado (14) e domingo (15) em solidariedade ao mais de 1 bilhão de pessoas desnutridas no planeta --um recorde histórico.
"Precisamos assinar a petição 'não concordo' na página www.1billionhungry.org. Cada uma assinatura serve para aumentar o movimento e se transforma em uma mensagem para os líderes do mundo", disse Diouf. "Pessoalmente, cumprirei 24 horas de greve de fome a partir de sábado pela manhã", afirmou.
Nesta segunda-feira (16), a organização realiza a sua Cúpula Mundial sobre a Segurança Alimentar de dois dias na qual estarão, entre outras autoridades, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o papa Bento 16.
De acordo com a FAO, a fome atinge atualmente 1,020 bilhão de pessoas, um recorde, e a crise econômica recente arrastou 105 milhões pessoas à fila de desnutridos. Por outro lado, houve diminuição no número de famintos, desde o início da década 90, em 31 dos 79 países nos quais a organização atua. Esses países, conforme a FAO, já alcançaram ou conseguirão reduzir o número de famintos para 2015.
Entre os exemplos de países que alcançaram importantes avanços frente à fome está o Brasil além de Armênia, Nigéria e Vietnã.
No Brasil, a organização cita como exemplo o programa "Fome Zero", que foi implantado pelo governo em 2003. O governo mobilizou as autoridades locais e às organizações da sociedade civil para apoiar a iniciativa, que incluiu a transferência de fundos com dinheiro para aumentar o poder aquisitivo dos pobres e investir na agricultura familiar. "[Houve] uma rápida redução na prevalência da desnutrição", afirma o texto da FAO.
O estudo ainda analisa a forma como outros países em desenvolvimento --Argélia, Malawi e Turquia-- transformaram seu setor agrícola em importantes motores de crescimento e fonte de exportações, que por sua vez contribuem à redução da fome e da pobreza.
O relatório assinala também que um dos melhores e mais rentáveis caminhos para vencer a pobreza e a fome no meio rural é apoiar os pequenos camponeses, já que cerca de 85% das granjas agrícolas do mundo teriam menos de 2 hectares, e os pequenos agricultores e suas famílias representam 2 bilhões de pessoas, um terço da população mundial.
Indonésia, México e Serra Leoa são exemplos de países que desenvolveram enfoques inovadores para potenciar e apoiar aos pequenos camponeses.
Com Efe e France Presse
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