Emissário dos EUA deixa Honduras sem avanços e defende eleição
da Folha Online
O subsecretário adjunto para o Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos, Craig Kelly, deixou nesta quarta-feira Honduras sem ter conseguido seu objetivo de aproximar as duas partes em conflito da mesa de diálogo, informou um porta-voz da embaixada de Washington em Tegucigalpa.
Kelly, adjunto do subsecretário de Estado para a América Latina, Thomas Shannon, chegou de surpresa à capital hondurenha nesta terça-feira para se reunir com o presidente interino, Roberto Micheletti, e depois com o deposto Manuel Zelaya.
Seu propósito era aproximar as partes para destravar o Acordo Tegucigalpa/San José assinado em 30 de outubro, sob suprvisão de Shannon, para resolver a crise política no país, que chegou ao ápice em 28 de junho, quando Zelaya foi deposto.
Zelaya reiterou a Kelly que não voltará à mesa de negociação com o governo interino.
"É parte do que conversamos com o senhor Kelly e [Hugo] Llorens [embaixador de Washington em Tegucigalpa], que minha posição é não retornar para a mesa de diálogo", afirmou Zelaya à rádio Globo.
Já a assessora do governo de Micheletti, Vilma Morales, afirmou que expressou ao subsecretário Kelly a disposição de cumprir o acordo. Kelly se reuniu com as autoridades do governo de fato na Casa Presidencial e depois visitou Zelaya na embaixada do Brasil.
Kelly afirmou que é importante continuar com as conversas para solucionar a crise. "Estamos avançando no diálogo, nós pensamos que é muito importante seguir adiante com as conversas", afirmou o diplomata americano.
O enviando americano disse que a saída da crise para o povo hondurenho parte da solução para as eleições de 29 de novembro, que Zelaya e maior parte dos países da OEA (Organização dos Estados Americanos) se recusam a reconhecer, se o presidente deposto não tiver voltado ao cargo.
"Então é importante que os dois lados sigam avançando, estamos aqui para apoiar esse processo e isso se alcança através do Acordo Tegucigalpa-San José. Acho que estamos evoluindo e que é importante que os lados sigam conversando", destacou.
O Acordo Tegucigalpa/San José Diálogo de Guaymuras visa à formação de um governo de união e reconciliação nacional no mais tardar no fim de quinta-feira (5) e deixava nas mãos do Congresso Nacional a restituição de Zelaya à Presidência.
Zelaya anunciou na semana passada que o acordo havia fracassado depois que Micheletti formou o governo de união previsto no texto sem que o Congresso tivesse antes votado a sua restituição, também prevista no acordo. Micheletti manteve-se na Presidência, e Zelaya não indicou nenhum membro para o novo gabinete.
Com Efe e France Presse
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