Protestos causam tumulto em Buenos Aires; governo vê manobra desestabilizadora
da Folha Online
Vários protestos e manifestações de rua foram realizados nesta quarta-feira em Buenos Aires, que sofreu enormes problemas de tráfego no momento em que o governo argentino insiste em que as recentes manifestações são manobras desestabilizadoras.
O momento de maior tensão aconteceu em uma das principais pontes de acesso a Buenos Aires, onde a polícia impediu que integrantes do Movimento Independente de Aposentados e Desempregados (MIJD) interrompesse o tráfego. Raúl Castells, líder do MIJD, lamentou a ação da polícia e reclamou de diferenças no tratamento dado aos desempregados que estão alinhados com o governo e aqueles que se opõem à presidente Cristina Kirchner.
Enquanto isso, os trabalhadores da filial da fábrica americana de alimentos Kraft se reuniram em frente ao Ministério do Trabalho para exigir a readmissão de trabalhadores que não aceitaram um acordo com a empresa depois de um longo conflito que aparentemente havia sido resolvido no mês passado
Além disso, dezenas de estudantes protestaram em frente à sede reitoria da Universidade de Buenos Aires (UBA) para rejeitar o adiantamento da próxima assembléia universitária, que visa a eleger as novas autoridades. Outros grupos de desempregados de oposição ao governo se concentraram em frente à sede do Ministério do Desenvolvimento Social para exigir "planos sociais". Eles se reuniram em um cruzamento da avenida 9 de Julio, a principal da cidade. A ação causou congestionamento na região.
Pela manhã, veteranos de guerra da disputa entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas (Falklands) --vencida pelos britânicos em 1982 -- bloquearam o principal cruzamento próximo ao Congresso Nacional, em protesto por benefícios suspensos.
Os bloqueios das ruas e a insegurança aumentaram nos últimos dias, com grande sensibilização da população da capital argentina. Nesta segunda-feira, uma greve dos metroviários de Buenos Aires também gerou críticas e protestos.
O governo acusa a oposição de fomentar esta convulsão no país, enquanto os oposicionistas dizem tais ações são parte de um plano da administração federal.
O chefe de gabinete da presidente, Aníbal Fernández, disse que "não é causal", que os protestos e caos em Buenos Aires tenham se intensificado, insistindo que há manobras de desestabilização, como alertou na segunda-feira a própria Cristina Kirchner.
Alguns meios de comunicação informaram que a única notícia positiva na rotina diária de Buenos Aires foi o funcionamento normal das seis linhas de metrô da cidade, que na terça-feira e quinta-feira passadas foram interrompidas por greves, em meio a um conflito entre setores sindicais rivais.
Com Efe e Ansa
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