Polícia enfrenta maoístas que cercam edifícios do governo de Nepal
da Folha Online
A polícia do Nepal enfrentou nesta quinta-feira com gás lacrimogêneo milhares de militantes e simpatizantes dos rebeldes maoístas que cercaram a secretaria central do governo do Nepal, como parte dos protestos contra a decisão do presidente de restaurar o chefe do Exército ao cargo.
Gritando frases como "abaixo o governo marionete" e exibindo bandeiras vermelhas, os manifestantes cercaram o principal complexo governamental, no centro de Katmandu, e bloquearam a zona.
| Rafiq Maqbool/AP |
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| Policiais tentam bloquear apoiadores do Partido Comunista do Nepal durante protesto contra recente decisão do presidente |
"O Nepal pode ter se tornado uma república, mas ainda não é um verdadeiro governo do povo", declarou um dos manifestantes, Shanchalal Waiba, perto do complexo governamental.
Segundo o porta-voz do Ministério do Interior, Jaya Mukunda Khanal, quatro manifestantes e dois policiais ficaram feridos.
"A polícia enfrentou os manifestantes e lançou quatro rajadas de gás lacrimogêneo", disse Khanal, acrescentando que as autoridades tinham ordenado uma mobilização de segurança de 10 mil policiais nos arredores da secretaria do Governo --conhecida como Singha Durbar.
Os agentes cercaram ainda o prédio e proibiram o acesso em um raio de 200 metros.
O enfrentamento, ainda segundo o porta-voz, começou após um grupo de manifestantes maoístas tentar entrar na área proibida.
Os maoístas convocaram um dia de protestos que começou às 8h (0h15 no horário de Brasília) e terminará às 17h, momento em que também termina o horário de trabalho dos funcionários do governo.
Apenas 60% dos empregados do centro foram ao trabalho, devido ao protesto maoísta, segundo Khanal.
Os maoístas venceram as eleições de 2008 e aboliram a monarquia, mas o governo caiu oito meses depois, quando o presidente não aprovou a tentativa dos ex-guerrilheiros de destituir o comandante do Exército.
As manifestações, em diferentes pontos, são lideradas pelos dirigentes do Partido Maoísta, incluindo o ex-primeiro-ministro Pushpa Kamal Dahal, conhecido como Prachanda.
Em maio, e ainda como primeiro-ministro, Prachanda decidiu destituir o chefe do Exército, o general Rookmangud Katawal, mas o presidente do país, Ram Baran Yadav, revogou essa ordem no mesmo dia, o que levou à posterior renúncia do maoísta.
Após a queda do governo maoísta, o partido passou para a oposição e convocou manifestações por todo o país em protesto contra a permanência de Katawal à frente do Exército.
A antiga guerrilha, que lutou contra o poder estatal durante dez anos em uma guerra civil que terminou em 2006, quer que o presidente peça desculpas por bloquear a destituição do comandante do Exército, que os maoístas consideram inconstitucional.
Com Efe e France Presse
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