Mundo
12/11/2009 - 10h21

Polícia enfrenta maoístas que cercam edifícios do governo de Nepal

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da Folha Online

A polícia do Nepal enfrentou nesta quinta-feira com gás lacrimogêneo milhares de militantes e simpatizantes dos rebeldes maoístas que cercaram a secretaria central do governo do Nepal, como parte dos protestos contra a decisão do presidente de restaurar o chefe do Exército ao cargo.

Gritando frases como "abaixo o governo marionete" e exibindo bandeiras vermelhas, os manifestantes cercaram o principal complexo governamental, no centro de Katmandu, e bloquearam a zona.

Rafiq Maqbool/AP
Policiais tentam bloquear apoiadores do Partido Comunista do Nepal durante protesto contra recente decisão do presidente
Policiais tentam bloquear apoiadores do Partido Comunista do Nepal durante protesto contra recente decisão do presidente

"O Nepal pode ter se tornado uma república, mas ainda não é um verdadeiro governo do povo", declarou um dos manifestantes, Shanchalal Waiba, perto do complexo governamental.

Segundo o porta-voz do Ministério do Interior, Jaya Mukunda Khanal, quatro manifestantes e dois policiais ficaram feridos.

"A polícia enfrentou os manifestantes e lançou quatro rajadas de gás lacrimogêneo", disse Khanal, acrescentando que as autoridades tinham ordenado uma mobilização de segurança de 10 mil policiais nos arredores da secretaria do Governo --conhecida como Singha Durbar.

Os agentes cercaram ainda o prédio e proibiram o acesso em um raio de 200 metros.

O enfrentamento, ainda segundo o porta-voz, começou após um grupo de manifestantes maoístas tentar entrar na área proibida.

Os maoístas convocaram um dia de protestos que começou às 8h (0h15 no horário de Brasília) e terminará às 17h, momento em que também termina o horário de trabalho dos funcionários do governo.

Apenas 60% dos empregados do centro foram ao trabalho, devido ao protesto maoísta, segundo Khanal.

Os maoístas venceram as eleições de 2008 e aboliram a monarquia, mas o governo caiu oito meses depois, quando o presidente não aprovou a tentativa dos ex-guerrilheiros de destituir o comandante do Exército.

As manifestações, em diferentes pontos, são lideradas pelos dirigentes do Partido Maoísta, incluindo o ex-primeiro-ministro Pushpa Kamal Dahal, conhecido como Prachanda.

Em maio, e ainda como primeiro-ministro, Prachanda decidiu destituir o chefe do Exército, o general Rookmangud Katawal, mas o presidente do país, Ram Baran Yadav, revogou essa ordem no mesmo dia, o que levou à posterior renúncia do maoísta.

Após a queda do governo maoísta, o partido passou para a oposição e convocou manifestações por todo o país em protesto contra a permanência de Katawal à frente do Exército.

A antiga guerrilha, que lutou contra o poder estatal durante dez anos em uma guerra civil que terminou em 2006, quer que o presidente peça desculpas por bloquear a destituição do comandante do Exército, que os maoístas consideram inconstitucional.

Com Efe e France Presse

 

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