Ex-ministro francês diz que Chirac sabia de tráfico de armas
da Folha Online
O ex-ministro do Interior da França Charles Pasqua, condenado no mês passado por envolvimento em um escândalo de tráfico de armas na década de 1990, acusou nesta quinta-feira o ex-presidente Jacques Chirac e o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin de terem sido informados da negociação, em 1995.
Pasqua foi sentenciado a uma pena de três anos, sendo um ano na prisão, e o restante com direito a sursis, além de receber uma multa de 100 mil euros (R$ 256 mil) por ter recebido dinheiro para arranjar a venda ilegal de armas, desafiando um embargo da ONU a Angola durante a guerra civil daquele país africano.
Dizendo-se vítima de um "linchamento da mídia", Pasqua, de 82 anos, ex-membro da Resistência Francesa ao nazismo e tradicionalmente ligado a Chirac, agora lança ataques a seus ex-companheiros de centro-direita.
"Declaro que as mais altas autoridades do país foram informadas [do contrabando]," disse ele em uma entrevista coletiva, citando Chirac, o ex-premiê Dominique de Villepin e vários ex-funcionários do governo. "Este é um assunto de Estado".
Pasqua reafirmou acusações que havia feito durante o "Angolagate", mas desta vez citou a data e mostrou para as câmaras um documento do DGSE, serviço francês de inteligência externa, sobre esta venda de armas a Angola, destinado a dirigentes do governo.
"Como foi que a Justiça disse que esta venda de armas foi ilegal e as autoridades nada fizeram para conter estas operações e não foram processadas por cumplicidade?", perguntou Pasqua em entrevista à imprensa, acenando com uma nota da DGSE desarquivada durante seu julgamento. A nota era dirigida a "13 destinatários" de altas instâncias do Estado na presidência e nos ministérios das Relações Exteriores e de Defesa.
"Nenhuma destas personalidades foi ouvida pelo juiz instrutor e nenhuma delas se opôs a estas operações sendo que elas foram informadas", insistiu Pasqua.
Nesta quinta-feira, Pasqua voltou a pedir a Nicolas Sarkozy que levante o sigilo de defesa dos documentos referentes à venda de armas a Angola.
Chirac e a velha-guarda da centro-direita francesa já se envolveram em vários escândalos desde que Nicolas Sarkozy tomou posse como presidente, em 2007.
O próprio Chirac é réu em outro caso de enriquecimento ilícito, e Villepin aguarda julgamento pelo chamado caso Clearstream, em que é acusado de tentar difamar Sarkozy para impedir que este disputasse a Presidência --ambos eram ministros e rivais.
O caso "Angolagate" envolve a venda de R$ 790 milhões em armas para esse país africano, entre 1993 e 1998, quando o governo do Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA) combatia a guerrilha Unita. A guerra acabou em 2002, com a morte do líder rebelde Jonas Savimbi.
Pasqua, que também enfrenta outras acusações de corrupção, criticou a sentença do caso Angolagate, qualificando-o de "um julgamento [...] escandaloso". Ele aguardará o recurso em liberdade.
Com Reuters e Efe
Leia mais notícias sobre a França
- Não há lugar para burca na França, diz Sarkozy
- Sarkozy recebe premiê de Israel em busca de reativar diálogo com palestinos
- Sarkozy e Merkel lembram armistício que encerrou Primeira Guerra
Leia mais notícias internacionais
- Estudantes universitários protestam em 20 cidades alemãs
- Obama faz primeira viagem à Ásia sem grandes propostas
- OMS recomenda antivirais para evitar mortes por gripe suína
- Vacinas contra gripe suína podem chegar à América do Sul neste ano
- Britânico é preso ao tentar embarcar com mil aranhas vivas em aeroporto do Rio
Especial


