Fidel diz que Obama terá só um mandato e será substituído pela direita
da Folha Online
Lamentando fazer críticas ao atual presidente americano, o ex-ditador de Cuba Fidel Castro disse nesta quinta-feira que Barack Obama provavelmente terá só um mandato presidencial porque os republicanos impedirão sua reeleição. Ele também disse que novos governos de direita surgirão na América Latina antes do término do mandato dele.
No texto de sua coluna "Reflexiones", publicado pela imprensa oficial cubana, Fidel disse também que Obama provavelmente será sucedido na Casa Branca por um presidente ao estilo de Richard Nixon ou George W. Bush.
"Sustento a opinião de que, antes que Obama conclua seu mandato, haverá de seis a oito governos de direita na América Latina que serão aliados do império. Logo também o setor mais à direita dos Estados Unidos se esforçará para limitar o mandato de Obama a um período de quatro anos de governo", disse Fidel. "Então se veria com toda clareza o que significam estas bases militares absolutamente injustificáveis que hoje ameaçam todos os povos da América do Sul".
Obama chegou ao poder em janeiro e flexibilizou algumas restrições dos Estados Unidos contra Cuba, como as limitações às viagens de cubano-americanos à ilha ou o envio de remessas de dinheiro.
Apesar disso, Havana argumenta que muitas outras questões continuam pendentes, sobretudo os 47 anos de embargo comercial aos quais Cuba atribui a maioria dos problemas da ilha.
"Como lamento ter que criticar Obama, sabendo que naquele país há outros possíveis presidentes piores do que ele", disse Fidel, 83, que foi substituído na Presidência cubana em 2008 por seu irmão caçula Raúl, em função de problemas de saúde. "Apesar de suas qualidades não pode resistir à tentação de pressionar, ameaçar e até enganar os demais".
O primeiro secretário do Partido Comunista cubano, cargo político que Fidel ainda conserva, disse que Obama está deixando sem resolver na região o problema "constrangedor" de Honduras e o acordo pelo qual a Colômbia autorizou soldados americanos a usar bases militares em seu território.
O ex-dirigente cubano disse na semana passada que o acordo para o uso pelos EUA de sete bases militares na Colômbia "equivale à anexação" de Bogotá por Washington. Ele descreveu o acordo como "atroz". Referindo-se à base da baía de Guantánamo, ele destacou que "também em Cuba [os EUA] estabeleceram uma base militar há mais de cem anos e ainda a ocupam. Nela instalaram o horrível centro de tortura, mundialmente conhecido, que Obama não conseguiu fechar ainda".
O governo de Hugo Chávez na Venezuela, país que é importante exportador de petróleo e o principal aliado político e econômico de Cuba, rejeitou de forma veemente o acordo entre Bogotá e Washington e, no domingo passado, instou seus soldados a se prepararem para a guerra para garantir a paz, com isso aumentando a tensão na região.
Também os EUA vêm pressionando pela normalização da crise em Honduras, onde o presidente Manuel Zelaya foi deposto há mais de quatro meses, no que é amplamente considerado um golpe de Estado, embora o governo interino e a instituições do Estado defenda a legalidade da sucessão. O líder deposto disse que Washington não tem feito o suficiente para conduzi-lo de volta ao poder.
Fidel Castro, que se mantém ativo escrevendo colunas de opinião na imprensa estatal cubana, alega que o combate ao narcotráfico, o terrorismo internacional e o tráfico de armas são argumentos usados por Washington para reforçar sua presença militar no hemisfério.
Com Reuters, Efe e France Presse
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