Mundo
12/11/2009 - 20h30

Em SP, presidente de Israel volta a defender papel internacional do Brasil

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DANIELA LORETO
editora de Mundo da Folha Online

O presidente de Israel, Shimon Peres, voltou a defender, nesta quinta-feira, que o Brasil pode ter um papel de mediação no Oriente Médio. Ele afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é "importante" e tem "uma voz forte na comunidade internacional". "O Brasil é a terra da boa vontade, usa mais a boa vontade que a força bruta."

Nesta quarta-feira (11), no segundo dia de sua visita oficial ao Brasil, Peres se encontrou com o presidente Lula, em Brasília, e pediu que ele "acenda as luzes" sobre os conflitos no Oriente Médio. "Sei que o presidente Lula criou um programa chamado Luz Para Todos, mas, senhor presidente, venha e acenda as luzes do Oriente Médio", disse. A menção acabou com um tom de gafe, devido ao apagão que ocorrera na madrugada anterior.

Jorge Araujo/Folha Imagem
Presidente de Israel, Shimon Peres, durante seminário na Fiesp
Presidente de Israel, Shimon Peres, em seminário na Fiesp; em SP, ele voltou a defender papel do Brasil no cenário internacional

Mais cedo, no Congresso, o israelense já havia afirmado que o Brasil tem uma voz "clara e positiva", com um "eco muito alto no mundo inteiro". "Sei que Brasil apoia processo de paz entre esses dois povos. Isso é, então, alternativa única. Árabes e judeus já viveram em paz no passado. Somos de uma mesma família. Irmãos não precisam brigar."

Peres participou nesta quinta-feira de um encontro com empresários brasileiros na Fiesp, em São Paulo. Na terça e quarta, ele esteve em Brasília. Nesta sexta-feira (13), ele encerra sua visita com uma passagem pelo Rio.

Irã

Em São Paulo, Peres também retomou suas críticas ao Irã. Ele reiterou que o presidente Mahmoud Ahmadinejad é "o único líder mundial que prega a destruição de Israel". "Ele também nega o Holocausto. Milhões de pessoas morreram, e ele não leva isso a sério."

No entanto, afirmou que Israel e o Irã não são inimigos. "Fomos amigos em várias ocasiões, não somos inimigos dos iranianos, mas achamos o governo iraniano muito fanático. Além disso, o Irã financia grupos radicais como o Hizbollah, no Líbano, e o Hamas, em Gaza", disse Peres.

O líder de Israel demonstrou reticente com a postura iraniana em relação a armas nucleares. "Ele nega a intenção de construir armas nucleares, mas, se isso é verdade, por que gasta tanto dinheiro em armas? Este homem não tem uma mensagem positiva para o futuro. Com suas atitudes, ele não ajuda o Irã e coloca o país em perigo", acrescentou.

Ontem, o presidente Lula defendeu sua relação com Ahmadinejad e a visita que o iraniano fará ao país já no próximo dia 23. Lula disse que, em um processo de paz, não é possível conversar apenas com partes que concordam entre si.

"Você não constrói a paz necessária de ser construída no Oriente Médio se não conversar com todas as forças políticas e religiosas que queiram a paz e se opõem à paz. Senão você transforma o processo negocial num clube de amigos que todos estão sempre concordando e a paz não será possível nunca", disse.

Venezuela

No evento na Fiesp, Peres falou ainda a respeito do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Para ele, o líder da Venezuela não deve atrapalhar a influência de Israel na América Latina.

"Não acho que Chávez influenciará a política do Mercosul, e sim que o Mercosul influenciará Chávez. O mundo não seguirá o exemplo de Chávez", acrescentou.

Peres ironizou a postura do líder venezuelano, dizendo que concorda com seus conselhos à população para que economize água. Recentemente, Chávez pediu que os venezuelanos não cantem no chuveiro para não desperdiçar água e não usem jacuzzis. "De fato, jacuzzis são antissocialistas", disse Peres.

 

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