Uribe pode antecipar eleição presidencial colombiana, diz ministro
Publicidade
da France Presse, em BogotáO presidente colombiano, Álvaro Uribe, admite a possibilidade de antecipar a eleição presidencial colombiana se perder apoio político, afirmou hoje o ministro do Interior colombiano, Fernando Londoño. O ministro acrescentou que o presidente não pensa em ficar no poder se não puder fazer nada pelo país.
Em uma declaração que imediatamente gerou uma agitação política, Londoño advertiu os dirigentes do Partido Conservador --principal aliado de Uribe-- de que se o partido se lançar na oposição criará uma imensa crise política.
"Não reduzo em nada o significado que teria se a bancada conservadora deixasse de apoiar o governo. Essa é uma situação de crise sem precedentes", afirmou.
| Reuters - 27.mai.2002 |
![]() |
| Alvaro Uribe, presidente da Colômbia |
Revés
"Ele [Uribe] diz que não vai permanecer no Palácio de Nariño (casa presidencial) simplesmente para sobreviver durante dois ou três anos restantes se não puder fazer nada pela nação", afirmou o ministro.
No dia 25 de outubro passado Uribe sofreu um revés quando um referendo no qual apostou não foi aprovado pelos colombianos. Depois dessa derrota houve várias divergências com parlamentares, em particular com aqueles que até agora têm sido seus aliados políticos.
Apesar dessa derrota, uma pesquisa feita na semana passada apontou que Uribe tem um apoio à sua gestão de 80%, o mais alto nos 15 meses de seu governo. O mandato de Uribe termina em agosto de 2006.
A declaração do ministro gerou reações políticas imediatas, muitas delas críticas.
Por essa razão, o próprio ministro decidiu moderar suas palavras, afirmando que "o sentido de minha conversa era de que o presidente da República não é o tipo de pessoa que permanece em um cargo quando não tem nenhum sentido o seu desempenho".
"Por isso falei de uma antecipação de eleições", acrescentou.
"Piromaníaco"
O ex-presidente Ernesto Samper (1994-1998) criticou Londoño: "Estou surpreso com a declaração do ministro, seu papel é apagar os incêndios, mas está agindo como piromaníaco".
Por sua vez, Luis Humberto Gómez, senador do Partido Conservador, disse que tudo o que fala o ministro "é consultado com o presidente, não tenho a menor dúvida, mas não deixa de ser uma grande torpeza política, imensa e totalmente inconveniente para o país neste momento".
Para o senador da oposição Carlos Gaviria, trata-se de "um despropósito, confirma minha impressão de que o presidente tem uma grande vocação autoritária, e as ameaças ditas pelo ministro, se verdadeiras, estão à beira da ruptura constitucional".
O presidente do Congresso, Germán Vargas, disse por sua vez que é "um pouco exagerado, porque não estamos enfrentando uma crise que permitiria induzir uma decisão dessa natureza".
Especial



