Mundo
13/11/2009 - 18h41

Julgamento dos acusados do 11 de Setembro em NY divide os EUA

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da France Presse, em Washington

A decisão do governo Obama de levar os cinco acusados do 11 de Setembro a um tribunal civil em Nova York, dividia nesta sexta-feira os meios políticos e as associações americanas.

No Congresso, os republicanos, que tentaram de várias formas impedir a permanência, em solo americano, dos detidos em Guantánamo, se rebelaram contra o anúncio de um futuro julgamento, confirmado pelo procurador-geral da Justiça, Eric Holder.

"A decisão da Casa Branca de trazer os acusados do 11 de Setembro ao interior de nossas fronteiras [...], ao invés de o fazer na segurança do próprio centro de detenção de Guantánamo significa um passo atrás, representando um risco inútil para os americanos", afirmou em comunicado o líder da minoria republicana, Mitch McConnell.

Howard "Buck" McKeon, o mais alto representante republicano da Comissão de Defesa, qualificou a decisão de "risco inútil para os cidadãos de Nova York". Segundo ele, "solapa a legitimidade do sistema de tribunais militares de exceção" instituídos pelo governo Bush. "Os terroristas que nos declararam guerra devem ser tratados como criminosos e levados à justiça por seus delitos, em tribunais militares", escreveu o senador John McCain, adversário de Barack Obama na eleição presidencial de 2008.

Já o democrata Patrick Leahy, presidente da Comissão Judiciária do Senado, saudou a decisão do governo em relação aos acusados do 11 de Setembro. "Fazendo-o dessa forma, em tribunais civis, mostramos ao mundo que o país mais poderoso da Terra tem confiança em seu judiciário --um sistema respeitado no mundo inteiro", assegurou o senador.

Para Anthony Romero, da organização de defesa das liberdades civis ACLU, "a transferência desses julgamentos para tribunais civis representa uma grande vitória para restabelecer o direito, ao mesmo tempo em que restaura a imagem da América no mundo --uma forma de garantir nossa segurança nacional".

Essa não é, no entanto, a opinião das associações de famílias das vítimas, "9/11 Families for a Secure America Foundation". "Pensamos que se trata de um grande erro", disse Ed Kowalski, um de seus dirigentes. "Permitir a um terrorista e criminoso de guerra ter a chance de se beneficiar da proteção dos direitos constitucionais americanos é um erro e isto jamais aconteceu antes", acrescentou.

Ao contrário, na associação "September Eleven Families for Peaceful Tomorrow" (Famílias do 11 de Setembro por um Amanhã Pacífico, em inglês), Donna Marsh O'Connor, que perdeu a filha nos atentados, declarou-se "feliz" com o fato de Khaled Sheikh Mohammed, o cérebro autoproclamado dos atentados, seja, enfim, levado à justiça. "Achamos que essa é a melhor maneira de fazer", considerou ela.

 

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