Mundo
15/11/2009 - 02h40

Zelaya diz que não aceita mais acordos para sua restituição em carta a Obama

Publicidade

da Efe, em Tegucigalpa

Atualizado às 3h33

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse hoje em carta ao presidente americano, Barack Obama, que já não aceita "nenhum acordo" para sua restituição no poder, do qual foi derrubado no dia 28 de junho passado.

"A partir desta data, qualquer que for o caso, eu não aceito nenhum acordo de retorno à Presidência", expressou Zelaya na carta a Obama, distribuída à imprensa por seus colaboradores.

"Aceitar esse acordo, seria encobrir o golpe de Estado, que sabemos que tem um impacto direto pela repressão militar sobre os direitos humanos dos habitantes de nosso país", acrescentou.

Zelaya reiterou a Obama que "o Acordo Tegucigalpa-San José fica sem valor nem efeito por descumprimento unilateral do governo de fato" de Roberto Micheletti, designado pelo parlamento hondurenho no dia 28 de junho, após o golpe de Estado.

Zelaya também reiterou seus questionamento sobre a mudança de atitude, segundo ele, que os Estados Unidos manifestaram após a assinatura do acordo, no sentido de respaldar as eleições que serão realizadas em Honduras em 29, embora tivesse advertido que não as reconheceria.

"No mesmo dia em que se instalava em Tegucigalpa a Comissão de Verificação do acordo surpreenderam as declarações de funcionários do Departamento de Estado onde modificam sua posição e interpretam o acordo unilateralmente com as declarações seguintes: 'as eleições seriam reconhecidas pelos Estados Unidos com ou sem restituição'" de Zelaya, acrescentou este em sua carta.

"O regime de fato comemorou esta mudança e utilizaram estas declarações para seus objetivos, e imediatamente terminaram por descumprir e violar o acordo", acrescentou.

O líder hondurenho deposto enfatizou que "a nova posição dos funcionários do governo dos Estados Unidos esquiva o objetivo inicial do diálogo de San José, relegando um acordo com o governo legitimamente reconhecido para um segundo plano, e tentando transferir este acordo para um novo processo eleitoral sem importar as condições em que se desenvolva".

"O acordo de 29 de outubro foi concebido para ser implementado de forma integral e simultânea, pois não se contemplaram como 12 acordos separados; foi um só acordo com 12 pontos, o qual tinha um só propósito, restaurar a ordem democrática e a paz social, e com isto se revertesse o golpe de Estado, o que implica o seguro retorno do presidente de República eleito legitimamente por voto popular", disse.

O presidente deposto permanece desde o dia 21 de setembro na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, após voltar clandestinamente a Honduras.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca