Guerrilheiro chama valorização dos curdos na Turquia de "show"
da Efe, em Ancara
O líder do ilegal Partido dos Trabalhadores de Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, chamou de "show" a recente iniciativa do governo da Turquia de conceder mais direitos à minoria curda no país. Em mensagem enviada à imprensa através de seu advogado, o líder guerrilheiro, que cumpre prisão perpétua na Turquia, disse também que seu estado de saúde é ruim.
| AP |
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| Abdullah Ocalan, líder do PKK, que cumpre prisão perpétua na Turquia |
Em suas declarações, emitidas pela agência de notícias pró-curda "Firat News", Ocalan diz que "há grupos no Estado turco que querem resolver o problema curdo e outros que não querem". "Mas está claro o que o governo quer fazer. É um grande 'show', que deve terminar", afirmou Ocalan, em suas declarações.
Segundo o líder do PKK, o islâmico moderado Partido de Justiça e Desenvolvimento (AKP) sempre se junta aos mais fortes e, também na questão curda, no final, fará o que a maioria disser. "Duvido muito da sinceridade do AKP", disse Ocalan, depois do debate parlamentar sobre a reforma dos direitos dos curdos, que é rejeitada pela oposição laica e nacionalista.
O pacote de medidas apresentado na sexta-feira pelo primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, inclui, entre outros pontos, a libertação de todos os prisioneiros curdos menores de idade, a ampliação das emissoras curdas a 24 horas por dia e eliminar certas restrições de movimentação nas regiões curdas.
Sobre seu estado de saúde, o líder de 60 anos disse que este depende da situação política e do processo de paz. "Eu sou um refém político. Sou como alguém ligado a uma máquina de oxigênio. Como medida de castigo, estão ligando e desligando. Se quiserem, poder desligá-la quando quiserem", disse Ocalan.
"Meu estado de saúde não é bom. Tenho problemas urológicos, respiratórios e com minha garganta. Não consigo dormir. É um milagre que possa sobreviver aqui", concluiu o homem que iniciou a luta armada do PKK, há 25 anos.
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