Igreja católica peruana pede perdão por violações de direitos humanos
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da France Presse, em LimaA Igreja Católica peruana pediu perdão ontem por ter ocultado violações a direitos humanos durante o conflito interno que afetou o Peru nas duas últimas décadas.
"A Igreja e todos os peruanos pedem perdão por seus pecados de omissão, que permitiram e ocultaram a violação dos mais essenciais direitos humanos", declarou a Conferência Episcopal, ao se pronunciar sobre o informe da Comissão para a Verdade e a Reconciliação (CVR).
O informe final da CVR, divulgado em agosto passado, listou 69.280 mortos e mais de 7.500 desaparecidos entre 1980 e 2000, durante os confrontos entre forças de segurança e movimentos guerrilheiros.
A hierarquia católica também se desculpou pela "corrupção pública ou privada, as injustas estruturas sociais, a indiferença, a marginalização e o esquecimento dos peruanos mais pobres".
A Igreja defendeu uma "reconciliação integral, baseada na verdade e na justiça", que afaste da sociedade peruana "a marginalização, o racismo, a desigualdade e a injustiça".
Os bispos destacaram como dever "moral" conceder indenizações individuais ou coletivas às vítimas da violência política, em maioria pobres de origem andina.
A Igreja pediu ao governo definir "uma clara diferença entre as indenizações [individuais e coletivas] e os programas de desenvolvimento" oferecidos nas áreas afetadas.
Reconhecimento inédito
O pronunciamento da Igreja reconhece pela primeira vez, como ressaltou o informe da CVR, que o Peru viveu um período sombrio, marcado por "assassinatos de pessoas e populações, execuções arbitrárias e desaparecimentos forçados".
Também foram reconhecidas "torturas, violações sexuais, destruição de meios de produção e serviços, e discriminação e exclusão".
"Para que este período de vergonha nacional não se repita, temos de ir às raízes de certas situações dolorosas. Faltam transformações audazes, urgentes e renovadoras", destacaram os bispos.
Fiéis à doutrina social da Igreja, os bispos acreditam que é urgente lutar contra a violência institucionalizada e contra uma crescente desigualdade econômica, social e cultural, para neutralizar os grupos subversivos que exploram a pobreza das população.
O informe da CVR atribuiu aos movimentos Sendero Luminoso (maoista) e MRTA (guevarista) mais de 50% das vítimas do conflito, durante o qual o terror indiscriminado foi praticado de forma constante.
O texto também acusou as Forças Armadas de sistemática violação dos direitos humanos, imputação desmentida pelo governo do presidente Alejandro Toledo.


