Bush propõe legalização temporária de imigrantes
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da France Presse, em Washingtonda Folha Online
O presidente norte-americano, George W. Bush, propôs hoje um programa de legalização temporária de "milhões de imigrantes" que já estão nos Estados Unidos, e que abrangeria outros estrangeiros interessados em trabalhar no país.
"Precisamos de leis de imigração que funcionem", afirmou Bush ao fazer sua proposta em um discurso na Casa Branca, em Washington. Ele acrescentou que pediu ao Congresso que aprove seu projeto.
O programa proposto "oferecerá status legal de trabalhadores temporários a milhões de homens e mulheres indocumentados atualmente empregados nos Estados Unidos e àqueles que estão em países estrangeiros e buscam participar do programa", disse Bush.
A proposta do presidente americano, que requer a aprovação do Congresso, prevê a concessão de vistos de trabalho de três anos, renováveis por um período indeterminado, aos que já têm emprego nos Estados Unidos ou a estrangeiros amparados por um patrão que não encontre um americano para preencher esta vaga.
Os três anos "serão renováveis, mas terão um fim", disse Bush, que insistiu em sua oposição a uma anistia em massa para os ilegais no país.
Para retornar aos seus países de origem, os estrangeiros contarão com incentivos, como o reconhecimento dos anos trabalhados nos Estados Unidos para suas aposentadorias e a abertura de contas de poupança isentas de impostos, que podem ser abertas se deixarem o país, acrescentou.
Imigrantes
O presidente norte-americano elogiou o trabalho dos imigrantes nos Estados Unidos, inclusive nas Forças Armadas.
O anúncio de Bush foi feito dias antes de sua viagem ao México para a Cúpula das Américas. Metade dos cerca de 8 milhões de imigrantes clandestinos que já trabalham nos Estados Unidos é de mexicanos.
"Por senso comum e justiça, nossas leis devem permitir aos trabalhadores que desejarem ingressar em nosso país ocupar as vagas que os americanos não estão ocupando", disse Bush.
Bush também anunciou que buscará um aumento dos vistos de residência e trabalho permanentes (os chamados "green cards") concedidos anualmente, que podem levar à obtenção da cidadania americana após vários anos.
"A fila para conseguir a cidadania é muito longa e nossos limites atuais sobre a imigração legal, muitos baixos", disse Bush, que espera conquistar o voto dos hispânicos, a principal minoria do país, para sua reeleição na disputa presidencial de novembro.
Se for aprovado, o programa ajudará a economia dos Estados Unidos e tornará o país mais seguro, disse.
"Em vez da situação atual, na qual milhões de pessoas são desconhecidas pela lei, a polícia enfrentará menos problemas com trabalhadores sem documentação, e poderemos nos concentrar mais nas verdadeiras ameaças a nossa nação de criminosos e terroristas", disse Bush.
Os trabalhadores temporários poderão viajar livremente pelos Estados Unidos, o que implicará "uma administração mais eficiente das fronteiras", acrescentou.
Cúpula
Bush telefonou hoje para o presidente mexicano, Vicente Fox, que transformou o tema migratório na prioridade de sua política externa, quando chegou ao poder em 2000. Washington perdeu o interesse no assunto, porém, após os ataques do 11 de Setembro de 2001.
O presidente americano chegará na próxima segunda-feira (12) a Monterrey, onde participará da Cúpula das Américas, com a proposta migratória na bagagem.
O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, comentou que ambos os chefes de Estado tiveram uma "boa conversa" por telefone. Fox, por sua vez, qualificou a proposta de Bush de "muito interessante" em uma coletiva de imprensa no México.
Críticas
Grupos de defesa dos hispânicos expressaram, porém, sua decepção com a proposta de Bush, considerando-a uma estratégia eleitoreira, que não abre caminho para a legalização permanente dos estrangeiros em situação ilegal residentes nos Estados Unidos.
"Estamos profundamente decepcionados, porque esta não é uma legalização, mas a criação de um novo programa de trabalhadores temporários", disse Michelle Waslin, do Conselho Nacional La Raza (NCLR), a maior organização de defesa dos direitos dos hispânicos em Washington.
"Depois de dois anos de silêncio, o presidente finalmente disse algo sobre os imigrantes durante o ano eleitoral. É claro, que ele está tentando conquistar o voto latino, mas não poderá fazê-lo com esta proposta", afirmou.
Legisladores democratas e republicanos conservadores também atacaram o projeto. Os primeiros o consideram insuficiente, enquanto os governistas o chamam de muito ambicioso.
Com agências internacionais
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