Mundo
24/02/2004 - 16h21

Número de mortos no terremoto em Marrocos chega a 300

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da Folha Online

Ao menos 300 pessoas morreram no terremoto que atingiu a Província de Al Hoceima, norte do Marrocos, na madrugada de hoje, segundo as autoridades locais. Muitas das vítimas eram mulheres, crianças e idosos.

De acordo com o US Geological Survey (instituto especializado em acidentes naturais ligado ao governo norte-americano), o epicentro do tremor de 6,5 graus na escala Richter foi no mar Mediterrâneo, 160 quilômetros a nordeste da cidade de Fez El Bali, às 2h27 (23h30 de ontem, no horário de Brasília), quando muitas pessoas ainda estavam dormindo.

A agência oficial MAP informa que o vilarejo de Ait Kamara, 14 quilômetros ao sul de Al Hoceima, foi "completamente destruído". A maioria das casas é feita de tijolos de barro. Duas cidades próximas, Im Zouren e Bni Hadifa, também foram gravemente atingidas.

As autoridades já haviam contado 140 mortos em Ait Kamara, mas estimam que possa haver mais de 300 mortos, baseados nos contatos com outros vilarejos, segundo um porta-voz das autoridades locais que não quis se identificar.

Mulheres e crianças

O ex-ministro dos Direitos Humanos do país Mohammed Ziane disse que é provável que a maioria das vítimas do tremor sejam mulheres, crianças e idosos. "Essa é uma verdadeira tragédia", disse Ziane. "Os homens [moradores do vilarejo] partem para trabalhar na Holanda e na Alemanha."

Uma representante da Federação Internacional da Cruz Vermelha, Josephine Shields, citando oficiais da Defesa Civil em Al Hoceima, disse que a vila de Ait Kamara --onde vivem cerca de 6.000 pessoas-- foi "completamente destruída".

"As últimas notícias que temos são de que cerca de 300 pessoas podem estar mortas e outras 600 podem estar feridas", disse Shields. Segundo ela, os serviços do hospital de Al Hoceima, Mohammad 5º, e dos centros de saúde "estão saturados".

O número de mortos subiu rapidamente à medida em que as equipes de resgate começaram a chegar às áreas mais atingidas. Militares e civis foram enviados para ajudar os sobreviventes e procurar vítimas sob os escombros. O acesso é difícil, no entanto, devido às estradas estreitas e em péssimo estado que levam ao local.

Segundo o ministro do Interior do país, Mustapha Sahel, o número de mortos deve aumentar. "Quando achamos que já vimos todos os mortos e feridos, outros chegam em ambulâncias", disse outro médico do Hospital Mohammad 5º, de Al Hoceima.

Condolências

O rei de Marrocos, Mohammed 6º, em uma mensagem de condolências, prometeu fazer todos os esforços possíveis para mobilizar "recursos materiais e humanos" às regiões afetadas. O rei chamou o terremoto de um "desafio do destino".

Al Hoceima, uma das maiores cidades no norte do país e cuja população é na maioria formada por berberes, foi fundada por espanhóis, inicialmente como um posto militar, no início do século 20, com o nome de Vila Sanjuro.

Embora seja um ponto turístico por causa de suas praias mediterrâneas, a região sofre com a extrema pobreza e o subdesenvolvimento devido à negligência do governo após uma rebelião berbere [nômades que formam a segunda maior etnia do Marrocos] em 1960. A economia local é sustentada pela pesca e por fazendeiros.

O abalo --que foi sentido através do estreito de Gibraltar-- afetou prédios de apartamentos nas regiões de Andaluzia e Múrcia (sul e sudeste da Espanha), mas não houve relatos de danos. Houve também um tremor na região dos Alpes, no sul da França. Não foram registrados danos também.

O último tremor na área atingiu 6 graus na escala Richter, em 1994. O pior terremoto em Marrocos, no entanto, aconteceu em 1960, quando 12 mil pessoas morreram em um abalo que destruiu a cidade de Agadir.

Com Associated Press

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