Mundo
24/02/2004 - 19h24

Terremoto em Marrocos mata 564 e fere centenas, diz agência

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da Folha Online

Cerca de 564 pessoas morreram e centenas foram feridas no terremoto que atingiu a Província de Al Hoceima, norte do Marrocos, na madrugada de hoje, segundo informações da MAP, agência de notícias oficial do país. Muitas das vítimas eram mulheres, crianças e idosos.

A MAP disse que há, até o momento, 564 mortos, mas alertou que o número de baixas pode subir.

O terremoto atingiu áreas rurais perto da cidade costeira de Al Hoceima, uma região isolada entre montanhas e o mar Mediterrâneo, que atrai muitos turistas às praias locais.

De acordo com o US Geological Survey (instituto especializado em acidentes naturais ligado ao governo norte-americano), o epicentro do tremor de 6,5 graus na escala Richter foi no mar Mediterrâneo, 160 quilômetros a nordeste da cidade de Fez El Bali, às 2h27 (23h30 de ontem, no horário de Brasília), quando muitas pessoas ainda estavam dormindo.

A agência oficial MAP informa que o vilarejo de Ait Kamara, 14 quilômetros ao sul de Al Hoceima, foi "completamente destruído". A maioria das casas é feita de tijolos de barro. Duas cidades próximas, Im Zouren e Bni Hadifa, também foram gravemente atingidas.

Mulheres e crianças

O ex-ministro dos Direitos Humanos do país Mohammed Ziane disse que é provável que a maioria das vítimas do tremor sejam mulheres, crianças e idosos. "Essa é uma verdadeira tragédia", disse Ziane. "Os homens [moradores do vilarejo] partem para trabalhar na Holanda e na Alemanha."

Uma representante da Federação Internacional da Cruz Vermelha, Josephine Shields, citando oficiais da Defesa Civil em Al Hoceima, disse que a vila de Ait Kamara --onde vivem cerca de 6.000 pessoas-- foi "completamente destruída".

Segundo a MAP, os serviços do hospital de Al Hoceima, Mohammad 5º, e dos centros de saúde "estão saturados".

O número de mortos subiu rapidamente à medida em que as equipes de resgate começaram a chegar às áreas mais atingidas. Militares e civis foram enviados para ajudar os sobreviventes e procurar vítimas sob os escombros. O acesso é difícil, no entanto, devido às estradas estreitas e em péssimo estado que levam ao local.

Segundo o ministro do Interior do país, Mustapha Sahel, o número de mortos deve aumentar. "Quando achamos que já vimos todos os mortos e feridos, outros chegam em ambulâncias", disse outro médico do Hospital Mohammad 5º, de Al Hoceima.

Condolências

O rei de Marrocos, Mohammed 6º, em uma mensagem de condolências, prometeu fazer todos os esforços possíveis para mobilizar "recursos materiais e humanos" às regiões afetadas. O rei chamou o terremoto de um "desafio do destino".

Al Hoceima, uma das maiores cidades no norte do país e cuja população é na maioria formada por berberes, foi fundada por espanhóis, inicialmente como um posto militar, no início do século 20, com o nome de Vila Sanjuro.

Embora seja um ponto turístico por causa de suas praias mediterrâneas, a região sofre com a extrema pobreza e o subdesenvolvimento devido à negligência do governo após uma rebelião berbere [nômades que formam a segunda maior etnia do Marrocos] em 1960. A economia local é sustentada pela pesca e por fazendeiros.

O abalo --que foi sentido através do estreito de Gibraltar-- afetou prédios de apartamentos nas regiões de Andaluzia e Múrcia (sul e sudeste da Espanha), mas não houve relatos de danos. Houve também um tremor na região dos Alpes, no sul da França. Não foram registrados danos também.

O último tremor na área atingiu 6 graus na escala Richter, em 1994. O pior terremoto em Marrocos, no entanto, aconteceu em 1960, quando 12 mil pessoas morreram em um abalo que destruiu a cidade de Agadir.

Com Associated Press

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