Espanha protesta contra atentados; ETA nega participação
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da Folha OnlineDois milhões de pessoas se concentraram hoje no centro de Madri para a manifestação de repúdio aos atentados de ontem na capital espanhola, que deixaram 199 mortos e mais de 1.400 feridos, segundo informações da polícia, citada pelas agências de notícias Reuters e Associated Press e pelos jornais espanhóis "El País" e "El Mundo".
Segundo o censo de 2001 publicado no site da prefeitura de Madri, a população da cidade é de cerca de 4,6 milhões de habitantes.
O grupo terrorista e separatista basco ETA negou participação no massacre.
A manifestação começou por volta das 19h (15h em Brasília). Espera-se que seja a maior da história do país contra o terrorismo. Está prevista a presença dos principais líderes políticos, sindicais e sociais espanhóis.
| Jon Dimis/AP |
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| Manifestantes mostram mãos com luvas brancas em sinal de pedido de paz durante protesto em Madri |
Mais cedo --às 12h (8h em Brasília)--, boa parte da Espanha parou em sinal de luto pelos mortos.
As vigílias silenciosas --algumas duraram cinco minutos; outras, até 15-- acabaram com aplausos. O ataque de ontem foi o pior já sofrido por um país membro da União Européia.
No Paseo de la Castellena, o tráfego parou e os motoristas ficaram ao lado dos carros. No hospital Gregorio Maranon, onde estão muitas das vítimas, os funcionários reuniram-se na fachada, atrás de uma bandeira do país.
Mensagem
O ETA negou participação nos atentados, afirmou hoje a mídia basca, citando telefonemas do grupo separatista.
"Uma mensagem do ETA chegou dizendo que ele não tinha nenhuma responsabilidade no ataque", afirmou um apresentador da TV pública basca ETB.
O jornal basco "Gara" também afirmou em seu site que tinha recebido um telefonema de uma pessoa que declarou representar o ETA dizendo que o grupo "não tinha responsabilidade" nos ataques.
Não houve meios de confirmar independentemente a autenticidade da ligação, mas o ETA se responsabilizou por ataques anteriores por meio da TV ETB e do jornal "Gara".
Há especulações de que o padrão das explosões e a escala dos ataques indicavam o possível envolvimento de militantes islâmicos, apesar de Madri insistir que o ETA é o principal suspeito.
Os atentados foram "sincronizados" e ocorreram em diferentes linhas de trens de Madri, em pleno horário de pico.
Segundo autoridades, as bombas usadas nos atentados de ontem foram ativadas por telefone celular e tinham detonadores de cobre, que não são normalmente usados pelo ETA (Pátria Basca e Liberdade) e prega a independência.
Segundo a rádio Cadena Ser, fontes de segurança disseram que as bombas foram ativadas por celulares com alarmes programados para as 7h39 (3h39 em Brasília).
O detonador de uma bomba que não explodiu e foi recuperado pela polícia continha um dispositivo de cobre. O ETA geralmente usa detonadores de alumínio, de acordo com a reportagem.
O Ministério do Interior não pôde confirmar imediatamente a notícia.
O governo espanhol disse inicialmente que acreditava que o ETA era o mais provável culpado pelas explosões simultâneas em quatro trens. Mas uma carta supostamente de um grupo ligado à rede terrorista Al Qaeda assumiu a autoria do ataque.
Investigação
O primeiro-ministro da Espanha, José María Aznar, disse hoje que o governo espanhol seguirá 'todas as linhas de investigação' para descobrir os responsáveis pelos ataques.
"As provas vão frutificar", afirmou.
Aznar declarou ainda que as eleições de domingo (14) no país deverão ocorrer conforme o planejado.
O premiê espanhol afirmou que, além, de espanhóis, os mortos nas explosões são de 11 diferentes países.
Além de cidadãos espanhóis, estão entre os mortos três peruanos, dois hondurenhos, dois poloneses, um chileno, um cubano, um equatoriano, um guineense, um francês, um marroquino e um colombiano, disse o premiê.
Muitos dos feridos também são de diferentes países. Ao menos um brasileiro está hospitalizado.
De acordo com Aznar, os imigrantes ilegais atingidos nos ataques receberão cidadania espanhola.
"Dei instruções ao Ministério do Interior para agir urgentemente com a regularização da situação de todas as vítimas dos ataques e seus familiares que possam estar em situação irregular de imigração", afirmou.
Com agências internacionais
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