Europa condena assassinato de líder do Hamas
da Folha OnlineA União Européia (UE) condenou hoje o assassinato do xeque Ahmed Yassin, 67, fundador e líder espiritual do grupo extremista palestino Hamas, pelo Exército israelense. Rússia, França, Reino Unido e o Vaticano, individualmente, também se mostraram contra a ação.
Hoje de manhã, Yassin foi morto em uma operação de "assassinato seletivo" na saída da mesquita do bairro de Sabra, em Gaza, onde tinha ido para a oração matinal. Um helicóptero israelense disparou três foguetes.
O Exército israelense confirmou em um comunicado sua responsabilidade no assassinato, enquanto milhares de palestinos saíam às ruas para manifestar sua ira.
"A UE é sempre contra assassinatos extrajudiciais", que "não só são contrários à lei internacional", mas também "minam o Estado de direito, que é um elemento chave na luta contra o terrorismo", defendeu o Conselho de Ministros de Relações Exteriores em um comunicado.
Os europeus "reconhecem o direito de Israel de proteger seus cidadãos contra ataques terroristas", e "pode fazer isso segundo o direito internacional. Entretanto, não tem direito de praticar assassinatos extrajudiciais", diz o comunicado.
Por outro lado, a UE afirma que "condena reiteradamente as atrocidades terroristas cometidas pelo Hamas, que causaram a morte de centenas de israelenses".
A UE diz ainda que o assassinato de Ahmed Yassin fez a situação na região retroceder, mas pede a israelenses e palestinos "moderação e a não cometerem atos de violência, que só causariam mais mortes" e diminuiriam "cada vez mais as perspectivas de uma solução pacífica".
Para finalizar, declaram que a "violência não substitui as negociações políticas, que são necessárias para uma solução justa e duradoura", e que a "outra rota" --plano de paz apoiado pela UE, Estados Unidos, Rússia e ONU (Organização das Nações Unidas)-- "segue sendo a base para chegar a um acordo".
Opinião conjunta
A Rússia se declarou "profundamente preocupada" com a morte de Ahmed Yassin. "A situação criada provoca em Moscou uma grave preocupação. Pode causar uma nova onda de atos de violência que faria fracassar os esforços pelo reinício do processo de negociação entre palestinos e israelenses", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Alexandre Iakovenko, em um comunicado.
A França também condenou o assassinato, fato que "contraria o direito internacional", declarou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores francês, Hervé Ladsous. "Esse ataque comporta riscos muito graves de reação da tensão no conjunto da região", disse o porta-voz.
O chefe da diplomacia britânica, Jack Straw, classificou de "inaceitável e injustificada" a morte do fundador e líder espiritual do grupo extremista palestino Hamas. "É injustificado e é provável que [Israel] não consiga seu objetivo", declarou o chanceler britânico à imprensa, ao chegar para uma reunião de ministros europeus de Relações Exteriores em Bruxelas.
O Vaticano também condenou a ação e chamou de "um ato de violência que não pode ser justificado por nenhum Estado de direito", declarou o porta-voz Joaquín Navarro Valls. "O Vaticano se une à comunidade internacional para rechaçar esse ato de violência", afirmou Valls. "A paz autêntica e duradoura não pode ser fruto da simples exibição da força: é sobretudo fruto de uma ação moral jurídica."
"A opção das armas e ao recurso do terrorismo de um lado e do outro a repressão, a humilhação do adversário e a propaganda odiosa não levam ninguém a lugar nenhum", completou.
Com agências internacionais
Especial

