Funeral de líder do Hamas leva 200 mil às ruas de Gaza
da Folha OnlineCerca de 200 mil pessoas, simpatizantes do Hamas e de outros grupos extremistas palestinos, invadiram hoje as ruas de Gaza, pedindo vingança, após o assassinato do xeque Ahmed Yassin, fundador e líder espiritual do Hamas.
O funeral do xeque foi considerado a celebração mais importante no território palestino desde o início da Intifada (revolta palestina contra a ocupação israelense), em setembro de 2000.
Avançando lentamente pelas ruas de Gaza, militantes do braço militar do Hamas, encapuzados e armados com fuzis, levaram o corpo do líder espiritual do hospital Al Shifa até o "Cemitério dos Mártires".
Antes de chegar, o cortejo passou pela casa do xeque, no bairro de Sabra, e depois pela mesquita Al Omari, a maior de Gaza, para orações pelo morto. O caixão estava envolto com uma bandeira verde do Hamas, com a inscrição: "Não existe mais que um Deus, e Maomé é seu profeta".
No cemitério, dois homens de barba tiraram o corpo do caixão, envolto em um lenço branco, e beijaram o rosto do xeque, antes de enterrá-lo. Também colocaram na cova bolsas negras com pedaços de cadáver, recolhidos no lugar do ataque.
Agentes do Hamas tentaram manter distantes os simpatizantes mais exaltados, que queriam tocar ou ver, pela última vez, o líder espiritual.
"Ele nos ensinou o martírio e o sacrifício, e prometemos seguir por esse caminho. Nosso xeque se foi, nosso maestro se foi", disse Ismail Haniyé, principal assistente de Yassin e um dos principais chefes políticos do Hamas.
Combatentes dispararam diversas vezes para o alto enquanto o cortejo se dirigia ao cemitério. Os oradores faziam homenagens ao "xeque mártir" em alto-falantes transportados por carros.
Com o rosto coberto e com um fuzil de assalto Kalashnikov em mãos, um integrante do braço militar da Frente Popular para a Libertação da Palestina prometeu ao primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, o mesmo destino que teve o ministro Rehavam Zeevi, assassinado pelo grupo em 2001.
Gritando "vingança, vingança", a multidão carregava imagens do xeque, bandeiras verdes do Hamas e de outros grupos palestinos, inclusive do Hizbollah.
Hoje de manhã, Yassin foi morto em uma operação de "assassinato seletivo" efetuada por helicópteros israelenses, que deixou outros sete mortos e 15 feridos, incluindo dois de seus filhos, provocando ódio, ameaças de vingança e uma forte tensão nos territórios palestinos.
Yassin foi morto em sua cadeira de rodas na saída da mesquita do bairro de Sabra, em Gaza, onde tinha ido para a oração matinal. Um helicóptero israelense disparou três foguetes.
O Exército israelense confirmou em um comunicado sua responsabilidade no assassinato, enquanto milhares de palestinos saíam às ruas para manifestar sua ira.
O Izzedin al Qassam, braço armado do Hamas, prometeu em um comunicado um "terremoto" como represália. "Quem tomou a decisão de assassinar o xeque Ahmed Yassin, decidiu de fato matar centenas de sionistas", afirmou o Izzedin al Qassam no comunicado.
Com agências internacionais
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