Mundo
08/04/2004 - 11h47

EUA perdem controle de cidades; soldados e civis são mantidos reféns

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da Folha Online

As forças da coalizão perderam o controle das cidades de Najaf e Kut, ao sul da capital Bagdá. Em Kut, tropas ucranianas foram forçadas a bater em retirada. Militantes xiitas tomaram os principais pontos das cidades e mantêm como reféns espanhóis, japoneses, sul-coreanos e um americano.

O general do Exército norte-americano Ricardo Sanchez admitiu nesta manhã que as tropas da coalizão estão somente em suas bases nos subúrbios.

Sanchez reconheceu que a milícia armada Al Mahdi, liderada pelo líder xiita Moqtada al Sadr, tem controle total sobre a cidade de Kut e controle parcial de Najaf.

O general afirmou também que, aparentemente, há ligações entre a milícia xiita --que está em confronto com as forças de coalizão em várias cidades ao sul do país-- e os insurgentes sunitas que permanecem em uma longa batalha contra as tropas dos EUA no centro do Iraque. Segundo Sanchez, as forças da coalizão vão recuperar Kut "de maneira iminente".

Seqüestros

A milícia armada de Moqtada al Sadr afirmou nesta quinta-feira que tem em seu poder reféns espanhóis e um americano. A informação foi dada por um dos responsáveis pelo movimento no bairro xiita Cidade de Sadr, em Bagdá. Outro grupo de militantes afirmou manter japoneses como reféns.

"Possuímos reféns da coalizão, em sua maioria espanhóis, e é possível que tenhamos um soldado americano que queremos trocar por Mustafah al Yaakubi (um dos chefes da milícia em Najaf)", disse o xiita Amar al Husseini.

Porém, um porta-voz da da brigada espanhola Plus Ultra no Iraque desmentiu à agência de notícias Europa Presse que a milícia xiita de Al Sadr tenha em seu poder soldados espanhóis.

Japoneses

Insurgentes iraquianos que se auto-intitulam "As Brigadas Mujahideen" afirmaram ter sob seu poder três japoneses. Eles ameaçaram matar os reféns em três dias caso as forças japonesas não se retirem do Iraque. A informação foi transmitida pela televisão árabe Al Jazeera nesta quinta-feira, exibindo um vídeo em que os seqüestradores mostram os supostos passaportes dos japoneses.

Uma mulher é uma das reféns. O vídeo mostra também três documentos de identificação, sendo um deles uma credencial de imprensa emitida na jordânia.

De acordo com a a televisão estatal japonesa NHK, em Tóquio, o Ministério do Interior japonês montou uma sala de operações e está tentando confirmar a notícia com as forças locais.

O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, tem sido um dos principais apoiadores da ocupação liderada pelos Estados Unidos no Iraque. Esta posição deixa as tropas japonses preocupadas de serem alvos de ataques de insurgentes no país.

Sul-coreanos

Oito sul-coreanos também foram seqüestrados hoje por rebeldes iraquianos e um deles teria fugido mais tarde, segundo fontes do Ministério de Relações Exteriores em uma nota da agência "Yonhap".

O ministro das Relações Exteriores, Sangong Jangtaek, informou que os oito sul-coreanos eram religiosos que estavam viajando de Amã a Bagdá quando foram capturados.

Em meio à crise, o ministro do Interior iraquiano, Nuri Badrane, anunciou hoje sua demissão. A decisão foi tomada depois que o administrador civil dos EUA no Iraque, Paul Bremer, expressou insatisfação. "Bremer não está satisfeito com a performance do Ministério", afirmou Badrane ao anunciar sua demissão.

Versão dos EUA

Ontem o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, afirmou que as forças norte-americanas estão enfrentando "um problema sério" no Iraque. Ele fazia referência às ações de grupos rebeldes radicais. Rumsfeld disse, no entanto, que "o problema está sendo resolvido" e que os EUA ainda têm total "controle sobre o país".

O secretário --um dos "falcões" da Casa Branca-- disse ainda que parte dos soldados terão sua volta para casa adiada.

O Pentágono decidiu manter parte do contingente americano no Iraque por mais tempo do que o previsto para tentar garantir a segurança no país, frente a recente onda de violência. Atualmente há cerca de 135 mil soldados dos EUA no Iraque.

Com agências internacionais

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