Mundo
25/04/2004 - 22h16

Milhares de mulheres fazem manifestação pró-aborto nos EUA

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da Folha Online

Entre 500 mil e 750 mil pessoas, segundo cálculo dos organizadores, participaram ontem em Washington de uma marcha pró-aborto e em defesa dos direitos das mulheres.

Mulheres e adolescentes, em sua maioria, gritavam slogans a favor do aborto e contra o presidente George W. Bush, que condena a prática. John Kerry apoiou a marcha.

A manifestação começou às 10h (11h de Brasília), na área do Mall, onde ficam o Congresso dos Estados Unidos, a Casa Branca, os museus e os principais monumentos da cidade.

Para evitar qualquer incidente com os partidários do "direito à vida", que decidiram fazer uma contra-manifestação, milhares de policiais foram deslocados ao longo do percurso da passeata.

Milhares de jovens manifestantes passaram a noite nos parques da capital americana. No começo da madrugada, vários grupos começaram a se reunir na área do Mall com cartazes em defesa do direito de aborto e criticando a política de George Bush sobre o tema.

Os organizadores do evento esperavam reunir entre 500 mil e 750 mil participantes, em um dos protestos mais importantes da história dos Estados Unidos em defesa do direito ao aborto.

Várias artistas de Hollywood, como Charlize Theron, Demi Moore, Sharon Stone, Helen Hunt, Julia Stiles, Kirsten Dunst, Salma Hayek, Uma Thurman e Cindy Crawford, anunciaram seu apoio à manifestação e compareceram ao protesto.

"Se o governo decidir proibir o direito ao aborto legal e seguro, sabendo que as mulheres querem abortar, elas o farão e isso incentivará as mulheres a arriscar suas vidas. Por isso eu participo da manifestação", disse a atriz Whoopi Goldberg, uma das organizadoras da "Marcha pela vida das mulheres".

No dia 1º de abril, o presidente americano, George Bush, promulgou uma lei que concede ao feto um status jurídico em caso de agressão contra uma mulher grávida. A lei, votada pelo Congresso no final de março, foi criticada por defensores do direito ao aborto, que a consideram um meio de voltar a condenar o direito ao aborto.

No final de 2003, Bush promulgou outra lei proibindo o método abortivo tardio, iniciativa contra a qual foram apresentadas várias ações judiciais.

O aborto, legalizado nos Estados Unidos no dia 22 de janeiro de 1973 por uma decisão da Suprema Corte, é um dos temas da campanha presidencial.

A senadora democrata Hillary Clinton defendeu neste domingo o direito ao aborto e pediu voto para o candidato à presidência de seu partido, John Kerry, favorável à manutenção da atual legislação.

"Todas as pessoas aqui presentes não estão na manifestação apenas para defender a vida das mulheres, mas também para uma mobilização com vistas à eleição presidencial de novembro", disse Hillary, durante um encontro com militantes da Naral, uma das organizações pró-aborto participantes.

Com France Presse

 

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