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Presos iraquianos são torturados sistematicamente, diz relatório
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da France Presse, em Washington
Um relatório elaborado pelo Exército americano sobre as torturas praticadas por soldados contra detentos iraquianos destaca o caráter sistemático destes maus-tratos, contrariando as declarações do chefe do Estado-Maior americano, general Richard Myers.
O relatório de 53 páginas, elaborado pelo general Antonio Taguba e rotulado como "Secreto/divulgação proibida a estrangeiros", afirma que "diversos soldados cometeram atos indignos e graves violações do direito internacional em Abu Gharib e no Campo Bucca", segundo trechos publicados no jornal "Los Angeles Times".
"Entre outubro e dezembro de 2003, na prisão de Abu Gharib, várias torturas sádicas, flagrantes e gratuitas foram praticadas contra numerosos detentos. Estes maus-tratos, vinculados ao sistema e ilegais contra prisioneiros, foram cometidos de forma intencional por vários membros da polícia militar americana", relata o general Taguba.
O general Myers tentou no domingo minimizar estas revelações, sustentando que se tratava de fatos isolados. "A prática da tortura não é sistemática", ressaltou, admitindo que não havia visto o relatório de Taguba.
Fotos
O escândalo foi revelado em 28 de abril com a divulgação de fotos pela rede de televisão americana CBS, que mostravam detentos nus aglutinados diante de sorridentes soldados americanos.
O relatório, elaborado a pedido do general americano Richard Sanchez, dirigente das forças terrestres da coalizão no Iraque, lista uma série de torturas: militares americanos "bateram" e "pularam nos pés descalços" dos prisioneiros, "amedrontaram os detentos com cães sem focinheiras", "sodomizaram um preso", "ameaçaram os prisioneiros masculinos de estupro".
O general Taguba acredita que a prática da tortura foi recomendada pelos serviços de inteligência militar. Ele cita o sargento Javal Davis, que "ouviu falar que a inteligência militar sugeriu aos guardas que cometessem atos de tortura contra os prisioneiros".
Segundo este sargento, os serviços de inteligência teriam dito: "Prepare esse cara para nós. Garanta que ele passe uma noite em claro, e que ele receba o tratamento".
A inteligência militar elogiava em seguida o trabalho dos torturadores. "Bom trabalho, eles estão cedendo muito rápido. Eles estão respondendo a cada pergunta, e fornecendo boas informações", eram alguns dos comentários escutados após o "trabalho", segundo o sargento Davis.
A general da reserva Janis Karpinski, encarregada de gerenciar o sistema penitenciário militar americano no Iraque e que foi demitida de suas funções, também acusou a inteligência militar.
Karpinski "acusa agentes da inteligência de terem dado certas idéias à polícia militar em Abu Gharib, que levaram a torturas contra detentos", escreve o general Taguba.
Myers desmentiu qualquer envolvimento da inteligência militar.
No seu relatório, Taguba tenta explicar como as torturas puderam ser praticadas. O general constatou principalmente a "falta de instrução ou formação da polícia militar sobre os regulamentos da Convenção de Genebra", que define o estatuto dos prisioneiros de guerra.
Taguba destaca também "fatores psicológicos, como as diferenças culturais, a qualidade de vida dos soldados, o risco de morte permanente, e o fato de que o comando não tenha admitido a existência destas pressões", para justificar o comportamento sádico dos militares americanos em Abu Gharib.
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