07/05/2004
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16h23
O escândalo dos abusos cometidos contra iraquianos na prisão de Abu Gharib, próxima à Bagdá (capital do Iraque), inclui mais fotos e vídeos que mostram soldados americanos sorrindo próximos a iraquianos nus e humilhados. A afirmação é do secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, que prestou depoimento nesta sexta-feira no Congresso americano.
"Eu disse hoje que há muito mais fotos e vídeos [do que os divulgados]. Se fossem mostrados ao público, obviamente a situação ficaria pior. É fato", afirmou Rusmfeld. "Eu quero dizer os olhei na noite passada e são difíceis de acreditar".
Durante o depoimento, o secretário pediu "minhas mais profundas desculpas" aos prisioneiros iraquianos que sofreram abusos pelos militares americanos e disse ao Congresso que aceita toda a responsabilidade pelo caso.
"Esses eventos ocorreram debaixo dos meus olhos. Como secretário de Defesa, eu sou responsável por eles. Assumo toda a responsabilidade", disse Rumsfeld à comissão das Forças Armadas do Senado.
"Compensação"
Ele também cogitou a hipótese de "compensar" esses prisioneiros. "Estou procurando uma maneira de prover uma compensação apropriada a esses detentos que sofreram abusos graves e brutais e crueldade em mãos de uns poucos membros das Forças Armadas dos EUA. É o correto", afirmou.
Sobre a prisão de Abu Gharib, palco das imagens de tortura cometidas contra prisioneiros iraquianos, Rumsfeld afirmou que algumas pessoas estão falando em sua destruição. "Sinceramente, do meu ponto de vista, não é uma má idéia", disse o secretário.
Logo no início de seu depoimento, manifestantes começaram a gritar pedindo a demissão do secretário. Eles tiveram que ser retirados da sala de audiência pública pela segurança do Congresso.
Cruz Vermelha
O diretor de operações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Pierre Krähenbühl, afirmou nesta sexta-feira que a agência avisou os oficiais americanos, há mais de um ano, sobre os abusos cometidos contra prisioneiros iraquianos.
"Nossas descobertas foram discutidas em diferentes momentos entre março e novembro de 2003, tanto em conversações frente a frente quanto por intervenções escritas", disse Krähenbühl.
Ele se negou a dar detalhes do conteúdo das conversas, mas confirmou que um relatório transmitido pelo CICV a autoridades americanas, citado em uma reportagem publicada pelo "Wall Street Journal", na última sexta-feira (30), é verdadeiro.
A matéria afirmava que um relatório de 24 páginas descrevia prisioneiros sendo mantidos nus na escuridão, em celas vazias da prisão de Abu Gharib --localizada próxima à Bagdá (capital)--, e prisioneiros sendo forçados a "desfilar" usando roupas íntimas femininas.
Mídia
Jornais e revistas internacionais estão defendendo a renúncia do secretário Rumsfeld, devido ao escândalo das fotos de tortura de iraquianos por soldados americanos.
O diário "The New York Times" afirma em editorial que Rumsfeld deve ir embora, ou, se ele não pedir demissão, ela deve ser exigida pelo presidente George W. Bush, que afirmou ontem em entrevista coletiva que Rumsfeld "permanece no gabinete".
O "Detroit Free Press" concorda com esta posição e ainda faz um trocadilho, chamando Rumsfeld de secretário da Ofensa, jogando com a similaridade das palavras "offense" e "defense" em inglês.
Mesmo a revista britânica "The Economist", que costuma apoiar com entusiasmo a política externa do governo Bush, pede a cabeça de Rumsfeld, que, segundo a publicação, é o "homem mais identificado com a cultura ampla com a qual os abusos se relacionam".
Em defesa de Rumsfeld saiu o "The Washington Times", segundo o qual a imprensa se tornou em uma "gangue de linchadores" que, com "agendas evidentes", tomou para o si o papel de decidir o futuro da carreira do secretário da Defesa.
Com agências internacionais
Especial
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"Há muito mais fotos e vídeos", diz Rumsfeld
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da Folha OnlineO escândalo dos abusos cometidos contra iraquianos na prisão de Abu Gharib, próxima à Bagdá (capital do Iraque), inclui mais fotos e vídeos que mostram soldados americanos sorrindo próximos a iraquianos nus e humilhados. A afirmação é do secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, que prestou depoimento nesta sexta-feira no Congresso americano.
"Eu disse hoje que há muito mais fotos e vídeos [do que os divulgados]. Se fossem mostrados ao público, obviamente a situação ficaria pior. É fato", afirmou Rusmfeld. "Eu quero dizer os olhei na noite passada e são difíceis de acreditar".
Durante o depoimento, o secretário pediu "minhas mais profundas desculpas" aos prisioneiros iraquianos que sofreram abusos pelos militares americanos e disse ao Congresso que aceita toda a responsabilidade pelo caso.
"Esses eventos ocorreram debaixo dos meus olhos. Como secretário de Defesa, eu sou responsável por eles. Assumo toda a responsabilidade", disse Rumsfeld à comissão das Forças Armadas do Senado.
"Compensação"
Ele também cogitou a hipótese de "compensar" esses prisioneiros. "Estou procurando uma maneira de prover uma compensação apropriada a esses detentos que sofreram abusos graves e brutais e crueldade em mãos de uns poucos membros das Forças Armadas dos EUA. É o correto", afirmou.
Sobre a prisão de Abu Gharib, palco das imagens de tortura cometidas contra prisioneiros iraquianos, Rumsfeld afirmou que algumas pessoas estão falando em sua destruição. "Sinceramente, do meu ponto de vista, não é uma má idéia", disse o secretário.
Logo no início de seu depoimento, manifestantes começaram a gritar pedindo a demissão do secretário. Eles tiveram que ser retirados da sala de audiência pública pela segurança do Congresso.
Cruz Vermelha
O diretor de operações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Pierre Krähenbühl, afirmou nesta sexta-feira que a agência avisou os oficiais americanos, há mais de um ano, sobre os abusos cometidos contra prisioneiros iraquianos.
"Nossas descobertas foram discutidas em diferentes momentos entre março e novembro de 2003, tanto em conversações frente a frente quanto por intervenções escritas", disse Krähenbühl.
Ele se negou a dar detalhes do conteúdo das conversas, mas confirmou que um relatório transmitido pelo CICV a autoridades americanas, citado em uma reportagem publicada pelo "Wall Street Journal", na última sexta-feira (30), é verdadeiro.
A matéria afirmava que um relatório de 24 páginas descrevia prisioneiros sendo mantidos nus na escuridão, em celas vazias da prisão de Abu Gharib --localizada próxima à Bagdá (capital)--, e prisioneiros sendo forçados a "desfilar" usando roupas íntimas femininas.
Mídia
Jornais e revistas internacionais estão defendendo a renúncia do secretário Rumsfeld, devido ao escândalo das fotos de tortura de iraquianos por soldados americanos.
O diário "The New York Times" afirma em editorial que Rumsfeld deve ir embora, ou, se ele não pedir demissão, ela deve ser exigida pelo presidente George W. Bush, que afirmou ontem em entrevista coletiva que Rumsfeld "permanece no gabinete".
O "Detroit Free Press" concorda com esta posição e ainda faz um trocadilho, chamando Rumsfeld de secretário da Ofensa, jogando com a similaridade das palavras "offense" e "defense" em inglês.
Mesmo a revista britânica "The Economist", que costuma apoiar com entusiasmo a política externa do governo Bush, pede a cabeça de Rumsfeld, que, segundo a publicação, é o "homem mais identificado com a cultura ampla com a qual os abusos se relacionam".
Em defesa de Rumsfeld saiu o "The Washington Times", segundo o qual a imprensa se tornou em uma "gangue de linchadores" que, com "agendas evidentes", tomou para o si o papel de decidir o futuro da carreira do secretário da Defesa.
Com agências internacionais
Especial

